Revista 'The Economist' elogia a USP

'Quem dera mais instituições da região fossem como a USP', diz a respeitada revista britânica

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

06 Outubro 2011 | 19h28

A revista britânica The Economist elogia a USP na edição desta semana. Na reportagem, já disponível na internet, a publicação menciona os rankings da consultoria QS e da Times Higher Education, nos quais a universidade aparece como a melhor da América Latina.

Em muitas universidades públicas da região, diz a revista, "os estudantes não pagam nada, os funcionários são 'indemitíveis', e o currículo é antiquado e politizado".  Mas "a escalada da USP nos rankings foi auxiliada por um grande aumento no financiamento privado e na colaboração e reconhecimento internacionais (...) A USP está se tornando uma líder mundial em medicina tropical, parasitologia e biocombustíveis". Diz o subtítulo da reportagem: "quem dera mais instituições de ensino superior na região fossem parecidas com a Universidade de São Paulo".

Para a revista, nenhum país da América Latina resolveu de forma satisfatória o compartilhamento de custos entre estudantes e contribuintes, e o governo do Chile, onde uma greve de estudantes já dura cinco meses, sofre as consequências. Segundo especialistas ouvidos pela Economist, a administração das universidades latinas requer reformas. É preciso flexibilidade nas contratações, promoções e salários, em vez das regras rígidas em vigor. Mecanismos mais fortes de avaliação e uma assistência estudantil mais equânime também fariam grande diferença, dizem especialistas ouvidos pela revista.

Internacionalização

Para o coordenador de relações internacionais da Unicamp, Leandro Tessler, falta ao Brasil uma política de internacionalização das universidades. Defensor da ideia de que os estudantes brasileiros deveriam publicar seus trabalhos de conclusão de curso em inglês, Tessler lembra que, por causa da barreira do vestibular, é muito difícil atrair estrangeiros para cursar a graduação aqui.

"Além disso, também não oferecemos aulas em inglês" lembra Tessler, ao contrário de muitas universidades da Europa, por exemplo. "O inglês é o latim de hoje, a língua franca das universidades."

Dos cinco critérios do ranking da Times Higher Education, a influência das pesquisas, medida pelo número de vezes que elas são citadas por outros cientistas, é justamente o ponto mais fraco da USP: ela fica em 200.º lugar. O ensino é o ponto mais forte: nesse quesito, segundo o ranking, a USP é a 52.ª melhor do mundo.

Em nota à imprensa, a USP comenta sua posição nos rankings. O reitor, João Grandino Rodas, afirma que “a melhora significativa da USP em termos de posicionamento global e regional comprova que a grande maioria dos professores, funcionários técnico-administrativos e alunos está no caminho certo: preocupação crescente com  a qualidade do ensino, pesquisa e extensão dos serviços à comunidade; interdisciplinaridade; coesão; e ênfase na internacionalização”.

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