Viagem
terça-feira, 20 de maio de 2008, 00:00 | Versão Impressa
A Jordânia quer se exibir para o mundo. E tem muito o que mostrar
De um lado fica o Mar Vermelho; de outro, o Mar Morto. No meio do caminho, Petra, a cidade perdida de pedra
Camila Anauate - O Estado de S.Paulo

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A graça dessa viagem é poder desvendar um a um todos os segredos de uma terra camuflada em plena região dos conflitos sem-fim. Sem petróleo nem extremismos, o país passa despercebido no contexto instável do Oriente Médio. É neutro, seguro. Até sua paisagem monocromática, moldada pelo imenso deserto e entrecortada por construções de um branco já gasto, confirma a impressão de se estar num esconderijo.
Por essas e muitas outras características, a Jordânia quer aparecer para o turismo. E, de fato, sua rica herança histórica, cultural e natural não pode ficar perdida nas areias do deserto. Impossível fechar os olhos para a terra onde há registros das mais antigas ocupações humanas no planeta, com vestígios das três religiões monoteístas, e museu vivo de relíquias romanas e bizantinas. Ou ficar indiferente diante da cordialidade e da simpatia do povo jordaniano, com cultura, hábitos, roupas, comidas e cenários completamente diferentes de tudo o que você já viu.
Apesar de pequeno - bastam seis horas de carro para cruzar a Jordânia de norte a sul -, o país é surpreendente. Entre boiar no Mar Morto e passear de barco pelo Mar Vermelho, as duas atrações nos extremos do território, muitas experiências se revelam para o visitante. Um novo mundo abre as portas a partir da urbana e vibrante capital, Amã, ponto de partida dessa inesquecível jornada.
MARAVILHA DE PEDRA
Petra é, de longe, a atração mais famosa da Jordânia, destino da maioria dos 6,5 milhões de turistas que chegam ao país por ano. E não precisaria da visita de Indiana Jones (no filme Indiana Jones e a Última Cruzada, de 1989) nem do título de nova maravilha moderna do mundo para justificar sua importância. A cidade inteiramente talhada na encosta de montanhas de pedra impressiona pela grandiosidade. Até hoje, desfiladeiros de 150 metros de altura tentam esconder (em vão) esse tesouro que ficou perdido na história durante cinco séculos - e que só foi descoberto pelo mundo moderno em 1812.
Mas a Jordânia tem mais e mais encantos igualmente imperdíveis. O país é um destino religioso, cultural, histórico e natural sem comparação. Em que outro lugar do planeta os visitantes poderiam sentir na pele os efeitos dos sais minerais do Mar Morto, rodeado por resorts deslumbrantes e spas sofisticados? Ou banhar-se nas águas do Rio Jordão, que teriam batizado Jesus Cristo há cerca de dois mil anos? Mais: dormir como um beduíno em tendas no Deserto Wadi Rum?
Todo esse potencial estimula o governo a revelar a Jordânia para o turismo. ''Estamos investindo nessa indústria porque sabemos que é o caminho para o desenvolvimento econômico e social'', afirmou a ministra do Turismo e Antiguidades da Jordânia, Maha Khatib, durante a feira Jordan Travel Mart, realizada em fevereiro no Mar Morto para divulgar o país para o público das Américas. ''Somos um país estável e seguro no Oriente Médio'', enfatizou. ''Recebemos bem qualquer visitante e respeitamos todas as nações.''
TRADIÇÃO
A tradição de acolher bem os turistas é milenar - a Jordânia sempre fez parte da rota comercial entre Ásia, África e Europa. E, mesmo com os atuais conflitos armados e fundamentalismos no Oriente Médio, o país levanta a bandeira da neutralidade e da paz. E imaginar que seus vizinhos são Síria, Iraque, Israel e Arábia Saudita...
Tal maturidade política diz muito sobre o Reino Hachemita da Jordânia. A história do país começa com o fim da Primeira Guerra Mundial, quando a região conhecida até então como Palestina (correspondente hoje aos territórios de Israel, Jordânia e Síria) foi dividida pela Inglaterra. As terras à margem leste do Rio Jordão foram denominadas Transjordânia. O nome Jordânia só foi adotado décadas mais tarde, em 1946, com a independência do país.
Desde sempre, a família real jordaniana participou ativamente da luta pela paz na região. O rei Hussein, que ficou no poder durante 46 anos, contribuiu para as negociações na Guerra dos Seis Dias (1967) e na Guerra do Golfo (1991). Também assinou um acordo de paz com Israel, em 1994, que permite, por exemplo, o fluxo de turistas entre os dois países.
Com a morte de Hussein, em 1999, assumiu o governo seu filho mais velho, Abdullah II. Educado nos Estados Unidos e na Inglaterra, Abdullah defende uma monarquia moderna. O atual rei, adorado pelo povo, é onipresente - para onde quer que o turista olhe encontrará uma foto dele.
O trabalho da rainha Rania Al-Abdullah também revela muito da tradição islâmica mais tolerante e moderada, seguida por 92% dos 5 milhões de habitantes. Eleita pela revista Forbes, no ano passado, uma das cem mulheres mais poderosas do mundo, Rania aproveita seu status para defender os direitos das mulheres no Oriente Médio. Também é a mensageira do mundo árabe para o Ocidente: ela quer mostrar toda a beleza camuflada dessa terra.
Se, durante a viagem, você viver essa intensa troca de experiências, terá compreendido a mensagem. E voltará outra pessoa, muito mais completa.
Viagem feita a convite do Jordan Travel Board (www.visitjordan.com)
SERVIÇO
PASSAGEM AÉREA
O trecho SP-Amã-SP custa a partir de US$ 1.147 na British (4004-4440) e na Lufthansa (0--11-3048-5800), US$ 1.202 na Air France (4003-9955); US$ 1.235 na Ibéria (0--11-3218-7130) e US$ 1.538 na Emirates (0--11- 5503-5000). Com conexões
PACOTES*
US$ 1.929: 4 noites em Amã, 2 em Petra e 1 em Ácaba. Inclui meia pensão e passeios. Moinhotur (0--11-3816-1969)
US$ 1.930: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Com café e passeios. Na Flot (0--11-3231-2311)
US$ 1.931: 4 noites em Amã e 2 em Petra, passeios, café e jantar. Na Riviera (0--11-5533-6889)
US$ 1.971: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Inclui meia pensão e passeios. Soft Travel (0--11-3017-9999)
US$ 1.980: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Inclui 11 refeições e passeios. RCA (0--11-3017-8700)
US$ 2.082: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Com meia pensão e passeios. Pax Voyage (0--11-3214-1490)
US$ 2.225: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Com passeios e meia pensão. Na Intravel (0--11-3206-9000)
US$ 2.300: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Com meia pensão e passeios. Designer (0--11-2181-2900)
US$ 2.326: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Passeios e meia pensão. Cit (0--11-3138-3535)
US$ 2.600: 4 noites em Amã e 2 em Petra. Com meia pensão e passeios. Tereza Ferrari (0--11-3021-1699)
US$ 2.740: 2 noites em Amã, 2 em Petra, 1 em Wadi Rum e 1 em Ácaba. Na Highland (0--11-3254-4999)
US$ 3.665: 2 noites em Amã, 2 em Petra e 3 no Mar Morto.Passeios e café. Interpoint (0--11-3087-9400)
* Preço mínimo por pessoa, em quarto duplo, com aéreo
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