Programa federal de apoio a engenheiros atrasa e Capes culpa ‘bolas nas costas’
'Pró-Engenharia' prevê investimento de R$ 1,3 bi para duplicar quantidade de profissionais
Criado em 2011 por uma comissão formada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação, o Pró-Engenharia, projeto que prevê investimento de R$ 1,3 bilhão em cinco anos para duplicar para 104 mil o número anual de engenheiros e tecnólogos formados, está parado. Espera o aval de dois novos ministros, Aloizio Mercadante (Educação) e Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia). “Ele já poderia ter deslanchado, mas tomamos duas bolas nas costas”, reclama o presidente da Capes, Jorge Guimarães.
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O fogo amigo, de alguma forma, ofuscou o senso de urgência do Pró-Engenharia, cuja premissa é a de que acelerar a formação no setor é estratégica para combinar desenvolvimento com inovação no Brasil. “A primeira foi um documento do Ipea dizendo que o País não precisa de engenheiro, que já tem muitos nos bancos. Isso foi numa época em que a Engenharia não tinha demanda. Faz tempo que mudou tudo”, diz Guimarães. “A segunda foi dos reitores de universidades federais, que soltaram um documento mostrando aumento de 12% nas matrículas de Engenharia. Se não atacar a evasão, pode aumentar 300% que não resolve.” O Pró-Engenharia prevê a concessão de bolsas para reduzir a evasão média no País de astronômicos 55% para 25%.
Guimarães endossa a crítica do ex-reitor da USP Roberto Lobo à especialização precoce e diz que a Capes está tratando paralelamente da mudança curricular. “Estamos buscando modelos no exterior, mas já há iniciativas aqui.” Ele cita cursos de graduação concebidos pelo próprio Lobo, para o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, e pelo Insper. O primeiro já teve o aval pedido ao MEC; o Insper pretende lançar o curso em 2015.
A graduação proposta por Lobo tem uma área básica forte, seguida de uma visão geral sobre grandes áreas. “No 4.º e 5.º anos o aluno vai se especializar um pouco no que quiser e ganhar visão do mercado. Vai estudar microeconomia, macroeconomia, planejamento estratégico, gestão. Tem muita gente que defende isso, mas é difícil mudar as escolas tradicionais”, diz.”
Inovação. Uma das referências usadas por Lobo é o Olin College, de Boston (EUA). Criado com uma dotação privada de US$ 400 milhões, o Olin é jovem (abriu as portas em 2002), enxuto (60 professores e 500 alunos) e tem uma meta clara: formar engenheiros de inovação.
O Insper já amarrou uma parceria com o Olin para criar uma graduação que alie engenharia e empreendedorismo. “Quando você pensa o curso todo com a metodologia baseada em projeto, como o Olin, consegue ensinar melhor o conteúdo técnico e desenvolver habilidades interpessoais que o mercado exige”, diz o diretor de Novos Negócios do Insper, Irineu Gianesi. “Precisamos de gente que olhe o mercado, entenda necessidades. Que conceba uma solução e consiga ‘engenheirá-la’, com a técnica. E, depois, verifique se ela é viável economicamente.”
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