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Papa recebeu versão alterada de documento de bispos latinos

Religiosos e teólogos pedem o restabelecimento do original; cardeal chileno pede que se esqueça a polêmica

15 de agosto de 2007 | 16h 09
José Maria Mayrink - Estadão

O documento votado pela 5.ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em maio, foi alterado pela presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), antes de ter sido entregue ao papa, no dia 11 de junho.

 

Veja também:

 

 Destaques das alterações

 

 Texto alterado, que foi ao Vaticano

 

 Texto original, aprovado em Aparecida

 

As mudanças mais relevantes referem-se às Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), núcleos de fiéis ligados à Teologia da Libertação com grande atuação pastoral e ideológica no continente nos últimos 40 anos.

 

O texto divulgado pelo Vaticano, com a

aprovação de Bento XVI, contém mais de 200 emendas feitas pelo cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa e pelo bispo argentino Andrés

Stanovnik, respectivamente presidente e secretário-geral do Celam na época.

 

"Não sei quem alterou o texto, mas quero saber, pois não é a primeira vez que isso ocorre", protesta o cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil.

 

"Eu pensei que estava levando o original", declarou ao Estado, garantindo que, pelo que foi informado, as mudanças não foram de iniciativa de Roma, "pois o papa respeitaria o que os bispos decidiram".

 

O cardeal brasileiro defende o restabelecimento da versão votada em Aparecida.

 

Abaixo-assinados e manifestos de teólogos e

religiosos que denunciaram a alteração do texto exigem a volta da versão de Aparecida.

 

Em resposta às reclamações, o cardeal Errázuriz,

arcebispo de Santiago, escreveu uma carta-circular, na qual sugere que não se fale mais do

assunto.

 

"Seguramente, daríamos uma grande alegria ao demônio, se nos ocupássemos tanto das mudanças que ocorreram no texto final, de modo

que o mal-estar conseguisse eclipsar a maravilhosa experiência de Aparecida e suas grandes orientações pastorais", adverte Errázuriz.

 

Leia reportagem completa na edição desta quinta-feira de O Estado de S. Paulo.