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Pesquisadores da UFF usam planta medicinal contra veneno da surucucu

Pesquisa mostra que barbatimão neutraliza veneno da cobra; descoberta pode gerar antídoto 50% mais barato

20 de julho de 2010 | 10h 59
Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Uma pesquisa apresentada na manhã desta terça-feira, 20, pela Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou que o barbatimão, uma planta medicinal da biodiversidade brasileira, pode neutralizar o veneno da cobra surucucu. A descoberta dessa propriedade pode significar um antídoto quase 50% mais barato do que o soro antiofídico usado atualmente.

De acordo com o orientador do estudo, o biomédico e professor do Instituto de Biologia da UFF André Lopes Fuly, a surucucu “é uma serpente que, apesar de registrar pequeno número de acidentes no Brasil (2% do total de mais de 49 mil casos ocorridos entre 2001 e 2006, segundo o Ministério da Saúde), quando comparada com jararaca, responsável por 90% dos ataques, o índice de letalidade é bastante expressivo, três vezes maior que o da jararaca”.

Fuly destacou ainda que o baixo número de acidentes também compromete a produção do soro para o veneno da surucucu. De acordo com o biomédico, a escassez de pesquisas é apenas um dos aspectos que justificam a busca por alternativas antiofídicas.

“O soro é produzido por três laboratórios públicos no Brasil (Instituto Vital Brazil, em Niterói; Instituto Butantan, em São Paulo; e Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte) e tem vantagens e desvantagens, como qualquer outro tratamento.

A vantagem é que, apesar do índice elevado de acidentes com cobras, o número de óbitos é baixo. Mas as desvantagens são importantes, como as reações alérgicas dos pacientes - de 30% a 40% dos casos -, que podem evoluir para o óbito; o processo de produção e logística de transportes é caro; e o soro ainda não reverte os efeitos do veneno com 100% de eficácia”, explicou Fuly.

A tese desenvolvida pelo pesquisador Rafael Cisne de Paula, sob orientação do biomédico, revelou também que o barbatimão, já reconhecido pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) como medicamento fitoterápico, com propriedades cicatrizantes e antidiarreicas, é eficiente na inibição do veneno da surucucu, mesmo depois de submetida ao aquecimento de 80 graus Celsius.

“Dez gramas da planta podem ser compradas na internet por R$ 10. Dez gramas é uma quantidade razoável para fazer o chá e guardar, já que a bebida não requer tantos cuidados de armazenamento como o soro. Isso já reduz muito o custo da logística e da produção”, explicou o orientador Fuly.




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