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Ensino médio não prepara aluno para o mercado, diz empresário

Para Marcos Magalhães, gestão escolar no Brasil é 'na base do improviso'

18 de agosto de 2011 | 11h 57
Carlos Lordelo - O Estado de S. Paulo

CURITIBA - Os alunos brasileiros chegam ao ensino médio com tantas dificuldade que as escolas precisam de mais tempo para prepará-los para a vida e o mundo do trabalho. A solução está na ampliação da carga horária nessa etapa da formação. A ideia foi defendida na quinta-feira, 18, pelo empresário Marcos Magalhães no encerramento do Sala Mundo Curitiba 2011, evento que reuniu especialistas em educação na capital paranaense.

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O currículo do ensino médio também precisa ser reformado, disse Magalhães, que é presidente do Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação (ICE). "Temos de repensar a grade." Para ele, só deveriam ser obrigatórias as disciplinas de português e língua estrangeira, além de matemática, física, química e biologia. As outras matérias seriam eletivas. "Hoje o aluno que vai prestar vestibular para Engenharia perde tempo estudando filosofia. Se ele achar importante, deveria ter a opção de cursá-la, não a obrigação."

O ensino médio é visto como a etapa mais problemática da educação básica, com altos índices de evasão. Uma pesquisa de 2009 baseada em dados do IBGE mostrou que 40% dos jovens de 15 a 17 anos abandonam a escola por desinteresse.

Na quinta-feira, os painéis do Sala Mundo abriram espaço para a discussão de gestão escolar, o trabalho dos professores e novas ideias que estão sendo aplicadas em escolas do País.

O neurocientista Miguel Nicolelis, da Universidade de Duke, falou sobre seu trabalho na criação de escolas de ciência para alunos da rede pública na Bahia e no Rio Grande do Norte. "Educar é fazer com que a criança atinja o ideal humano de felicidade", disse. Para o pesquisador, a escola tem de se adaptar aos estudantes de hoje, os chamados nativos digitais.

Metas. Os palestrantes divergiram quanto à importância do diretor escolar no processo de melhoria da educação. Marcos Magalhães, do ICE, focou sua apresentação no papel do gestor. "Ele precisa definir um plano de ação para sua unidade", afirmou. Segundo o empresário, hoje as coisas funcionam de maneira improvisada. "Se você implanta processos, consegue prever resultados. Quando saem índices de educação no Brasil todos tomam um susto, como se não soubesse os motivos."

Já Ilona Becskeházy, diretora da Fundação Lemann, disse que, embora gestão seja importante para fazer o sistema funcionar, sem bons professores e material didático de qualidade "não saímos do lugar". "Prestigiar o docente é prestigiar a educação."

Para o economista Claudio de Moura Castro, coordenador da programação do evento, os funcionários e os gestores precisam se entender melhor. "A boa gestão escolar permite o professor usar seus talentos", disse.



Tópicos: Educação

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