Nova encíclica de Bento XVI critica ateísmo e pede esperança
Papa afirma que ideologias como o marxismo geram crueldade e diz que a salvação vem da fé, não da ciência
O papa Bento XVI divulgou nesta sexta-feira, 30, uma nova encíclica, na qual aponta o ateísmo como motivo de algumas das "maiores formas de crueldade e violação da justiça" na história. Na segunda encíclica de seu pontificado, Bento XVI conclama os católicos a depositarem suas esperanças em Deus, e não na tecnologia, no dinheiro e nas ideologias, que podem ser ilusórias. Leia a íntegra da encíclica Spe Salvi ("Na esperança somos salvos", citação de São Paulo que abre o texto) faz, em 75 páginas, um "tour de force" teológico e sociológico, em estilo altamente acadêmico e professoral, repleto de citações de santos, filósofos e escritores. A encíclica diz que o ateísmo poderia ser visto por alguns como "um tipo de moralismo", particularmente nos séculos 19 e 20, em resposta às injustiças do mundo. "Um mundo marcado por tantas injustiças, sofrimento de inocentes e cinismo do poder não pode ser a obra de um Deus bom. Um Deus com responsabilidade por tal mundo não seria um Deus justo, muito menos um Deus bom", escreveu o papa, citando os argumentos dos ateus. Mas, segundo ele, a história provou os erros de ideologias como o marxismo, segundo as quais as pessoas têm de estabelecer a Justiça social porque Deus não existe. "Não é um acidente que esta idéia tenha levado às maiores formas de crueldade e violações da justiça", disse o papa, acrescentando que tal conceito se baseia em uma "falsidade intrínseca". O marxismo, de acordo com o papa, deixou para trás "uma trilha de assustadora destruição", porque não percebeu que o homem não poderia ser "meramente o produto das condições econômicas". As encíclicas são a forma mais elevada de manifestação papal, dirigidas a todos os membros da Igreja. Nesta especificamente, Bento XVI pede aos cristãos que depositem em Deus a esperança de um futuro melhor. "Todos já testemunhamos a forma como o progresso, nas mãos erradas, pode se tornar e de fato se tornou um aterrorizante progresso no mal. Se o progresso técnico não é acompanhado pelo correspondente progresso na formação ética do homem, no crescimento interior do homem, então não é progresso nenhum, e sim uma ameaça ao homem e ao mundo." "Coloquemos isso de forma simples: o homem precisa de Deus, do contrário permanece sem esperança", afirma o papa, eleito em 2005. Há rumores de que Bento XVI já prepara uma terceira encíclica, sobre a justiça social, a ser divulgada em 2008.
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