Paladar

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007, 00:00 | Versão Impressa

O 'inimitável' mais imitado do mundo

Saul Galvão, saul.galvao@grupoestado.com.br - O Estado de S.Paulo

 - Chegamos ao nível mais alto dos espumantes, ao champagne, ao vinho de denominação de origem controlada (branco ou rosado), elaborado na região que lhe dá o nome, no Nordeste da França, com as uvas Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay e que ganha as bolinhas ao passar por uma segunda fermentação na própria garrafa. Os demais, entre os quais alguns excelentes, são espumantes. É um paradoxo dizer que o vinho mais imitado do mundo seja único e inimitável.

Aqui ficamos com champagnes básicos, que não indicam a safra em seus rótulos, os mais baratos e comuns de suas respectivas vinícolas. Fixamos em R$ 180 o preço máximo. Baratos não são, mas a ocasião - as festas do ano-novo - justifica uma extravagância. Além dos quatro que aparecem na coluna, gostaria ainda de citar o Piper Heidsieck, um espumante gostoso e refrescante, praticamente no mesmo patamar.

Há séculos, os vinhos da região da Champagne insistiam em criar bolinhas nas frias adegas naturais. O champagne tal qual conhecemos hoje nasceu quando os vinhateiros, no fim do século 17 e início do 18, deixaram de lutar contra as borbulhas e passaram a aprisioná-las nas garrafas. A Revolução Industrial forneceu as garrafas e a volta do uso das rolhas permitiu que elas fossem seladas.

Dificilmente as uvas amadurecem totalmente nessa zona bastante fria. O que é ruim para o vinho tranqüilo é ótimo para o champagne (e outros espumantes). O vinho fino, ácido, magro, com pouco álcool fica um espetáculo depois de passar pela segunda fermentação, aquela que dá o gás.

O champagne é normalmente feito com um corte das três uvas permitidas de várias sub-regiões e safras. Como o tempo é muito incerto, costuma-se guardar vinhos de boas safras para melhorar as piores. Daí o fato de ele não ser datado. Com essa assemblage, as vinícolas procuram manter o seu estilo, colocar no mercado um produto que agrade ao consumidor e que ele associe àquela determinada marca.


TAITTINGER RESERVE BRUT
ONDE ENCONTRAR EXPAND, TEL. 2102-7788
PREÇO R$ 168
COTAÇÃO 92/100 PONTOS

Uma das firmas mais tradicionais e confiáveis da Champagne, famosa pela elegância de seus vinhos, como bem demonstra este exemplar. Bom do começo ao fim. Cor amarela carregada. Cor de vinho evoluído. Aroma gostoso e intenso, desses que invadem as narinas. Aspectos nitidamente cítricos. Também evocações de maçã verde. Um champagne muito elegante, leve sem ser ligeiro. Bolinhas resistentes até o fim da garrafa, que subiam em cordões regulares. Cremoso e muito refrescante. Pode até acompanhar alguns pratos, mas é melhor para ser bebido sozinho, aproveitando cada gole. O tipo de champagne alegre, fácil de gostar. As evocações cítricas permanecem na boca. No topo de sua forma. Retrogosto dos melhores, mais uma vez com notas cítricas. 12% de álcool.

DRAPPIER CARTE D?OR BRUT
ONDE ENCONTRAR ZAHIL, TEL. 3071-2900
PREÇO R$ 170
COTAÇÃO 93/100

Boa relação qualidade-preço. Consegue ser, ao mesmo tempo, encorpado, concentrado e elegante, o que não é fácil. Segundo a literatura, a Pinot Noir é muito importante na "assemblage", o que ajuda a explicar o bom corpo e o aroma de frutas. Uma empresa familiar de qualidade constante. No auge da forma. Segundo o contra-rótulo, foi engarrafado recentemente, em abril deste ano. Espuma farta e bolinhas duradouras. Ótima perlage. Amarelo claro, com alguns reflexos dourados. Aroma potente, com as frutas e também notas de fermentação, de padaria. Primeira impressão na boca excelente. Concentração de sabor, corpo. Cremoso e refrescante. Boa acidez. Um champagne versátil, que pode acomanhar muitos pratos e é também gostoso para bebericar. Fim de boca dos melhores. 12% de álcool.

AYALA BRUT MAJEUR
ONDE ENCONTRAR VINCI OU MISTRAL, TEL. 3372-3400
PREÇO R$ 180
COTAÇÃO 91/100

O prestígio desta vinícola cresceu depois que ela foi comprada pela Bollinger, entre as melhores das melhores. As duas são de Ay, região famosa pelo seu Pinot Noir. Um champagne direto, extremamente refrescante e gostoso. No auge da forma. Segundo informa, foi "degolado" e engarrafado em abril de 2007. Aroma agradável, mas não é seu forte. Um pouco tímido no nariz, com notas de fermentação, de padaria. Depois de um certo tempo, apareceram leves notas cítricas. Na boca parece outro vinho. Ataque gostoso, potente e cremoso. Bolinhas persistentes e elegantes que subiam em cordões regulares (ótima perlage). Mais para o aperitivo do que para a mesa. Ele é leve, elegante e, ao mesmo tempo, tem ótima concentração de sabor. Equilibrado, fresco. Deixa sensação muito gostosa na boca. 12% de álcool.


JACQUESSON CUVÉE 730 BRUT
ONDE ENCONTRAR WORLD WINE, TEL. 3383-7477
PREÇO R$ 180
COTAÇÃO 91/100

A Jacquesson é uma empresa familiar de grande prestígio, capricho. O rótulo é dos mais informativos. O número 730 indica que ele foi feito basicamente com uvas de 2002. Feito com 60% de uvas de 2002 e 40% de vinhos de reserva. Foi engarrafado no segundo trimestre de 2006. Está no pico de sua forma. Só uvas de vinhedos classificados como grand cru ou premier cru. 48% de Chardonnay, 32% de Pinot Noir e 20% de Pinot Meunier. Um champagne de personalidade, diferente dos demais. Mais corpo e disposição para a mesa. Um pouco potente para bebericar. Aroma intenso, toque de fermentação. Na boca, concentrado, encorpado e com algo mineral. Também notas cítricas. Ligeiro amargor ao final. Mas o que fica é uma sensação agradável. 12% de álcool.