Lula e Sarkozy querem propostas mais ousadas de EUA e China sobre clima
Encontro em dezembro definirá metas para a redução de gases que provocam o efeito estufa.

Em um encontro em Paris neste sábado, os presidentes Lula, do Brasil, e Nicolas Sarkozy, da França, cobraram propostas "mais ousadas" dos Estados Unidos e da China na Conferência Mundial do Clima em Copenhague, em dezembro.
O encontro, que contará com a presença dos dois chefes de Estado, deverá definir novas metas para a redução de gases que provocam o aquecimento global.
"É preciso que os Estados Unidos, como maior economia do mundo, sejam os mais ousados. A China, que não tem a mesma responsabilidade dos países desenvolvidos, mas cresce de forma extraordinária, tem que ter um pouco mais ousadia em suas propostas", disse o presidente Lula em uma coletiva no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.
"Não aceitaremos um acordo em que outros países dirão que isso ficará para depois. É uma responsabilidade coletiva. A primeira economia do mundo deve estar à altura de suas responsabilidades", afirmou o presidente Sarkozy.
"Para termos certeza de que chegaremos a isso, nós vamos dar a volta ao mundo para convencer outros países que ele é multipolar", disse o presidente francês.
'Bíblia climática'
Os dois presidentes afirmaram que vão "convencer a África e uma parte da Ásia" a se alinharem em torno da proposta franco-brasileira.
"Não temos o direito de permitir que o presidente Obama e Hu Jintao façam acordo com base apenas nas duas realidades políticas e econômicas de seus países", declarou Lula.
"No fundo, estamos percebendo a tentativa de criação de um G2 com interesses específicos para resolver os problemas políticos e climáticos dos dois países sem se importar com a responsabilidade que temos de ter com o conjunto da humanidade", Lula, acrescentando que deve ligar para o líder americano, Barack Obama, "na próxima segunda-feira" para discutir o assunto.
Os dois líderes divulgaram em Paris uma posição comum do Brasil e da França sobre a questão das mudanças climáticas que serão discutidas na conferência da ONU no próximo mês, em Copenhague.
No documento, de três páginas, os dois países informam que "estão engajados a trabalhar juntos antes da Conferência do Clima" e destacam a necessidade de resultados ambiciosos na redução das emissões de gases de efeito estufa em escala global.
"Esse documento assinado por mim e pelo presidente Sarkozy é mais do que uma carta de príncipios. É uma bíblia climática", disse Lula.
Primeiro emergente
O texto reúne basicamente elementos que estão sendo discutidos internacionalmente em encontros preparatórios à Cúpula de Copenhague.
Um deles é a "necessidade de adoção de metas, por parte dos países desenvolvidos, de redução das emissões no médio prazo, em conformidade com as recomendações dos especialistas da ONU".
O presidente Sarkozy elogiou a proposta do Brasil, anunciada na sexta-feira, de corte de emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020.
"O Brasil é o primeiro país emergente que assume compromissos dessa natureza", afirmou Sarkozy.
Os objetivos climáticos anunciados pelo Brasil foram apresentados à imprensa na coletiva dos dois presidentes no Palácio do Eliseu pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
É a primeira vez que um ministro brasileiro discursa em uma coletiva com um presidente francês.
O encontro entre Lula e Sarkozy durou cerca de uma hora, seguido por uma coletiva. No total, o líder brasileiro permaneceu apenas três horas na França.
Lula embarcou no final desta tarde para Roma, onde participa, na próxima segunda-feira, da Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.
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