quarta-feira, 1 de outubro de 2008, 02:10 | Versão Impressa

Café: água da lavagem vira adubo

Após passar por sistema de filtragem, resíduo pode ser aplicado na lavoura ou até mesmo reutilizado para lavar mais grãos

Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Pesquisadores aproveitaram a 6ª Exposição de Tecnologia Agropecuária, Ciência para a Vida, encerrada no domingo, em Brasília (DF), para apresentar uma alternativa eficiente para o reaproveitamento da água utilizada na lavagem de café. No Sistema de Decantação e Filtragem de Água, a água resultante da lavagem de café pode ser reutilizada como adubo ou para lavar novamente os grãos, explica o pesquisador Sammy Fernandes Soares, da Embrapa Café.

Além da Embrapa Café, participaram do desenvolvimento do sistema a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), com apoio financeiro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), da Embrapa Café.

Conforme Soares, há demanda crescente por tecnologias que promovam o uso racional da água residuária do café por causa das restrições impostas, em 2005, pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). "Além de ser ilegal, jogar água residuária em cursos d?água, sem tratamento, contraria os princípios de sustentabilidade da cafeicultura moderna", diz.

Separação

Após a colheita, os frutos são lavados e faz-se a separação dos bóias dos verdes e cerejas. Depois, o café passa pelo descascador, onde os cerejas são descascados e separados dos verdes, e obtém-se o cereja descascado e a casca. A água é o elemento condutor dos frutos. "Como descartá-la em córregos e rios é proibido, além de ser um desperdício, reaproveitá-la é a melhor opção", diz Soares. Segundo o pesquisador, o gasto médio estimado na atividade é de 3 a 5 litros de água por litro de fruto de café.

No sistema, instalam-se dois recipientes interligados, onde a água da lavagem passa, primeiro, pelo tanque de decantação, quando as impurezas sólidas são separadas por gravidade. No segundo recipiente, a água é filtrada e pode então ser reaproveitada, por meio de bombeamento de volta à lavagem de grãos, ou para adubar a lavoura. O reuso da água reduz o consumo em até dez vezes.

"Quanto maior for a criatividade do produtor, menos ele gastará. A tela plástica ou um filtro improvisado de palha, por exemplo, substituem um filtro mecânico pressurizado, que custa até R$ 8 mil", diz.

A pesquisa também comprovou a viabilidade de reutilizar a água residuária decantada e filtrada como adubo, não só em lavouras de café, mas em aveia, alface, feijão e milho.

"Aplicada no solo ou nas folhas, em doses variadas e em condições ambientais diversas, não houve problema", garante, destacando que há um "mito" de que essa água usada como adubo queima as plantas. "É uma água rica em nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, cálcio e micronutrientes e, como qualquer adubo, não pode ser aplicada em excesso", diz o pesquisador.

"A sugestão é que se aplique uma dose de água residuária que não produza corrimento superficial, e que se faça o monitoramento por meio de análises de solo e de plantas."

Informações sobre o sistema estão na circular técnica Água residuária do café: geração e aproveitamento, que pode ser acessada no site www.epamig.br, link Artigos Técnicos.


Informações: Embrapa Café, tel. (0--61) 3448-4378

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