Supermães fundam associações de ajuda mútua

No Portal Múltiplos e no grupo Unidas pela Dor, mulheres que tiveram dificuldade de engravidar trocam experiências

Clarissa Thomé e Sara Duarte, especial para O Estado ,

24 Dezembro 2011 | 20h14

Junto com a alegria, a gravidez múltipla costuma trazer muita apreensão. Há nove anos, quando descobriu estar esperando três bebês, a empresária Majoy Antabi entrou em parafuso. "Na época, não havia onde buscar informações sobre o tema. Eu temia dar à luz antes da hora ou perder algum deles", conta.

 

Enquanto gestava Henry, Laila e Maia, a empresária criou um blog para trocar experiências com mães de gêmeos. Com o tempo, o projeto foi crescendo e se tornou o Portal Múltiplos, que mantém um cadastro de 6.890 supermães. Hoje, os trigêmeos de Majoy estão crescidos e ela teve até mais uma filha, Raica, concebida naturalmente.

 

Mas não abandona o projeto. Além de se encontrar com leitoras, mantém uma rede de apoio que distribui roupas, carrinhos e brinquedos usados para as mães de primeira viagem. "Quem vê gêmeos ativos e saudáveis não sabe o drama que a mãe deles passou nos primeiros meses", diz Majoy.

 

"Depois da angústia de vê-los lutando pela vida na UTI, vem o trabalho duro. São pelo menos 18 fraldas por dia, mais de 30 mamadas ou então latas de leite em pó especiais que custam no mínimo R$ 40. No primeiro ano, a maioria das mães não consegue fazer a unha nem ir a um restaurante, porque o dinheiro vai todo para os gastos com os bebês."

 

O pior é quando a gravidez múltipla apresenta complicações. Após oito tentativas de inseminação, a engenheira civil Odete Santos ficou grávida aos 48 anos. Mas a gestação foi dificílima. "Quando o médico falou que eu estava grávida de trigêmeos, senti a maior felicidade da minha vida", lembra. "Mas logo tive um sangramento, provocado pela perda de um dos bebês. No restante da gravidez, fiquei em repouso, tentando fazer tudo certo para não perder os outros." Quando a gestação completou sete meses, constatou-se que um dos bebês estava crescendo muito mais lentamente que o outro. Submetida a cesariana de emergência, Odete deu à luz um menino e uma menina.

 

A nenê, que pesava 480 gramas, morreu aos 20 dias. "Fiquei só com o Ricardo, que graças a Deus hoje é um menino forte de 5 anos", afirma. Com base em sua experiência, Odete ajudou a criar um grupo chamado Unidas Pela Dor. Suas integrantes se reúnem periodicamente para desabafar sobre o drama de não conseguir engravidar.

 
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