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Oito empresas geram 63% do CO2 da indústria paulista

A Cosipa, no topo da lista, é responsável pela emissão de 6,35 milhões de toneladas do gás do efeito estufa

23 de abril de 2008 | 17h 18
Emilio SantAnna, de O Estado de S. Paulo, e Cláudia Fontoura, da Reuters - REUTERS

Oito empresas respondem por 63% de toda a emissão de CO2 das indústrias paulistas. Elas emitem 18 milhões dos mais de 29 milhões de toneladas por ano do principal gás responsável pelo efeito estufa . No topo da lista está a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), responsável por 6,357 milhões de toneladas do gás lançado na atmosfera, em 2006.       Veja o relatório completo, com ranking das empresas

  A empresa de Cubatão é seguida por três refinarias da Petrobras e uma petroquímica de Santo André.   Completam o ranking das oito primeiras, a Companhia Brasileira do Alumínio, a Votorantim Cimentos Brasil e a Rhodia, indústria química - todas no interior do Estado.    Os três principais setores indústrias responsáveis pelas emissões são as indústrias petroquímicas, as siderúrgicas, as indústrias de transformação e as de minerais não metálicos.    O levantamento foi apresentado pelo secretário Francisco Graziano Neto, durante reunião do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), na sede da secretaria em São Paulo.   As refinarias Replan, Revap e RPBC, do grupo Petrobras, aparecem imediatamente atrás da Cosipa na lista. A Replan, que produz diversos derivados do petróleo, emite, segundo dados da secretaria, 3,12 milhões toneladas de CO2 por ano.

A Petroquímica União (PqU) é a quinta colocada com 1,46 milhão de toneladas do gás por ano.

Em nota divulgada no final da tarde, a Cosipa afirmou que "mundialmente, o processo siderúrgico gera emissão de CO2 e as indústrias vêm trabalhando para otimizar a sua matriz energética". A Cosipa disse ainda que "tem atuado pró-ativamente no controle e redução das emissões" e que investiu 336 milhões de dólares, nos últimos dez anos, em gestão e equipamentos de controle ambiental.

A Petrobras afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, "que a empresa ainda não tomou conhecimento de todas as informações contidas no relatório e vai se pronunciar assim que possível". E a PqU não quis se pronunciar imediatamente.

Para realização do levantamento foram selecionadas 371 empresas com maior potencial de emissão do gás. Destas 329 responderam voluntariamente a uma avaliação aplicada pela secretaria a partir de critérios do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC), considerando o consumo de combustível e a produção industrial informados pela empresa.

A proposta de realização do inventário surgiu por sugestão do ex-secretário de Meio Ambiente, José Goldemberg. "A lista não é um instrumento de punição, mas dá condições de engajar a Cetesb em negociações com esses emissores para acordos voluntários", disse Goldemberg nesta manhã.

Nelson Reis, representante da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), declarou que o setor tem sido proativo na questão das mudanças climáticas.

"O fornecimento voluntário das informações é uma mostra da transparência que a indústria trata do tema", disse.

Segundo Graziano, o investimento em eficiência energética e em novos processos de tecnologia de produção são caminhos que as indústrias deverão começar a seguir para reduzir as emissões.

"Imagino que no setor empresarial, ninguém mais duvida de que essa é a agenda", disse. "Na competição global, é fazer ou fazer. Na Europa, o consumidor já escolhe o carro considerando a emissão de CO2."

O CO2, muito confundido com o CO (monóxido de carbono), não é considerado um poluente. Seus efeitos estão relacionados ao aquecimento global. A indústria é responsável por um terço da emissão do gás. Os outros dois terços têm origem em setores como comércio, transporte, energia, em aterros sanitários e domicílios.

Segundo Marcelo Minelli, diretor de engenharia, tecnologia e qualidade ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, está sendo produzido um levantamento para identificar os maiores emissores nos outros setores, que deve levar de dez a 12 meses para ser concluído.




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