Pelo direito de não ter de vestir roupas iguais

Sindicato dos Gêmeos defende que irmãos idênticos devem ser estimulados a preservar a sua individualidade

Clarissa Thomé e Sara Duarte, especial para O Estado,

24 Dezembro 2011 | 20h14

Gêmeos de todo o País já têm a quem recorrer para fazer valer seu direito à individualidade. No dia 11 de novembro foi criado o Sindicato dos Gêmeos, uma espécie de associação sem fins lucrativos, que reúne duplas de irmãos das mais diversas profissões e idades.

 

O pai da ideia é o neurologista carioca Alexandre Ghelman, irmão gêmeo do pediatra antroposófico Ricardo Ghelman. Nascidos em junho de 1963, eles colecionam histórias engraçadas sobre gêmeos. "Na época em que a mamãe engravidou, ainda não existiam bebê de proveta, exame de ultrassom nem essa história de o marido acompanhar a mulher nos exames do pré-natal", conta Alexandre. "No berçário, ao ver que ela havia tido dois bebês, o papai desmaiou."

 

Há alguns meses, os irmãos Ghelman procuraram os cartunistas gêmeos Paulo e Chico Caruso com a ideia de fundar uma associação. A dupla topou e até ajudou a elaborar o Estatuto dos Gêmeos. Segundo tal documento, os gêmeos têm direito à individualidade. Portanto, não devem ser obrigados a usar roupas iguais, estudar na mesma turma do colégio nem ganhar o mesmo presente que o irmão.

 

Desde o nascimento, os gêmeos precisam exercitar a tolerância. "Quer coisa mais incômoda que dividir com alguém a atenção dos pais, o quarto e a festa de aniversário?", brinca Alexandre. "Em uma sociedade onde as pessoas são observadas e avaliadas o tempo todo, eles enfrentam todo tipo de comparação e brincadeiras infames dos colegas de escola."

 

Um mês após a criação, o site sindicatodosgemeos.com.br já tem 500 cadastrados.

 
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