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Tratamento sem comprovação contra esclerose múltipla atrai brasileiros

Técnica italiana oferece 'cura fácil e rápida' após cirurgia no cérebro; médicos fazem alerta

20 de outubro de 2010 | 16h 11
Agência Estado

SÃO PAULO - Um novo tratamento que oferece a chance de "cura fácil e rápida" para esclerose múltipla, por meio de uma cirurgia no cérebro, está levando brasileiros portadores da doença a acreditar em um método que ainda não tem sua eficácia cientificamente comprovada.

Desenvolvido pelo cirurgião vascular italiano Paolo Zamboni, da Universidade de Ferrara, o "tratamento da liberação", como ficou conhecido, consiste em uma simples cirurgia vascular para aumentar a capacidade venosa cerebral. O procedimento promete a cura da doença, que é degenerativa e crônica - ainda não há cura comprovada pela ciência. Na Europa, o custo do tratamento tem variado entre o equivalente a R$ 12 mil e R$ 16 mil.

Desde 2008, quando Zamboni divulgou a técnica, testada inicialmente na própria mulher, a cirurgia já foi realizada em pacientes de países europeus, dos Estados Unidos e até da Índia, o que causa polêmica na comunidade científica internacional, que não endossa o uso do método.

No 26º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla (ECTRIMS), realizado na semana passada na Suécia, Zamboni foi o único que defendeu o tratamento, em meio a uma série de críticas. Na ocasião, membros da Fundação Europeia Charcot, uma das principais instituições dedicadas à pesquisa de esclerose múltipla, reprovaram as teorias do cirurgião italiano.

Brasileiros

No País, onde a esclerose múltipla atinge 10 a cada 100 mil habitantes, a teoria repercute desde o ano passado entre pacientes, que têm procurado médicos dispostos a realizar o procedimento mesmo sem haver evidências científicas que comprovem a hipótese.

"Existem médicos no Brasil que estão fazendo esses procedimentos sem saber se eles têm fundamento ou não", afirmou o neurologista Rodrigo Thomaz, do Centro de Atendimento e Tratamento de Esclerose Múltipla da Santa Casa de São Paulo. Thomaz relata que, por causa dessa repercussão, vários de seus pacientes já pediram para ter o sistema venoso avaliado.

Chefe do Ambulatório de Doenças Desmielinizantes do Hospital das Clínicas, o neurologista Dagoberto Callegaro também relata casos de pessoas que querem se submeter de qualquer forma à cirurgia. "Isso é muito grave. A notícia sobre a teoria entre o público leigo cria expectativas muito grandes", disse. Callegaro destaca que é preciso ter cautela e aguardar que pesquisas revelem a validade ou não da técnica. As informações são do Jornal da Tarde.




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