Presidente-executivo da BP deixa cargo em outubro
Tony Hayward deve assumir posição na diretoria da petrolífera russa TNK-BP
O presidente-executivo da British Petroleum, Tony Hayward, deixará o cargo em outubro, segundo informações obtidas pela BBC.
Hayward foi extremamente criticado pelo vazamento de óleo no Golfo do México depois da explosão da plataforma Deepwater Horizon em abril passado, e deve assumir cargo na diretoria da petrolífera russa TNK-BP, na qual a multinacional britânica tem 50% de participação.
O editor de negócios da BBC, Robert Peston, afirmou que é provável que ele seja substituído pelo norte americano Bob Dudley, que atualmente comanda a operação de limpeza da mancha.
Segundo Peston, a BP se prepara para uma mudança na direção há algum tempo, mas a empresa esperava alcançar algum progresso na contenção do vazamento e até que fosse possível quantificar os prejuízos do desastre.
A BP deve divulgar seus resultados para o segundo trimestre na terça-feira (27).
A expectativa é de que a empresa anuncie um fundo de até US$ 30 bilhões (cerca de R$ 53 bilhões) para cobrir os custos da contenção do vazamento, pagamento de indenizações e multas, que devem resultar em prejuízos enormes no período.
História
Hayward trabalha na BP há 28 anos.
Ele também foi criticado por congressistas americanos por não assumir a responsabildiade pela explosão da plataforma no Golfo do México, que causou a morte de 11 pessoas.
Os congresistas não se impressionaram com as respostas de Hayward durante uma sabatina no Comitê de Energia e Comércio do Congresso, no mês passado.
Na ocasião, Hayward foi acusado de não responder as perguntas "e chutar a lata (da responsabilidade) rua abaixo".
Desde o vazamento, o presidente-executivo da BP já havia sido criticado por dizer que "só queria sua vida de volta", e que o Golfo é um "grande oceano".
Ele também foi criticado por comparecer a um evento de velejadores em junho passado quando, segundo a Casa Branca, entre outros, deveria estar cuidando do vazamento.
Muitos afirmam que, do ponto de vista de relações públicas, o provável substituto de Hayward, Bob Dudley, tem a vantagem de ser americano e falar com sotaque americano.
Ele cresceu no Mississipi e, segundo a BP, "tem profunda apreciação e afinidade com a costa do Golfo".
Dudley trabalha na BP desde 1999, depois da fusão da empresa com a companhia americana Amoco, e entrou para a diretoria em abril de 2009.
Richard Pike, presidente executivo da Royal Society of Chemistry, da Grã-Bretanha, afirmou que a percepção é a chave por trás da mudança.
"Se os seus principais acionistas têm a impressão de que há um grande problema aqui, isso está acima do que o presidente-executivo ou a diretoria possam ter feito", diz ele.
"De várias maneiras, a mudança do presidente-executivo é tanto prática como simbólica; tudo depende de reputação."
"A BP espera que os próximos dias marquem o início de um novo começo da empresa", acrescentou.
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