Cientistas descobrem variante de gene que aumenta o risco de Alzheimer
De acordo com estudo, variante impediria a evacuação de placas senis do tecido cerebral, favorecendo o desenvolvimento da doença
WASHINGTON - Cientistas descobriram que a variante de um gene associado à doença de Alzheimer impede a evacuação de placas senis do tecido cerebral, o que aumenta o risco de desenvolvimento da doença, segundo estudo publicado nesta quarta-feira pela revista "Science Translational Medicine".

As placas senis são formadas devido à acumulação de proteínas beta-amilóide, que se concentram em cúmulos ou novelos impenetráveis que afetam à transmissão entre as células nervosas do cérebro.
A descoberta serviria para explicar por que algumas pessoas sofrem maior acumulação da proteína e buscar novas maneiras para atrasar e inclusive deter a acumulação dessas placas.
Os pesquisadores identificaram vários genes que parecem aumentar o risco de Alzheimer, um deles é o gene APOE, cuja variante ApoE4 aumenta o risco e antecipa a idade de aparição da doença.
Estudos anteriores haviam sugerido que a ApoE4 contribuía para dirigir a acumulação de beta-amilóide, e agora o doutor David Holtzman, da Escola de Medicina da Washington University, e seus colaboradores revelaram o motivo.
Segundo suas pesquisas, a ApoE4 contribui para a acumulação da proteína mediante a desaceleração de sua evacuação do cérebro, o que explicaria por que algumas pessoas acumulam mais esse tipo de proteína que outras, aumentando o risco de Alzheimer.
Os autores mediram a concentração de beta-amilóide no fluido cerebral de indivíduos cognitivamente normais de menos de 70 anos de idade usando formas distintas de APOE.
A equipe descobriu que os indivíduos com ApoE4 tinham muita mais proteína beta-amilóide no cérebro que os indivíduos com as formas ApoE2 e ApoE3 (outras duas formas comuns de proteínas do gene).
Em um segundo momento, os pesquisadores estudaram as concentrações de beta-amilóide em ratos geneticamente modificados e descobriram maiores concentrações da proteína humana nos animais com ApoE4 que nos animais com as outras formas.
A equipe também observou que o cérebro dos ratos (tanto jovens como velhos) com a ApoE4 humana se desfez da beta-amilóde muito mais devagar que aqueles com as outras formas da proteína.
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta principalmente adultos de idade avançada, cujo principal sintoma é a perda de memória.
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