BNDES será padrinho da 'BioBrasil', a superfarmacêutica brasileira
Banco investe em nova empresa de medicamentos que terá como sócios tradicionais fabricantes
RIO - Sem sucesso na tentativa de criar uma superfarmacêutica brasileira incentivando fusões no setor, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será o padrinho da criação da BioBrasil, uma nova empresa de medicamentos que terá como sócios tradicionais fabricantes do setor: Aché, EMS, União Química e Hypermarcas.
A empresa será uma estrutura nova, independente das atividades dos sócios, que começará do zero, até na construção de fábricas e laboratórios para a produção de medicamentos biológicos (desenvolvidos a partir de células vivas).
O BNDES deverá ser o principal financiador, podendo atuar como um dos sócios por meio da sua subsidiária de participações, BNDESpar. As conversas só chegaram a uma definição há duas semanas, mas a participação do banco ainda está em negociação.
O capital inicial seria de pelo menos R$ 400 milhões. Eurofarma e Cristália, também cortejadas pelo banco, decidiram ficar de fora. O BNDES não quis comentar, mas fontes envolvidas nas conversas com os laboratórios explicaram que o banco entendeu que era preciso um caminho alternativo para criar a superfarmacêutica.
A maior parte das empresas do setor é dirigida pelas famílias fundadoras, que relutam em mudar a governança e abrir mão da direção para se unir a concorrentes. O BNDES tentou virar sócio de laboratórios para tentar influenciar por dentro, mas concluiu que há problemas na administração de alguns deles que inviabilizam as fusões.
O BNDES tem sido parceiro mais frequente da Hypermarcas, que tem capital aberto e vem aumentando seu portfólio de medicamentos comprando outras empresas. É dona de marcas como Doril, Coristina e Engov. Em 2009, a companhia comprou o laboratório Neo Química numa operação de R$ 1,3 bilhão, viabilizada pela compra de títulos da Hypermarcas pela BNDESpar.
A insistência do BNDES em dar maior musculatura financeira às farmacêuticas é uma forma de criar condições de elas investirem na pesquisa de novos medicamentos e resistirem ao avanço das multinacionais em meio ao crescimento do mercado brasileiro com renda em alta e maior acesso à medicina.
A estratégia segue as diretrizes do Plano Brasil Maior, a política industrial do governo Dilma Rousseff, que, a exemplo da Política de Desenvolvimento Produtivo de Lula, elegeu o setor farmacêutico como prioritário.
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