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‘Respeitar não significa aprovar’, diz d. Damasceno

Para o presidente da CNBB, no entanto, é prudente não interpretar as declarações da presidente Dilma

18 de março de 2013 | 22h 40
José Maria Mayrink e Jamil Chade

VATICANO - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal d. Raymundo Damasceno Assis, achou prudente não interpretar as declarações da presidente Dilma Rousseff quanto à esperar que o papa Francisco respeite as opções pessoais. "A Igreja aceita e respeita as opções pessoais neste mundo pluricultural, plurirreligioso e democrático em que vivemos, mas aceitar e respeitar não significa aprovar", disse o cardeal.

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"Como a presidente Dilma não deixou claro a que se referia, não foi explícita, é melhor não fazer ilações, porque podemos nos equivocar", completou.

Para Damasceno, o papa já deu provas de que aceita as diferenças religiosas, culturais e ideológicas, como ficou claro na audiência de sábado aos jornalistas, quando Francisco disse Que considerava todos filhos de Deus, embora nem todos fossem cristãos ou tivessem fé religiosa.

Na opinião de outro cardeal brasileiro que votou no conclave - dom João Braz Aviz, arcebispo de Brasília -, a eleição de Francisco mostrou um desejo por mudança. Mas, ressalva ele, essa renovação tem de respeitar os princípios da instituição. "A Igreja precisa ser fiel à tradição de transmitir o evangelho. Ela é a depositária da herança de Deus."

Logo, as declarações de Dilma precisam ser vistas nessa perspectiva. "Não há dúvidas de que diferentes opções terão de ser respeitadas e a Igreja precisa adotar uma postura de maior diálogo. Mas não podemos deixar de dar testemunha do que a Igreja acredita. Não podemos aceitar, por exemplo, a ideia de uma sociedade sem Deus", disse Aviz.

Para ele, a Igreja precisa responder à globalização e às novas tecnologias, que são, de fato, as grandes mudança dos tempos atuais. "Isso mexe com a Igreja e temos de nos confrontar com a questão. Temos de aprofundar a filosofia e muitas questões teológicas. Não basta mais a busca de Deus na dimensão apenas individual. Mas precisamos ver o lado social, comunitário."

Uma missão que, ao que parece, o novo papa está apto a comandar. "Ele tem uma postura baseada no concreto da vida, além de certezas espirituais muito grandes. Pelo menos é o que ele está demonstrando."

Polêmica. O cardeal também diminuiu o que a imprensa italiana havia falado sobre sua atuação no última dia das reuniões que antecederam o conclave. Segundo os diários, Aviz teria tomado a palavra nas reuniões para atacar a Cúria. "Houve um diálogo franco. Mas não daquela forma que foi descrita, agressiva. Houve muito debate. Mas sempre de forma respeitosa.




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