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Teste de DNA em refugiados causa polêmica no Reino Unido

Governo britânico usa exame genético para tentar descobrir se refugiados vêm mesmo dos países que alegam

05 de novembro de 2009 | 18h 34

O Reino Unido está usando testes genéticos em alguns africanos que chegam ao país em busca de asilo, num esforço para detectar os que mentem sobre sua nacionalidade. A medida atrai críticas de cientistas e revolta em grupos de defesa dos direitos humanos.   A Agência de Fronteiras do país lançou o projeto piloto em setembro, frente à suspeita de que muitas pessoas que haviam requisitado asilo mentiam a respeito de seus países de origem. Um porta-voz da agência disse que o Reino Unido é o único país usando testes genéticos com essa finalidade.   Especialistas, no entanto, dizem que os testes baseiam-se em princípios errôneos e que não há como avaliações genéticas fornecerem evidências significativas a respeito da nacionalidade de alguém.   Preocupada com a possibilidade de fraude, a administração Bush, nos EUA, havia lançado um plano de testes de DNA em 2007, para a triagem de candidatos a um programa que permitia que parentes de refugiados africanos já residindo nos EUA também fossem ao país.   O projeto, encerrado em 2008, detectou uma alta taxa de fraude - 87% - entre candidatos que se declaravam parentes entre si, disse o Departamento de Estado, e o programa de acolhimento foi suspenso até que a questão fosse resolvida. Mas os americanos nunca usaram testes genéticos para determinar origem nacional.   No Reino Unido, os testes, que segundo o governo são voluntários, só estão sendo usados em pessoas que alegam vir da Somália, Etiópia, Eritreia, Quênia, Uganda e Sudão.   Críticos, no entanto, dizem que esse tipo de exame é inútil. "Genes não têm consciência de fronteiras nacionais", disse o geneticista Sir Alec Jeffreys, que desenvolveu a técnica da "impressão digital" genética. "Nacionalidade é um conceito legal, não tem nada a ver com genética", afirmou, acrescentando que o tipo de pesquisa necessário para determinar a ligação entre DNA e origem étnica nas populações da África nunca foi realizado.   Especialistas em direitos humanos afirmam que o caráter voluntário dos testes é enganoso. "Se as pessoas não concordarem com o teste, isso pode prejudicar suas chances de conseguir asilo ou ser interpretado de forma negativa", disse uma porta-voz do grupo Justiça para os Migrantes e Refugiados, Jill Rutter, um grupo filantrópico baseado em Londres.

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