quinta-feira, 4 de dezembro de 2008, 02:10 | Versão Impressa
A crítica devoradora de chefs
Em 40 anos na revista New York ela comeu muito, namorou chefs e ajudou a moldar a cultura foodie nova-iorquina
Cíntia Bertolino - O Estado de S.Paulo
- Há 40 anos, Gael Greene foi surpreendida com um convite para ser crítica gastronômica da então novíssima New York Magazine. Um atrevimento do seu mítico fundador Clay Felker. Aceitou, animada em comer fora todas as noites. Há uma semana foi surpreendida outra vez. Desta feita, com a notícia de que estava demitida. "Moi?", perguntou incrédula ao atual editor da revista. "Como assim?". Passado o choque inicial, Gael, notória por seus chapéus extravagantes e relações amorosas com chefs de cozinha, conta que adorou cada dia de seu trabalho.
Além do glamour dos restaurantes, Gael é co-fundadora do CityMeals on Wheels, organização que fornece alimentos a idosos incapazes de se locomover. Há dois anos lançou Insatiable - Tales from a Life of Delicious Excess, livro de memórias no qual reúne experiências, receitas... e casos amorosos. Longe da revista, vai concentrar suas forças no website www.insatiable-critic.com. "Nova York é um lugar maravilhoso para ser crítica de restaurantes. Talvez só tivesse sido mais feliz em Paris, ou Roma ou Barcelona", afirmou ela bem-humorada, em entrevista por telefone ao Paladar, de Nova York, antes de sair para jantar no Irving Mill.
Demitida, como assim?
Fiquei chocada. Não imaginei que a New York não me achasse importante...Me orgulho de minha história na revista.
Quais são seus planos imediatos?
Quero dar mais fôlego a meu site, acrescentar mais propaganda, lançar uma linha de produtos selecionados Gael Greene.
Misturar a vida profissional e pessoal causou muitos problemas?
Quando comecei tinha uma atitude contestadora. Queria ser a primeira a dizer o que quisesse. Para coroar esse pensamento escrevi o artigo I Love Le Cirque, But Can I Be Trusted?, que revelava que eu estava envolvida com o chef do Le Cirque (Jean-Louis Todeschini). Senti que ele ou o restaurante não deveriam ser punidos - eu estava solteira e ele, separado. Éramos duas pessoas sensuais que adoravam dançar.
É sua crítica mais famosa.
Sim, porque em lugar de escrever sobre o Le Cirque, decidi contar o que andava acontecendo além da cozinha. Quis evitar comentários do tipo "é claro que ela vai falar bem do Le Cirque. Está tendo um caso com o chef". Então, deixei tudo muito claro.
Foi um jeito de se proteger?
Acho que sim. O curioso é ver a reação das pessoas. Algumas se mostram chocadas. Outras só se interessam por isso. Tive casos com três chefs e três restaurateurs. Se levarmos em conta 40 anos de carreira, até que não aprontei muito... Fui quase discreta (risos).
Tal proximidade já causou problemas?
O problema de um carreira longa é que você acaba conhecendo bem muita gente - mesmo que não queira. Algumas pessoas achavam que, porque éramos conhecidos, eu não seria capaz de criticá-las. Estavam erradas. Você se torna insignificante se não for honesta em relação a suas posições.
Qual a mudança mais drástica que você acompanhou?
Em 1968, em Nova York, as pessoas não eram obcecadas por restaurantes. Ninguém sabia o nome dos chefs. Parte do mérito dessa mudança, acredito, é da revista New York. Graças a ela as pessoas ficaram interessadas em saber quem era o cara na cozinha. Uma noite, num debate, reclamei que os chefs já não ficam em suas cozinhas. Estão ocupados agindo como estrelas de cinema. Então, um dos presentes disse: "Isso é culpa sua Gael!"
Além do glamour dos restaurantes, Gael é co-fundadora do CityMeals on Wheels, organização que fornece alimentos a idosos incapazes de se locomover. Há dois anos lançou Insatiable - Tales from a Life of Delicious Excess, livro de memórias no qual reúne experiências, receitas... e casos amorosos. Longe da revista, vai concentrar suas forças no website www.insatiable-critic.com. "Nova York é um lugar maravilhoso para ser crítica de restaurantes. Talvez só tivesse sido mais feliz em Paris, ou Roma ou Barcelona", afirmou ela bem-humorada, em entrevista por telefone ao Paladar, de Nova York, antes de sair para jantar no Irving Mill.
Demitida, como assim?
Fiquei chocada. Não imaginei que a New York não me achasse importante...Me orgulho de minha história na revista.
Quais são seus planos imediatos?
Quero dar mais fôlego a meu site, acrescentar mais propaganda, lançar uma linha de produtos selecionados Gael Greene.
Misturar a vida profissional e pessoal causou muitos problemas?
Quando comecei tinha uma atitude contestadora. Queria ser a primeira a dizer o que quisesse. Para coroar esse pensamento escrevi o artigo I Love Le Cirque, But Can I Be Trusted?, que revelava que eu estava envolvida com o chef do Le Cirque (Jean-Louis Todeschini). Senti que ele ou o restaurante não deveriam ser punidos - eu estava solteira e ele, separado. Éramos duas pessoas sensuais que adoravam dançar.
É sua crítica mais famosa.
Sim, porque em lugar de escrever sobre o Le Cirque, decidi contar o que andava acontecendo além da cozinha. Quis evitar comentários do tipo "é claro que ela vai falar bem do Le Cirque. Está tendo um caso com o chef". Então, deixei tudo muito claro.
Foi um jeito de se proteger?
Acho que sim. O curioso é ver a reação das pessoas. Algumas se mostram chocadas. Outras só se interessam por isso. Tive casos com três chefs e três restaurateurs. Se levarmos em conta 40 anos de carreira, até que não aprontei muito... Fui quase discreta (risos).
Tal proximidade já causou problemas?
O problema de um carreira longa é que você acaba conhecendo bem muita gente - mesmo que não queira. Algumas pessoas achavam que, porque éramos conhecidos, eu não seria capaz de criticá-las. Estavam erradas. Você se torna insignificante se não for honesta em relação a suas posições.
Qual a mudança mais drástica que você acompanhou?
Em 1968, em Nova York, as pessoas não eram obcecadas por restaurantes. Ninguém sabia o nome dos chefs. Parte do mérito dessa mudança, acredito, é da revista New York. Graças a ela as pessoas ficaram interessadas em saber quem era o cara na cozinha. Uma noite, num debate, reclamei que os chefs já não ficam em suas cozinhas. Estão ocupados agindo como estrelas de cinema. Então, um dos presentes disse: "Isso é culpa sua Gael!"