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Teste de DNA em refugiados causa polêmica no Reino Unido
Governo britânico usa exame genético para tentar descobrir se refugiados vêm mesmo dos países que alegam
O Reino Unido está usando testes genéticos em alguns africanos que chegam ao país em busca de asilo, num esforço para detectar os que mentem sobre sua nacionalidade. A medida atrai críticas de cientistas e revolta em grupos de defesa dos direitos humanos. A Agência de Fronteiras do país lançou o projeto piloto em setembro, frente à suspeita de que muitas pessoas que haviam requisitado asilo mentiam a respeito de seus países de origem. Um porta-voz da agência disse que o Reino Unido é o único país usando testes genéticos com essa finalidade. Especialistas, no entanto, dizem que os testes baseiam-se em princípios errôneos e que não há como avaliações genéticas fornecerem evidências significativas a respeito da nacionalidade de alguém. Preocupada com a possibilidade de fraude, a administração Bush, nos EUA, havia lançado um plano de testes de DNA em 2007, para a triagem de candidatos a um programa que permitia que parentes de refugiados africanos já residindo nos EUA também fossem ao país. O projeto, encerrado em 2008, detectou uma alta taxa de fraude - 87% - entre candidatos que se declaravam parentes entre si, disse o Departamento de Estado, e o programa de acolhimento foi suspenso até que a questão fosse resolvida. Mas os americanos nunca usaram testes genéticos para determinar origem nacional. No Reino Unido, os testes, que segundo o governo são voluntários, só estão sendo usados em pessoas que alegam vir da Somália, Etiópia, Eritreia, Quênia, Uganda e Sudão. Críticos, no entanto, dizem que esse tipo de exame é inútil. "Genes não têm consciência de fronteiras nacionais", disse o geneticista Sir Alec Jeffreys, que desenvolveu a técnica da "impressão digital" genética. "Nacionalidade é um conceito legal, não tem nada a ver com genética", afirmou, acrescentando que o tipo de pesquisa necessário para determinar a ligação entre DNA e origem étnica nas populações da África nunca foi realizado. Especialistas em direitos humanos afirmam que o caráter voluntário dos testes é enganoso. "Se as pessoas não concordarem com o teste, isso pode prejudicar suas chances de conseguir asilo ou ser interpretado de forma negativa", disse uma porta-voz do grupo Justiça para os Migrantes e Refugiados, Jill Rutter, um grupo filantrópico baseado em Londres.
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