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Lula e Obama divergem posições em discursos na COP-15

Brasileiro disse que País pode contribuir com fundo de apoio a países pobres e acusou ricos de 'barganharem'

18 de dezembro de 2009 | 9h 36
estadao.com.br

Lula disse que Brasil está disposto a ajudar no financiamento se for elaborado um acordo final

COPENHAGUE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em discurso no último dia da Conferência sobre o Clima em Copenhague (COP-15), que o Brasil está disposto a contribuir para o fundo de apoio a países pobres destinado a auxiliá-los a reduzir os efeitos do aquecimento global e controlar suas emissões.

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"Estamos dispostos a ajudar no financiamento, se nós nos colocarmos de acordo em uma proposta final aqui. Agora, o que não estamos de acordo é que as pessoas mais importantes do planeta assinem um documento só para dizer que assinamos", disse. Lula afirmou que estava "muito decepcionado" com o ritmo de negociações.

Já o presidente norte-americano Barack Obama cobrou no seu discurso mais ação dos países em desenvolvimento. "Os países em desenvolvimento não querem se comprometer tanto no acordo, o que não compreendo. Há países que acham que acham que os países ricos devem assumir a maior parte da responsabilidade. Eu acho que todos devem se comprometer e agir de uma forma unida para enfrentar esta ameaça real", disse.

Barack Obama pediu participação dos países emergentes na redução de emissões e no financiamento

Obama reafirmou os compromissos assumidos pelos EUA na redução de emissões dos gases-estufa, de 17% até 2020, contudo destacou que é preciso levar em consideração o atual momento econômico, de saída da recessão, e tomar medidas que não comprometam a volta do crescimento de empregos.

O presidente americano reafirmou os compromissos assumidos pelos EUA na redução de emissões dos gases-estufa, de 17% até 2020, contudo destacou que é preciso levar em consideração o atual momento econômico, de saída da recessão, e tomar medidas que não comprometam a volta do crescimento de empregos e a recuperação das empresas.

"Os Estados Unidos assume sua responsabilidade diante desta questão global. Nós renovamos nossas metas e vamos promover um investimento histórico para ajudar os outros países a combater o aquecimento", declarou Obama. "E estamos incentivando nossos lares e indústrias a usarem energia limpa."

Obama disse que os países devem aceitar nesta sexta-feira um novo acordo climático global, mesmo que seja imperfeito. Caso contrário, advertiu ele, o mundo correrá o risco de criar perigosas divisões no combate às mudanças climáticas.

Barganha

Em um pronunciamento duro, feito de improviso, Lula criticou a falta de entendimento entre os diversos chefes de governo que se reuniram até a madrugada desta sexta-feira e enviou um recado aos países ricos, que nas palavras do presidente foram à conferência para "barganhar".

 

Lula justificou a decisão de contribuir para o fundo afirmando que, para o mundo desenvolvido, conseguir que todos os seus cidadãos "tomem café da manhã, almoço e janta" era uma coisa do passado. Mas que para muitos países da África, América Latina e Ásia "isso ainda é uma coisa do futuro", arrancando palmas da plateia.

Ele destacou que o dinheiro dos países ricos para auxiliar os pobres a enfrentar o aquecimento global não deve ser encarado como uma esmola, mas um "pagamento pela emissão de gás estufa feita durente dois séculos por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro".




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