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Publicação de 'A Origem das Espécies' completa 150 anos

Estudo de Charles Darwin provocou uma revolução na ciência, mas ainda há muitas dúvidas sobre nossa origem

24 de novembro de 2009 | 9h 26
Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo

A evolução da ciência, desde a publicação da primeira edição de 'A Origem das Espécies' há exatos 150 anos atrás, permitiu comprovar e detalhar muitas das teorias propostas por Charles Darwin, mas ainda não conseguiu elucidar uma das questões mais inquietantes que derivam de sua obra: O que nos faz humanos? Se homens e chimpanzés pertencem a uma mesma família, como podem ser tão diferentes?

Foto da capa da primeira edição de 'A Origem das Espécies', do naturalista Charles Darwin - Christies's/EFE
Christies's/EFE
Foto da capa da primeira edição de 'A Origem das Espécies', do naturalista Charles Darwin

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Parte da resposta é que não somos tão diferentes assim. Pesquisas genéticas realizadas nos últimos anos revelam que humanos e chimpanzés são ainda mais próximos do que Darwin poderia imaginar. Quando os genomas das duas espécies são colocados lado a lado, a sequência das letras de seu DNA é praticamente idêntica: quase 99% de semelhança.

Se o genoma é uma receita de bolo e os genes, seus ingredientes, a diferença entre homem e macaco pode não ser mais do que uma cereja evolutiva. Nem ratos e camundongos são tão parecidos (91% de similaridade). É a prova de que Darwin, mesmo sem saber nada de genética - porque não existia genética na sua época-, estava certo em pendurar o homem na árvore genealógica dos primatas.

Ao mesmo tempo que ajudam a responder, porém, as informações genômicas acrescentam um novo grau de complexidade à questão. Se homens e chimpanzés são quase idênticos "por dentro", geneticamente, como podem ser tão diferentes "por fora", em sua anatomia, comportamento e capacidade cognitiva? O que há de tão especial no 1% que diferencia as duas espécies? Quais foram as mutações essenciais que permitiram ao Homo sapiens desenvolver a destreza e a inteligência necessárias para construir cidades, escrever livros e questionar sua própria evolução?

A resposta completa parece estar pulverizada pelo genoma. A maioria dos cientistas já desistiu de encontrar um ou dois genes "mágicos" da natureza humana - algo como um "gene da inteligência" ou um "gene do bipedalismo". Todos os indícios são de que as características fundamentais da espécie humana - assim como as de outras espécies - decorrem não de um pequeno conjunto de grandes mutações, mas de um grande conjunto de pequenas mutações acumuladas ao longo dos últimos 6 milhões de anos, desde que as linhagens de seres humanos e chimpanzés divergiram de seu ancestral comum.

"São pequenas diferença no genótipo que se somam para fazer uma grande diferença no fenótipo", resume o pesquisador Tarjei Mikkelsen, do Instituto Broad, em Massachusetts (EUA), primeiro autor do trabalho que sequenciou o genoma do chimpanzé, em 2005.

"Essa relação de um para um, em que um gene equivale a uma característica, é muito rara", diz o cientista Sandro de Souza, chefe do Grupo de Biologia Computacional do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo. A maioria das características, diz ele, tem caráter poligênico - ou seja, resulta da atividade de vários genes.

"A evolução é um processo contínuo, gradual e cumulativo", completa o biólogo Diogo Meyer, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. "Não viramos seres humanos da noite para o dia; estamos fazendo isso há vários milhões de anos."

Exposição "Darwin: Evolução para Todos"

Data: 11 de novembro de 2009 a 28 de fevereiro de 2010

Local: Museu de Zoologia da USP (Av. Nazaré, 481, Ipiranga, São Paulo/SP)

Ingresso: R$ 4,00

Informações: Tel - (11) 2065-8100 / e-mail - mz@edu.usp.br




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