China irá a Copenhague e levará meta de redução de emissões
Governo chinês anunciou que se comprometerá a reduzir entre 40% e 45% sua intensidade energética
O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, vai liderar a delegação chinesa que participará da Cúpula da Mudança Climática de Copenhague, de 7 a 18 de dezembro, anunciou nesta quinta-feira, 26, o porta-voz de turno do Ministério de Assuntos Exteriores, Qin Gang, em entrevista coletiva.
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A presença de Wen "demonstra a grande importância que o governo chinês dá à mudança climática e sua vontade política de trabalhar com a comunidade internacional neste assunto", afirmou o porta-voz.
O Governo chinês anunciou que se comprometerá a reduzir entre 40% e 45% a intensidade energética (emissão de dióxido de carbono por unidade de PIB) em 2020 em relação aos níveis de 2005. O governo chinês pretende incrementar sua eficiência por meio da desaceleração das emissões de gás carbônico como parte de sua contribuição para o combate ao aquecimento global.
Em nota oficial, o governo chinês afirma que o plano é uma ação voluntária que leva em consideração as condições do país e o qualifica como uma grande contribuição para os esforços globais de combate ao aquecimento global.
O Conselho de Estado, principal órgão administrativo da China, informa ainda que os objetivos serão incorporados ao plano nacional de desenvolvimento econômico e social como metas de médio a longo prazo e que a medida terá força de lei. Para tanto, serão elaborados parâmetros para calcular, monitorar e avaliar as emissões.
As metas serão alcançadas por intermédio da elevação dos investimentos em eficiência energética, carvão limpo, fontes renováveis de energia, usinas nucleares e no processo de captura e estocagem de gás carbônico, prossegue o documento.
Segundo o texto, a China pretende fazer com que o consumo de combustíveis que não sejam de origem fóssil represente 15% da produção energética do país até 2020, conforme o presidente Hu Jintao já havia comentado em setembro.
No anúncio, o Conselho de Estado reitera que a China insiste em que os princípios fundamentais do Protocolo de Kyoto sejam mantidos em um futuro pacto para lidar com o aquecimento global.
Em comunicado através da agência oficial Xinhua, o Conselho de Estado (Executivo) afirmou que o compromisso "é uma ação voluntária do Governo chinês, levando em conta suas atuais condições nacionais" e qualificou de "grande contribuição à luta internacional contra a mudança climática".
A intensidade energética é um conceito um pouco mais vago que uma redução concreta de emissões, o que permite ao Governo chinês uma maior margem de manobra, e também não está claro se Pequim alcançará em 2010 esse objetivo de 20% que tinha prometido em seu Plano Quinquenal.
O anúncio da China ocorre após um ano de negociações, especialmente com os EUA, para que o país asiático assumisse mais compromissos na luta contra a mudança climática, apesar de, por ser um país em desenvolvimento, não ser obrigada a reduzir emissões, de acordo com o Protocolo de Kioto.
O presidente da China, Hu Jintao, já tinha antecipado em setembro que a China reduziria sua intensidade energética na próxima década "em uma longa margem", mas o número concreto tinha sido uma incógnita até hoje.
Minutos antes do anúncio da nova percentagem, o Ministério de Assuntos Exteriores tinha informado que o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, liderará a delegação chinesa que participará da cúpula sobre mudança climática que acontecerá na capital dinamarquesa entre os dias 7 e 18 de dezembro.
A presença de Wen "mostra a grande importância que o Governo chinês dá à mudança climática e sua vontade política de trabalhar com a comunidade internacional neste assunto", disse o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Qin Gang.
Otimismo com acordo climático
O grupo ambientalista Greenpeace afirmou ter recebido a notícia com satisfação, assim como o recente anúncio de Washington referente aos planos americanos para fazer frente às mudanças climáticas em andamento no planeta.
"A meta de redução da China, logo depois do anúncio de ontem feito pelos Estados Unidos, representa um sinal muito positivo de que as nações estão promovendo grandes esforços para obter um acordo significativo em Copenhague", comentou Yang Ailun, diretor de campanha do Greenpeace China em entrevista concedida à Dow Jones.
Avaliação semelhante foi feita nesta quinta-feira pelo secretário-executivo da Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas da ONU, Yvo de Boer, que se demonstrou otimista com a perspectiva da realização de um acordo na cúpula.
"Os compromissos dos Estados Unidos e China podem destrancar duas das últimas portas para a formulação do acordo. Mas nós ainda aguardamos definições mais claras das nações industrializadas em relação ao financiamento para os países em desenvolvimento nas ações imediatas e de longo prazo no combate às mudanças climáticas", disse de Boer.
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