'Recessão provocou forte redução de emissões', diz FT
Redução de CO2 teve declínio maior que o da recessão de 1981, que antecedeu crise da Opep, diz jornal

A recessão mundial provocou uma queda "sem paralelos" nas emissões de dióxido de carbono (CO2) no mundo, de acordo com reportagem publicada no jornal britânico Financial Times nesta segunda-feira.
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O diário econômico teve acesso a um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE), que só deve ser divulgado no dia 6 de outubro, em Bangcoc, no início da última rodada de negociações para um acordo sobre o clima, antes da reunião de Copenhague, em dezembro.
Segundo o FT, a agência internacional constatou que a redução de emissões de CO2 teve um "declínio significativo", maior do que o da recessão de 1981, que antecedeu a crise da Opep. Segundo a agência, isso abriria uma "oportunidade única" para uma guinada rumo a uma economia de baixas emissões.
O estudo também confirmaria, segundo o jornal britânico, os resultados de políticas governamentais para cortar as emissões. A AIE estima, segundo o FT, que cerca de um quarto da queda registrada se deva a isso.
A proporção é "sem precedentes", de acordo com o relatório, que será incluído na publicação anual World Energy Outlook em novembro.
'Surpreendente'
Entre as políticas que fizeram efeito, a agência deve destacar três: a meta da União Europeia de corte de emissões em 20% até 2020, os limites mais rígidos para emissões de carros nos Estados Unidos e as medidas de estímulo à eficiência energética na China.
O Financial Times afirma que o economista-chefe da AIE, Fatih Birol, classificou a queda de "surpreendente" e disse que o fenômeno "facilitaria muito" os cortes de emissões recomendados por cientistas para evitar as piores consequências do aquecimento global.
O Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) recomendou em seu relatório de 2007 que países desenvolvidos cortassem entre 80% e 95% de suas emissões até 2050, para evitar mudanças climáticas "desastrosas".
"Temos uma nova situação, com as mudanças na demanda de energia e o adiamento de muitos investimentos em energia", afirmou Birol ao FT.
"Isso só tem sentido se aproveitarmos essa oportunidade única. (Isso significa) um acordo em Copenhague."
Nesta semana, governantes das maiores economias do mundo vão se reunir na sede das Nações Unidas, nos Estados Unidos, para discutir mudanças climáticas.
O jornal britânico lembra ainda que, na semana passada, um grupo de 181 investidores, que detêm cerca de US$ 13 bilhões, fizeram um apelo por um acordo que leve a um corte drástico de emissões.
Nesta terça-feira, um grupo de 500 empresas, entre elas gigantes como a Coca-Cola e a Procter & Gamble, também devem lançar um manifesto neste sentido.
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