Na Índia, o pânico se espalha mais depressa que a gripe
Doença já faz o preço das máscarcas cirúrgicas disparar e atrai mais atenção que a tuberculose
As ruas da cidade de Pune, no oeste da Índia, estão quase vazias, as escolas e Mumbai receberam ordem de fechar e pessoas com sintomas ambíguos invadem os hospitais do país, enquanto a Índia tenta conter duas epidemias: a de gripe e a do pânico da gripe.
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Vinte e uma pessoas morreram da doença neste país, informou o governo nesta sexta-feira, 14, e 1.390 tiveram a infecção pelo vírus A(H1N1) confirmada, numa nação de 1,2 bilhão de habitantes. Mas o medo da doença espalha-se mais depressa que o vírus.
"O tanto de frenesi ou histeria é totalmente desproporcional à realidade da doença", disse o chefe do escritório local de doenças contagiosas da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jai Narain.
Noticiários de tirar o fôlego sobre gripe suína têm dominado os canais de notícias 24 horas da Índia, desesperados por assunto em meio à calmaria de agosto. Isso ajudou a levar a população ao frenesi, mesmo em cidades com poucos casos da doença.
Em Nova Délhi, onde nenhuma morte foi informada, as pessoas passaram a usar máscaras cirúrgicas na rua.
Em Lucknow, pais estão exigindo que seus filhos façam exames para detectar o vírus.
"Mais de mil pessoas fizeram fila em diferentes hospitais... Onze delas deram positivo", disse o médico R.R. Bharati, que é uma importante autoridades sanitária de Lucknow.
Em Mumbai, capital financeira do país, o governo fechou todas as escolas e cinemas, desferindo um golpe na indústria cinematográfica de Bollywood bem no feriado do Dia da Independência.
A cidade de Pune é a mais afetada, com 13 mortes. Lá, as ruas estão quase vazias, o público passou a evitar os shopping centers e muitos trabalhadores pararam de comparecer ao trabalho.
Muitos dos que saem às ruas usam máscaras cirúrgicas, a despeito de uma escassez que levou o preço do artigo de 5 rupias (R$ 0,20) a 150 rupias (R$ 6).
A gripe já atrai muito mais atenção que os inúmeros problemas de saúde da Índia, incluindo a tuberculose, que segundo a OMS mata quase mil indianos ao dia.
Em Pune, mais de 11.000 pessoas fizeram fila para passar por exames na quinta-feira, 13, e 73 deram positivo, disse um funcionário municipal, Mahesh Zagade.
"Acho que estamos sofrendo de um distúrbio psicológico. Ficamos perguntando uns aos outros se nos sentimos enjoados, com frio, se temos dores pelo corpo, febre ou falta de ar", disse um homem de 25 anos que aguardava seu exame em Pune e que se identificou como Aditya.
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