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Bispo que nega Holocausto chega a Londres após expulsão

Richard Williamson foi convidado a se retirar da Argentina por negar genocídio de judeus na Segunda Guerra

25 de fevereiro de 2009 | 9h 24
CATHERINE BOSLEY - REUTERS

O bispo católico que causou uma polêmica internacional ao negar a extensão do Holocausto chegou à sua terra natal, a Grã-Bretanha, depois de ter sido expulso pelo governo da Argentina, onde morava.   Veja também:  Perguntas e respostas: A polêmica do bispo que nega o Holocausto  Vídeo: A polêmica entrevista do bispo Williamson Bispo diz que não vai retirar negação de Holocausto Vaticano pede que bispo que negou Holocausto se retrate Papa divide Vaticano ao reabilitar bispo que nega o Holocausto Blog de Richard Williamson  

Richard Williamson surgiu, em meio a outros passageiros, em um terminal comum, uma hora depois que seu voo, vindo de Buenos Aires, pousou no aeroporto de Heathrow.

Cercado por um grupo de policiais armados e seguranças particulares, Williamson se recusou a responder as perguntas dos repórteres antes de ser retirado do aeroporto e colocado em um carro preto, que o esperava.

Ultraconservador, Williamson liderava um seminário perto de Buenos Aires até o começo deste mês. Ele disse acreditar que não morreram mais do que 300 mil judeus nos campos de concentrações nazistas. O número amplamente aceito é de 6 milhões de judeus mortos.

Na semana passada, o governo argentino deu dez dias ao bispo para deixar o país ou ser expulso, citando irregularidades na sua solicitação de imigração e condenando seus comentários sobre o Holocausto, chamando-os de "profundamente ofensivos à sociedade argentina, ao povo judeu e à humanidade".

A Argentina é lar de uma das maiores comunidades judias fora de Israel.

O ministro do Interior da Grã-Bretanha não quis comentar o caso. Negar o Holocausto não é um crime específico na Grã-Bretanha.

O papa Bento 16 irritou líderes judeus e muitos católicos no mês passado, ao suspender a excomunhão de Williamson e três outros tradicionalistas, a fim de solucionar um cisma de 20 anos dentro da Igreja, iniciado em 1988, quando eles foram ordenados sem a permissão do Vaticano.

O Vaticano exigiu que Williamson retirasse o que disse, mas o bispo respondeu que precisa de mais tempo para rever as provas da existência do Holocausto.

Organizações judias e a chanceler alemã, Angela Merkel, criticaram o papa pela suspensão da excomunhão de Williamson, que pertence à Sociedade de São Pio X.

A negação do Holocausto é um crime na Alemanha, e os promotores da cidade de Regensburg estão investigando Williamson pelos comentários.

Sites e blogs neonazistas publicaram textos apoiando a posição de Williamson.



Tópicos: RELIGIAO, BISPO, VOLTA*