Siderúrgica que poluiu o ar no Rio pode ter multa agravada por não informar órgãos ambientais
Secretaria do Meio Ambiente faz levantamento nos postos de saúde para saber se poluição provocou demanda por atendimento médico
A secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro está preocupada com a emissão de poluentes provocada pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), instalada no bairro de Santa Cruz, zona oeste do Rio. O alto forno número 1 da empresa apresentou problemas na semana passada e acabou lançando na atmosfera partículas tóxicas, principalmente de óxido metálico, afetando os moradores vizinhos, que fizeram a denúncia ao órgão estadual.
A secretária do Ambiente, Marilene Ramos, esteve nesta sexta-feira na siderúrgica e informou que está fazendo um levantamento junto aos postos de saúde para saber se alguém chegou a procurar atendimento médico por causa da poluição. Após as denúncias, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) autuou a empresa por crime ambiental, no último dia 16.
A CSA, controlada pela ThyssenKrupp, da Alemanha, iniciou a fase de testes do alto forno no dia 13 de julho. Marilene Ramos reconheceu que nessa fase de testes é normal que ocorram ajustes na produção. Salientou, porém, que a empresa errou ao não comunicar os problemas imediatamente ao órgão licenciador do estado.
Segundo a secretária, essa “é uma situação inaceitável” e pode servir como agravante na fixação da multa aplicada à CSA, cujo valor será definido até o próximo dia 30 pelo Inea. A multa pode variar entre R$ 800 e R$ 2 milhões. O presidente do Inea, Luiz Firmino, afirmou que essa falha pode gerar novas exigências por parte da secretaria, com repercussão, inclusive, no licenciamento ambiental da CSA.
A empresa já vem adotando as medidas recomendadas pelo Inea, entre as quais a redução da produção de ferro-gusa de 7,5 mil toneladas diárias para 3,2 mil toneladas/dia. As medidas já conseguiram amenizar a presença de poluentes em suspensão, de acordo com testemunhos dados por moradores à secretária. Algumas pessoas se queixaram de ardência nos olhos em razão do pó emitido pela usina.
Marilene Ramos deixou claro, entretanto, que a solução definitiva do problema só ocorrerá quando a aciaria, onde o ferro-gusa é transformado em aço, entrar em funcionamento, daqui a 15 dias.
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