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Colisão distante levou ao fim dos dinossauros

05 de setembro de 2007 | 18h 22
WILL DUNHAM - REUTERS

Uma colisão de dois asteróides entre

Marte e Júpiter, há 160 milhões de anos, enviou enormes rochas

na direção da Terra, incluindo uma que levou à extinção dos

dinossauros, disseram cientistas nesta quarta-feira.

Isso explicaria um dos fatos mais impressionantes da

história da vida na Terra --a queda de um meteorito de dez

quilômetros de diâmetro na península do Yucatán (sudeste do

México), 65 milhões de anos atrás.

Essa catástrofe acabou com os dinossauros, que haviam

dominado o mundo por cerca de 165 milhões de anos, e outras

formas de vida. Esse vácuo, segundo especialistas, propiciou o

desenvolvimento dos mamíferos e, mais tarde, do ser humano.

O impacto deve ter provocado um cataclismo ambiental em

todo o mundo, expelindo enormes quantidades de rocha e poeira

nos céus, provocando gigantescos tsunamis e incêndios globais.

Isso teria feito com que a Terra passasse anos na escuridão.

Usando simulações em computadores, cientistas checos e

norte-americanos estimaram em 90 por cento a probabilidade de

que a colisão de dois asteróides --um com cerca de 170

quilômetros de diâmetro, outro com cerca de 60-- tenha sido o

fato que precipitou o desastre na Terra.

A colisão ocorreu no cinturão de asteróides, uma coleção de

grandes rochas que orbitam o Sol a cerca de 180 milhões de

quilômetros da Terra, segundo o estudo publicado nesta semana

na revista Nature.

O asteróide Baptistina e os destroços a ele associados

supostamente são restos desse choque, segundo os cientistas.

Parte dos destroços da colisão escapou do cinturão de

asteróides, mergulhou em direção ao centro do Sistema Solar e

acabou atingindo a Terra e a Lua, além de provavelmente Marte e

Vênus, segundo William Bottke, do Instituto de Pesquisas do

Sudoeste dos EUA, em Boulder, Colorado.

Durante algum tempo, essa colisão deve ter dobrado o número

de impactos ocorridos nessa parte do Sistema Solar.

Na verdade, embora o auge desse fenômeno tenha se dado há

100 milhões de anos, os cientistas dizem que ainda há uma

"garoa" residual de detritos espaciais devido àquela colisão.

"Imagine a quebra de um enorme rochedo no alto de um morro,

e todos os fragmentos rolando morro abaixo. E em algum lugar ao

pé do morro está uma aldeia chamada Terra", comparou Bottke em

entrevista telefônica.

O meteorito que caiu no Yucatán teria aberto a cratera

chamada Chicxulub, que tem cerca de 180 quilômetros de

diâmetro. Os pesquisadores examinaram a composição desse

meteorito e concluíram que ela é condizente com o rochoso

Baptistina.

Eles estimam em 70 por cento a probabilidade de que Tycho,

uma cratera lunar de 85 quilômetros de diâmetro formada há 108

milhões de anos seja resultado de restos de uma colisão

espacial anterior.

Philippe Claeys, da Universidade Livre de Bruxelas, na

Bélgica, que não participou do estudo, disse por e-mail que as

conclusões são "uma clara evidência de que o Sistema Solar é um

ambiente violento e que as colisões que ocorrem no cinturão de

asteróides podem ter grandes repercussões para a vida na

Terra".

Bottke enfatizou esse ponto. "Os dinossauros estavam aí

durante muitíssimo tempo, então é provável que ainda estariam

se aquele fato nunca tivesse ocorrido. A humanidade era

inevitável? Ou a humanidade é apenas algo que aconteceu de

surgir por causa dessa sequência de fatos que ocorreram na hora

certa. É difícil dizer."



Tópicos: CIENCIA, DINOSSAUROS