Papa se reúne com grupo de vítimas de padres pedófilos
o grupo foi levado ao papa pelo atual arcebispo de Boston, cardeal Sean O'Malley
O papa Bento XVI teve uma reunião com um grupo de pessoas que sofreram abusos sexuais nas mãos de padres católicos, informa o Vaticano. Esse encontro não constava da agenda da visita do papa aos EUA.
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Uma nota do Vaticano diz que o grupo foi levado ao papa pelo atual arcebispo de Boston, cardeal Sean O'Malley.
O escândalo de de abusos sexuais cometidos por padres nos EUA estourou em Boston e foi agravado pela descoberta de que o então responsável pela arquidiocese, cardeal Bernard Law, havia transferido um padre acusado de pedofilia entre paróquias, em vez de afastá-lo ou puni-lo. Sob forte pressão de fiéis e demais sacredotes da arquidiocese, Law renunciou em 2002, e foi transferido para um posto no Vaticano. Ele tomou parte no conclave que elegeu Joseph Ratziger sucessor de João Paulo II.
Bento XVI já havia dito a bispos dos EUA que a crise dos abusos sexuais havia sido "às vezes, muito mal administrada", e disse que era preciso estender amor e compaixão às vítimas.
Milhares de padres já foram acusados de molestar menores de idade nos EUA desde 1950, e a Igreja Católica já pagou mais de US$ 2 bilhões em indenizações, a maior parte nos últimos seis anos, quando o caso do molestador em série em Boston ganhou fama nacional, levando muitas vítimas silenciosas a se apresentarem.
Uma das vítimas, Greg Bergeson, que não conseguiu ser recebido por João Paulo II no Vaticano, anos atrás, referiu-se ao encontro desta quinta-feira como "um passo há muito adiado no caminho certo".
"A Igreja Católica baseia-se, em parte, em simbolismo, e creio que o simbolismo de ele não ter se reunido com as vítimas teria sido horrendo", declarou.
"Eles oraram com o Santo Padre, que em seguida ouviu seus relatos pessoais e lhes ofereceu palavras de encorajamento e esperança", diz a nota do Vaticano sobre a reunião. O papa disse que rezaria pelas vítimas dos abusos e por suas famílias.
Durante missa realizada mais cedo, em Washington, o papa havia dito aos mais de 45 mil fiéis que lotaram um estádio de beisebol que "nenhuma palavra minha poderia descrever a dor e o dano provocados por tamanho abuso".
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