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Papa diz que papel da Igreja na política é para 'o bem de todos'

Para Bento XVI, no entanto, a intenção não pode e não deve ser tomar o lugar das instituições seculares

14 de junho de 2008 | 16h 20
Robin Pomeroy - Reuters

A Igreja Católica tem um papel vital em formar políticas sociais, mas não quer usurpar as autoridades seculares, disse neste sábado o papa Bento XVI.

Em uma homilia para romeiros no sul da Itália, o papa disse que o papel da Igreja dentro da política - na qual ela freqüentemente se pronuncia contra o aborto, o casamento gay e as pesquisas com células embrionárias - não tem como objetivo tomar o lugar das formas de governo seculares do Ocidente.

"A comunidade cristã não pode e não quer nunca substituir as legítimas e corretas competências das instituições", afirmou o papa a peregrinos no início de uma visita de dois dias a uma das regiões mais pobres da Itália.

Ele discursou durante uma missa a céu aberto em um despenhadeiro de cem metros sobre o Mar Mediterrâneo, em um dos pontos mais meridionais da Itália continental.

Um dia pós passear pelos Jardins do Vaticano com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, com quem se alinha em muitos assuntos morais, o papa disse que a Igreja tinha o papel de "apoiar (os governos) em seu trabalho e sempre propor cooperar com eles para o bem de todos".

A Igreja freqüentemente é criticada por políticos de esquerda da Itália, da Espanha e de outros países predominantemente católicos, que a acusam de interferir em assuntos internos.

Após a eleição de um novo governo conservador em abril, o ex-chanceler italiano Massimo D'Alema alertou a Igreja sobre sucumbir "à tentação demoníaca de procurar o poder" por moldar um pacto com o novo primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.

O papa Bento XVI afirmou que o papel da Igreja em influenciar a política era especialmente importante em uma sociedade onde o individualismo está acima do bem comum.

"O bem vence. E se, às vezes, ele parece ser derrotado por intimidações e espertezas, na realidade continua operando em silêncio e com discrição, trazendo frutos a longo prazo", afirmou o papa a cerca de 5.000 pessoas que se espremiam em uma pequena praça.