Doses da vacina contra gripe A estão encalhando na Europa
Em pleno inverno, países europeus começaram a devolver sobra da vacina aos laboratórios multinacionais
Há dois meses, governos se apressavam em tentar obter acordos para a compra da vacina contra a gripe suína. Agora, em muitos locais da Europa, o produto está encalhado e governos já começam a devolver as vacinas às multinacionais. Mesmo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) se recusou nesta quinta-feira, 17, a declarar o fim da pandemia do vírus H1N1, alertando que uma nova onda de infecções poderia ocorrer no final do inverno do hemisfério norte, entre março e abril.

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A Suíça, que havia comprado 13 milhões de doses da vacina para seus 7 milhões de habitantes, anunciou nesta quinta-feira que quer se desfazer de 4,5 milhões de doses. Parte da explicação é o fato de que cada pessoa precisa de apenas uma dose, e não duas como se estimava no início da pandemia. Mas outro fenômeno é o baixo interesse da população em se vacinar.
Na Espanha, a ministra da Saúde, Trinidad Jiménez, admitiu que está negociando com as empresas para devolver o produto. "Os contratos assinados com as empresas que nos venderam as vacinas - GSK, Novartis e Sanofi-Pasteur - incluem cláusulas que permitem devolver as vacinas para que se possa distribuir a outros países", disse. A Espanha comprou 37 milhões de doses da vacina para sua população.
A ideia seria passar as doses para países que não assinaram contratos com empresas. Uma das preocupações da ONU no início da pandemia era de que o poder de compra dos países ricos deixasse as demais economias sem acesso ao produto.
Já alguns estados alemães começam negociações com a GlaxoSmithKline para reduzir as encomendas. Em janeiro, Berlim abrirá negociações com outros países para transferir as vacinas encalhadas. 2 milhões de doses poderiam ser vendidas, das mais de 50 milhões que o país adquiriu.
Quem perde com isso são as empresas farmacêuticas. Segundo a Morgan Stanley, os lucros da Novartis poderiam chegar a US$ 600 milhões com a doença, contra 750 milhões de euros para a Sanofi. Já a Glaxo teria lucros de mais de US$ 3 bilhões. Mas a devolução dos estoques pode reduzir e em até 15% esses benefícios.
Pandemia
Duramente criticada por ter criado um sentimento de pânico, a OMS se defende e alerta que é "muito cedo ainda" para dizer que a pandemia acabou. Keiji Fukuda, responsável dentro da organização pelo assunto, ainda insiste que a incerteza é o que marca a atual gripe. Para ele, França, Suíça e Leste Europeu mantém um "nível elevado" da gripe. "É improvável que uma pandemia possa desaparecer de um momento a outro", disse. Para ele, o principal será avaliar o que ocorrerá nos próximos quatro ou cinco meses.
Enquanto os países ricos não sabem o que fazer com suas vacinas, a OMS admite que ainda não enviou aos países pobres as vacinas que recebeu como doação e que foram usadas pelas multinacionais como publicidade. Segundo Fukuda, isso depende da capacidade do país receptor de mostrar que tem como administrar as vacinas. Os primeiros países a receber as vacinas serão o Azerbaijão, Afeganistão e Mongólia.
A OMS estima que, em oito meses, cerca de 10 mil pessoas morreram por causa da gripe suína. Mas o número poderia ser maior. A gripe sazonal mata entre 250 mil e 500 mil pessoas por ano no mundo.
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