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Docentes do ensino médio criam perfis em redes sociais e atualizam blogs para ajudar estudantes e criar laços para além da sala de aula

Carlos Lordelo, Estadão.edu

25 Abril 2011 | 23h30

Era agosto de 2009 quando o coordenador pedagógico do Colégio Argumento, Alexandre Braga, criou um blog (alexandrebragablog.blogspot.com) para orientar os alunos do ensino médio sobre a volta às aulas, a escolha da profissão e o calendário dos principais vestibulares. A novidade foi bem recebida na escola da zona leste de São Paulo e ganhou força um mês depois, com a revelação feita pelo Estado do vazamento das provas do Enem.

 

“Houve um período de indefinição sobre as novas datas do exame e eu entrava todo dia nas salas do 3.º ano para dar avisos. Um dia, um aluno sugeriu que eu colocasse as informações no blog e a repercussão foi muito boa. A garotada me dizia nos corredores que acessava meu site diariamente”, conta Alexandre, que também dá aulas de matemática na escola e, no tempo livre, atualiza o blog com notícias, opiniões e textos motivacionais. “Não sinto como se estivesse trabalhando, mas ajudando os estudantes. A gente acaba criando um vínculo afetivo com eles.”

 

Além de blogs, professores têm usado cada vez mais redes sociais como Facebook e Twitter, programas de bate-papo e o já tradicional e-mail para tirar dúvidas de alunos e, por tabela, estreitar os laços para além da sala de aula.

 

“Maluco por computador”, como gosta de se definir, o professor de física Dulcidio Braz Junior, coordenador do Anglo em São João da Boa Vista, no interior paulista, tem uma vida virtual agitada. Além de perfis em redes sociais, ele administra o Física na veia! (fisicamoderna.com.br), o melhor blog em língua portuguesa de 2010, segundo o grupo de comunicação alemão Deutsche Welle.

 

Com linguagem bem-humorada, o site criado em 2004 recebe cerca de 80 mil visitas por mês. Dulcidio usa, por exemplo, lances futebolísticos para explicar as fórmulas e se gaba de adiantar modelos de questões de vestibulares para seus leitores.

 

“A física deve ser simplificada para popularizar os conceitos e o blog é como uma sala de aula onde não toca o sinal nem para sair nem para entrar”, diz o professor, que passa em média duas horas por dia atualizando o site.

 

Rede. O Colégio Bandeirantes, na zona sul de São Paulo, estimula a participação de seus professores nas mídias sociais e, para isso, construiu uma rede de 17 blogs.

 

Lançado no ano passado, o Histo é Blog (histo.colband.blog.br) é o braço online das turmas de 3.º ano do ensino médio de Humanas. No site, professores escrevem pequenos textos sobre assuntos de história e geografia e estimulam os estudantes a comentar.

 

“É um espaço a mais de discussão”, diz o professor de história geral Pérsio Santiago. “Temos de ir aonde os alunos estão, e a internet é esse lugar.”

 

EaD. O professor de geografia Eduardo Castro cogitou criar um blog para aumentar a interação com os alunos, mas desistiu da ideia porque encontrou no Facebook as ferramentas necessárias para seu projeto de ensino a distância. No início do ano, ele fez um grupo fechado para a turma do 3.º ano do Colégio Sidarta, em Cotia, Grande São Paulo. "Os assuntos de geografia atravessam a vida dos alunos e entram na sala de aula, mas não dá tempo de discutir tudo. Aproveito o espaço no Facebook para sugerir sites, músicas, vídeos e artigos."

 

Todos os 17 alunos da classe estão no grupo e a participação deles é avaliada pelo professor. Eduardo pediu para que os estudantes postassem os resultados de uma tarefa obrigatória - neste primeiro trimestre, a resenha de um vídeo. "Ter esse contato extraclasse com os alunos é um caminho sem volta", avalia o professor.

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