quarta-feira, 1 de outubro de 2008, 02:09 | Versão Impressa

América Latina debate crise alimentar

Para especialistas, países têm de investir na diversificação e na valorização de produtos da agricultura familiar

Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Organizado pelo Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural (Rimisp) e pelo Ministério de Agricultura e Pecuária de El Salvador, o Diálogo Rural Ibero-Americano reuniu, no último dia 16, em San Salvador, representantes de instituições públicas e privadas para discutir a crise de alimentos sob dois aspectos: desenvolvimento territorial e agricultura familiar.

"A crise pode ser uma oportunidade para a agricultura da América Latina, estimulando a cooperação entre os países e promovendo a renovação de territórios rurais", disse o representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, José Graziano da Silva. Segundo ele, embora a produção familiar seja um "ator relevante" para a região, ela é marcada pela pobreza, desigualdade e debilidade do governo. "O caminho para pequenos produtores é a diversificação e a exploração de nichos de mercado que valorizem a produção. Pode ser o mercado de orgânicos, de cafés especiais ou de produtos agroecológicos, que aliem valor agregado, preservação ambiental e comércio justo."

O Brasil, conforme Graziano, diferencia-se de outros países latino-americanos pela organização da sociedade civil. "No Brasil há sindicatos rurais, associações de produtores e federações de classes, que discutem e chegam a um consenso. Nos outros países, o governo decide sozinho e, se há troca de governo, o projeto muda, sem continuidade nas políticas rurais."

Segundo o Rimisp, mais de 70 milhões de pessoas estão ligadas à agricultura familiar na América Latina, e a atividade pode ser dividida em três grupos: agricultura familiar de subsistência, em que não há geração de renda, agricultura familiar em transição, em que se aventa a possibilidade de lucrar com a produção, e agricultura familiar consolidada, caracterizada pela maior disponibilidade de recursos e pela geração de excedente de produção que possa vir a se tornar fonte de renda. No Brasil, informa o Rimisp, 66,2% dos produtores familiares encontram-se na primeira categoria; 24% estão na categoria de transição e 9,8% já fazem parte da produção familiar consolidada.

A repórter viajou a convite do Rimisp e Ministério de Agricultura e Pecuária de El Salvador

Informações: na internet: www.rimisp.org

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