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'Movimento imigratório para o Brasil no século 21' é tema da redação do Enem

Antes da prova, maioria dos candidatos apostava em política ou meio ambiente

04 de novembro de 2012 | 14h 06
Estadão.edu

Os estudantes que prestam o Enem neste domingo, 4, têm de escrever uma redação sobre movimento imigratório para o Brasil no século 21. O tema deve ter frustrado grande parte dos candidatos - e até dos professores de cursinhos. Antes da prova, política e meio ambiente lideravam a bolsa de apostas.

No material de apoio à redação, os estudantes encontravam um texto do site da Polícia Federal sobre a imigração ilegal de haitianos. Um mapa mostrava o percurso deles de seu país até o Brasil. Em um quadro anexo havia a informação de que eles entram pelo Acre e depois viajam para grandes cidades, sobretudo São Paulo e Rio. Segundo a notícia da PF, mais de cem haitianos haviam sido encontrados no Estado do Norte - e não eram pessoas pobres, mas trabalhadores qualificados que fugiram por não encontrar emprego em seu país.

Outro texto, extraído do site do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), falava da vinda de bolivianos para o Brasil. Ele levava o título "Rota da costura", mas não mencionava que parte desses imigrantes vem para São Paulo trabalhar em condições similares à escravidão na indústria de confecções.

No enunciado da redação, a prova dava informações sobre o processo imigratório nos séculos 19 e 20. Citava a importância dos estrangeiros para a nossa economia, especialmente após a chegada de trabalhadores qualificados para as plantações de café. Por fim, apresentava o tema da dissertação.

“Este é um tema importante, mas que certamente não estava entre os mais cotados entre os professores”, disse Tiago de Souza Fernandes, docente de português do CPV, antes da divulgação da coletânea de textos da prova. Segundo ele, o material ajuda a compreender o viés exigido pela avaliação. “Normalmente, a coletânea apresentada já orienta o aluno no caminho que ele deve seguir.” Ainda assim, Fernandes afirmou que conhecer a questão dos refugiados haitianos no Brasil, por exemplo, poderia ter ajudado os candidatos no desenvolvimento da dissertação.

Também antes de conhecer o material de apoio, Evaldo Valente Guimarães, professor de geografia do CPV, disse que a imigração boliviana poderia ser incluída nos textos da coletânea. “A Bolívia é um país vizinho, pobre, e que tem oferecido cada vez menos estabilidade e oportunidades à sua população”, afirma. “Medidas que o presidente Evo Morales tem tomado têm afugentados cada vez mais os investidores estrangeiros, o que dificulta ainda mais o crescimento do país. Não é à toa que temos uma forte presença dessa população em Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.”

Antes da prova

A maioria dos candidatos ouvidos pela reportagem do Estado em São Paulo e em Fortaleza antes do início das provas apostava em meio ambiente ou política como temas prováveis da redação. A segunda etapa do exame começou às 13h, horário de Brasília, e termina às 17h30.

"Com certeza vai ser alguma coisa de meio ambiente ou política" afirmou Felipe Santos, de 15 anos, em frente ao câmpus da Uninove na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. O cearense Carlos Abreu dos Santos, de 22, deu o mesmo palpite. "Como estes temas não caíram nas provas de ontem, acredito que um deles seja o da redação", disse o aluno antes de entrar no Colégio Santo Inácio, na Aldeota, área nobre de Fortaleza.

O estudante Felipe Benício, de 20, acreditava que a prova abordaria política em razão do noticiário atual e do julgamento do mensalão. “Antes estava pensando que cairia algo relacionado a informática, mas acho que vai ser alguma coisa da política”, afirmou Felipe, na Uninove. Em Fortaleza, Clarissa de Sousa, de 17, também fez a mesma aposta. "Acredito que o tema será o mensalão, pela repercussão que o caso está tendo na mídia."

As questões ambientais também ocupavam lugar de destaque nos palpites dos candidatos. Especialmente em função da Rio+20, conferência sobre sustentabilidade da ONU realizada no Brasil no primeiro semestre, e do novo Código Florestal. "É um assunto que está em discussão, principalmente pela questão da sustentabilidade do nosso planeta", destacou o cearense Pedro José Silva, de 23.

No câmpus da Unip no Paraíso, zona sul da capital paulista, um grupo de aproximadamente dez estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) de Sapopemba discutia o Código Florestal antes da prova. Com apostilas nas mãos, eles debatiam argumentos apresentados por ambientalistas e ruralistas sobre a reforma da lei. Tinham certeza de que meio ambiente será o tema da redação, também por conta da Rio+20.

Redes sociais

O Estadão.edu perguntou aos seguidores no Twitter e no Facebook em quais temas eles apostavam para a prova de redação do Enem. Meio ambiente e política também tiveram destaque nas respostas. Mas também apareceram sugestões como Primavera Árabe (@Pefernandes2), o esporte na construção da cidadania (@itshenr) e a influência das eleições presidenciais americanas no resto do mundo (@Cesares_J).

Pelo Facebook, Ronan Gonçalves, professor da Escola Estadual Conde do Parnaíba, de Jundiaí (SP), apostou em redes sociais e eleições, por exemplo. "Ficou demonstrado como as redes sociais permitem um novo tipo de militância e, basicamente, acabam com o sigilo do voto", disse. "Acho que jamais será mensalão. Basta ver o histórico de temas do Enem: sempre temas sociais, de compromisso social, participação da sociedade. Outra, o PT está no governo e não iria colocar um tema que fosse de crítica ao PT."

* Atualizada às 15h45





Tópicos: Enem, Redação

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