quarta-feira, 1 de outubro de 2008, 02:10 | Versão Impressa
Feijão reduz custo de cana
Pesquisadores da Apta Ribeirão Preto testam o cultivo da leguminosa dentro de canavial em Barrinha (SP)
Brás Henrique - O Estado de S.Paulo

O projeto Apta-IAC Feijão Doce analisará o desempenho de ambas as lavouras e possibilitará ao canavicultor uma fonte extra de renda. O sucesso da experiência também seria argumento contra os opositores do etanol, que alegam que a cana reduz a área de plantio de alimentos. A pesquisa deve demorar três anos.
O pesquisador Denizart Bolonhezi, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) de Ribeirão Preto, iniciou o projeto após contato com o produtor de cana José Luís Balardin. A intenção do canavicultor era cultivar plantas que funcionassem como adubo verde e acrescentassem nitrogênio ao solo dos seus 174 hectares de canaviais. Assim, o feijão foi plantado em área maior e outras espécies (tremoço, feijão guandu, feijão de porco, Crotalaria spectabilis, Crotalaria juncea, mucuna-anã e nabo forrageiro) em áreas menores. O feijão será colhido manualmente e as demais culturas que fixam o nitrogênio no solo serão arrancadas e deixadas no solo.
Na São José a cana é colhida crua,nada de queimadas. Assim, a palha (cerca de 15 toneladas por hectare) fica espalhada no solo, diminuindo a perda de água. Essa área tem irrigação, outro ponto importante da pesquisa. "Se a experiência der certo, podemos ampliá-la, pois seria uma alternativa para reduzir custos de adubação da cana", diz o administrador da São José, Odair Campos.
Mesmo no inverno, segundo Bolonhezi, o feijão poderá render 2.500 quilos/hectare. "Cada saca custou, em julho, cerca de R$ 180", diz.
Numa projeção otimista, Bolonhezi diz que se o feijão fosse plantado na entrelinha da cana em apenas 20% da área sucroalcooleira do Estado (4,3 milhões de hectares), em 800 mil hectares, só isso multiplicaria por 6 a produção atual de feijão do Estado.
Na pesquisa será avaliada tanto a produtividade do feijão quanto da cana, inclusive as variedades de feijão e cana mais compatíveis para consorciamento. "Mesmo que haja perdas não representativas, será suficiente para amortizar os custos de produção do canavial", diz Bolonhezi.
Para 2009, o pesquisador já planeja pôr o projeto em prática em Guaíra (SP), que já foi um pólo produtor de feijão. "Lá há muitas usinas, com irrigação nos canaviais, o que dá para replicar a experiência em escala maior, em 30 ou até 100 hectares", diz Bolonhezi.
Informações: Apta Ribeirão Preto, (0--16) 3637-1091
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