Governo declara de interesse público droga anti-Aids Tenofovir
O Ministério da Saúde declarou
de "interesse público" o medicamento Tenofovir, usado no
tratamento da Aids. A droga possui um pedido de patente
pendente no país que o governo espera que seja negado pelo
Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Com a medida, o ministério espera que o processo da patente
seja resolvido mais rapidamente, abrindo a possibilidade para o
Brasil negociar preços do medicamento, do laboratório
farmacêutico Gilead .
"Se a patente não for concedida no INPI, o país estará
livre para negociar preços, seja de medicamentos genéricos ou
de marca", afirmou nesta quinta-feira uma fonte do Ministério
da Saúde.
Segundo portaria assinada pelo ministro José Gomes
Temporão, e publicada no Diário Oficial da União na
quarta-feira, o Tenofovir é indispensável no tratamento de
pessoas que vivem com Aids e é indicado na terapia inicial. Em
2008, 31.300 pessoas usarão o anti-retroviral, segundo o
ministério.
O Tenofovir representa 10 por cento do orçamento gasto com
drogas anti-retrovirais pelo governo, que distribui
gratuitamente medicamentos à população.
Entre os argumentos do governo, além do direito de acesso à
saúde, "a apresentação de pedido de patente ao INPI gera
expectativa de direito monopolístico, com impacto no preço do
produto". O governo gasta atualmente 2.500 dólares ao ano no
tratamento de cada paciente, em média.
Segundo a portaria, o laboratório estatal Farmanguinhos
(Fiocruz) já forneceu subsídios técnicos ao INPI com relação ao
pedido de patente do laboratório, demonstrando "falta de
atividade inventiva, ou seja, ausência de um dos requisitos de
patenteabilidade necessários para a concessão de patente".
Pelo mesmo motivo, o Escritório de Patentes Norte-Americano
negou em janeiro deste ano um pedido para o mesmo medicamento,
segundo o governo.
Em abril de 2007, o Brasil declarou o medicamento
Efavirenz, do laboratório Merck, de "interesse público" e
solicitou o licenciamento compulsório no mês seguinte. Segundo
a fonte do ministério, no entanto, desta vez "não é o mesmo
caso".
A representante da Gilead no Brasil, a United Medical, não
quis comentar a medida do ministério, mas informou que um
funcionário da Gilead está em contato com o governo
brasileiro.
(Por Maria Pia Palermo, com reportagem adicional de Pedro
Fonseca)
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