quarta-feira, 1 de outubro de 2008, 02:11 | Versão Impressa
Ter planilha de custo é regra básica
Produtor deve anotar desde o gasto com ração e adubo até a quantidade de leite por vaca e o que o bezerro consome
Fernanda Yoneya e Niza Souza - O Estado de S.Paulo

Conforme Andrade, o produtor sai de um custo de produção de R$ 0,80/litro para no máximo R$ 0,50/litro. A produtividade por hectare também melhora. Na região de Franca, após o projeto, a produtividade chega a 10 mil litros de leite/hectare/ano, ante 1.200 litros de leite/hectare/ano fora do projeto.
O produtor Antônio Amaral de Souza, da Fazenda Santa Carolina, em Restinga (SP), participou quatro anos do Balde Cheio e já aderiu ao Cati Leite. Com 18 vacas, 6 em lactação, aumentou a produtividade diária de 8 litros de leite/vaca para 15 litros de leite/vaca.
PASTAGEM
"Fiz análise de solo do pasto, apliquei adubo e corrigi a acidez. Depois, dividi o pasto em 28 piquetes de 300 metros quadrados cada", conta. "Cada dia as vacas pastejam em um piquete. Com o rodízio, dá tempo de o capim rebrotar."
A mudança de manejo inclui o controle individual da alimentação. "Aprendi a fornecer concentrado por vaca, conforme a produtividade de cada uma", diz. "Anoto tudo: as despesas com ração, adubo e medicamentos. Também entendi a importância de pesar o leite e de anotar quanto cada animal produz."
O controle do rebanho por meio de planilhas é uma novidade para os produtores, diz a veterinária Letícia Rodrigues Gonçalves Zampieri, coordenadora de Assistência Técnica e Extensão Rural da Prefeitura de Birigüi. "Esse tipo de organização não fazia parte da rotina, mas como é um controle obrigatório, o produtor percebe a importância."
Segundo Letícia, os produtores aprenderam a anotar todas as despesas relativas à atividade, como adubação de pasto, ração, exames sanitários e medicamentos, e também a controlar os animais individualmente. "Cada vaca tem uma ficha reprodutiva, com as datas dos cios, dos partos e do toque retal ou apalpação. Outra ficha marca a quantidade de leite produzida, o consumo dos bezerros e o do próprio produtor", explica. "Outra mudança foi em relação ao manejo do pasto. Antes, a área era renegada; hoje, é tratada como uma cultura."
MAIOR PRODUTIVIDADE
O produtor Eder Luiz Aguiar dos Reis, do Sítio Santa Izabel, em Penápolis (SP), participa do Balde Cheio desde 2006. No sítio, de 12 hectares, cerca de 3,5 hectares são reservados para 62 vacas leiteiras, sendo 24 em lactação. A produtividade é de 400 litros de leite/dia. "Antes tinha 4 vacas produzindo 30 litros de leite por dia e trabalhava no negativo." Hoje, o sítio foi escolhido como unidade demonstrativa.
Ele conta que começou fazendo análise e correção de solo para adubar corretamente o pasto. "Agora, estou construindo piquetes para fazer pastejo rotacionado. Quero instalar 6 piquetes de 6 mil metros quadrados cada", diz.
Segundo Reis, toda essa mudança reduziu custos com a dieta dos animais. "Com o pasto produzindo bem, o gado não precisa ser tratado no cocho, com silagem de milho. Hoje, a dieta básica das vacas é o pasto e mineral, dados o ano todo", afirma. No fim de maio, ele planta aveia e azevém para garantir pasto no inverno.
COMIDA PARA AS MELHORES
No Sítio Santa Izabel, a alimentação do rebanho é controlada. As melhores vacas comem a ponta do capim, que concentra a porção mais nutritiva da planta. O gado de menor lactação e as vacas secas fazem o "repasse", comendo o que as vacas mais produtivas não comeram. Para baratear mais a dieta, o produtor substituiu a ração industrializada por uma preparada no sítio, à base de milho e resíduos da agroindústria, como polpa cítrica, farelo de soja e caroço de algodão. O milho é cultivado em 2 hectares. A substituição fez o custo da ração cair de R$ 0,75/quilo para R$ 0,54/quilo, já considerando o sal mineral. Sem o sal, o custo é de R$ 0,42/quilo. De acordo com o produtor, o custo total de produção caiu pela metade. "De R$ 0,60/litro para R$ 0,30/litro. Com o litro de leite a R$ 0,68 em setembro dá para ver a diferença."
INFORMAÇÕES: Embrapa, tel. (0--16) 3411-5600
Como participar do projeto
Para participar do Projeto Balde Cheio, o produtor de leite deve seguir as exigências abaixo.
Se deixar de cumpri-las, pode comprometer os resultados e ser retirado projeto:
Fazer exame de brucelose e tuberculose, anualmente, em todo o rebanho
Deixar a propriedade aberta para receber visitas de técnicos e produtores interessados
Manter as planilhas de gerenciamento em dia: anotar chuva e temperatura (se for preciso, o projeto fornece termômetro e pluviômetro); registrar tudo o que gasta e tudo o que recebe da atividade leiteira; anotar parição, cobertura da vaca e fazer o controle leiteiro, ou seja, pesar ou medir o leite de cada animal que está em produção uma vez por mês
Fazer sempre o que for combinado com o técnico que estiver dando assistência na propriedade
Tags:
pequenos produtores,
leite
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O que são TAGS?”