domingo, 6 de julho de 2008, 00:00 | Versão Impressa
Receita de garimpo
Peças dos anos 40, 50 e 60 dão lustro a sobrado reformado pelo proprietário
Marisa Vieira da Costa - O Estado de S.Paulo

Carol conta que se limitou a trocar algumas peças de lugar, mandou fazer um armário embutido no quarto (na Segatto, preço conforme o projeto) e dar um "toque feminino" na decoração. Assim, levou para a casa peças da Zizi Maria - empresa que tem com a mãe, Zizi, especializada em tricô e crochê e que também desenvolve produtos para o Empório Beraldin. Os trabalhos manuais sempre foram o forte da família e resultam em almofadas (de R$ 118 a R$ 342), mantas (de R$ 376 a R$ 896), colchas, tapetes, jogos americanos, capas para pufe (cerca de R$ 200) e até roupas. Muito do que a grife produz se espalha pela casa. "A construção era escura, com janelas pequenas, muitas portas e corredores. Mandei quebrar paredes, abrir tudo, escancarar", lembra Nuno.
Hoje, o que era sala, quarto, corredor e cozinha virou um único espaço. Só uma bancada separa a cozinha do living - com piso ora de porcelanato, ora de tábuas, e paredes salmão e verde. O térreo abriga ainda o banheiro, o estúdio de Nuno (com a bateria e os aparelhos de ginástica) e a área de serviço. Uma escada de madeira, sem corrimão, leva ao mezanino onde estão o quarto do casal e uma grande laje - local em que Nuno e Carol pretendem construir dois quartos quando tiverem filhos."Nosso dormitório nem existia. Era só laje, à qual se chegava por uma escada a partir da área de serviço", diz Nuno.
Peças selecionadas
Se a reforma deu um ar diferente à casa, a decoração de estilo "hippie" merece um capítulo à parte. Na sala, o colchão displicentemente jogado no chão, mas forrado com manta creme da Zizi Maria e acompanhado por almofadas de várias cores e texturas, é usado para as horas de relaxamento. Na parede acima dele, um pôster do filme Metrópolis, de Fritz Lang (1926), trazido da Alemanha. Na parede ao lado, junto ao janelão, outro, de A Formula for Mayhem, de Kevin McKeon e Kurt Wahlner, que retrata a estética dos anos 40. Ainda nesse ambiente, um home office e uma estante de ferro servem como divisão para a sala de estar, onde quase tudo foi garimpado nas feiras da Benedito Calixto e do Bexiga.
Estão lá uma rádio-vitrola de cerejeira com pés palito, uma mala antiga, uma cristaleira, um sofá-cama forrado de lona vermelha, duas poltronas dos anos 50 e uma mesa de centro criada por Nuno a partir de um tronco de árvore, que serve como base. "O tampo de vidro em forma de ameba, mandei cortar", diz ele (serviço da Divinal, que cobra conforme modelo, tamanho e espessura do vidro). Carol contribuiu trazendo um pequeno sofá azul-bebê também de pés palito.
Aqui e ali surgem surpresas, como o peixe de madeira comprado numa feira livre na Jamaica, uma imagem do Buda da Medicina todo azul, vindo da Tailândia, um enorme pufe revestido de crochê, bustos, máscaras e até um pote de acrílico com coleção de botões de roupas. E inúmeros minibancos, outra paixão do morador.
A cozinha é convencional e tem apenas o necessário: fogão e eletrodomésticos. Também criação de Nuno é a mesa feita a partir de uma porta. E, compradas em viagens, as fruteiras que acomodam até pedras e conchas do mar, bem ao gosto de Carol.
O quarto também não abriga nada além do essencial. Em vez de cama, há um caixotão de madeira com colchão e três futons rosa empilhados a título de criado-mudo. Junto à cama, um pequeno baú revela o quão diferente é o proprietário que vive sob esse teto. Lá estão seus brinquedos de infância - de carrinhos ao indefectível revólver de plástico que esguicha água.
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