Casa &
domingo, 26 de agosto de 2007, 00:00 | Versão Impressa
Paixão insólita
Móveis de época e objetos de família são cenário das 2.200 miniaturas de hipopótamos que Fábio Arruda guarda em sua casa
MARISA VIEIRA DA COSTA - O Estado de S.Paulo
- Pode alguém amar hipopótamos? Parece bizarro, mas quem conhece Fábio Arruda entende a sua relação com esses animais imensos que passam boa parte do tempo imersos em rios. Consultor de etiqueta e comportamento, com dois livros publicados - Sempre às vezes nunca e Chique e Útil (ambos da editora Arx, respectivamente, por R$ 35 no site www.submarino.com.br, e R$ 33,15, na Livraria Siciliano) -, ele tem a vida permeada pela figura do hipopótamo desde criança. Hoje, aos 37 anos, Fábio transformou o antigo sobrado em que vive, na Avenida Brigadeiro Luís Antonio, num local de homenagem aos hipopótamos (miniaturas da coleção Zoológico à venda no site www.toymania.com.br, preços a partir de R$ 29,90).
Eles estão espalhados pelo jardim, no hall de entrada, nas salas e, às dezenas, na estante que toma uma parede do living. Os exemplares aparecem em diversos materiais (madeira, vidro, cristal, jade, prata, concreto, plástico etc.), tamanhos e formas, como a do cachepô no jardim que pertencia à boate Hipopotamus, ícone da noite paulistana nos anos 1970. Esses animais também dão vida a quadros, como o de Gustavo Rosa, luminárias, xícaras, miniaturas, fotos e até relógio. No total, são cerca de 2.200 peças, muitas delas ganhas de presente, e apenas Wanderley, um misto de valet de chambre e faz-tudo, tem autorização para limpar a coleção.
"Quando tinha 3 anos, fui ao zoológico com minha mãe e adorei o hipopótamo. Ela disse que o tinha comprado para mim, mas que ele teria de continuar morando lá", lembra. "Um dia, durante uma briga, meu irmão mais velho disse que o animal não era meu coisa nenhuma. Equivaleu a dizer que Papai Noel não existe. Aí comecei a coleção e minha peregrinação por zoológicos do mundo todo só para ver esse espécime maravilhoso... Aliás, minha loucura é Fantasia, filme de Walt Disney, com aquela fêmea de hipopótamo bailarina."
Apesar da fixação pelos mamíferos, Fábio reserva espaço para si próprio na casa, a exemplo das fotos que registram períodos importantes da sua vida e da série de nove retratos assinados pelo artista plástico Gustavo von Ha, inspirados nos de Andy Warhol . "Eu me adoro", assume esse carioca que veio ainda bebê para São Paulo, filho de uma pernambucana bem-nascida e "cujo pai era daqueles chamados de coronel", conta. O padrasto, alemão de educação rígida, exigia que o jantar fosse servido à francesa. "Me considero paulistaníssimo e moro neste endereço desde que me conheço. Por isso, em vez de me desfazer das coisas de família, fui acrescentando", revela. Assim, Fábio vive entre móveis de época, peças clássicas - como cadeiras Thonet (a partir de R$ 410 no site www.mercadolivre.com.br) e mesas Dona Maria -, tapetes persas, objetos de prata e cristais, além de quadros (alguns de pintores conhecidos, como Romero Brito e Fang), antiguidades, objetos modernos - e os hipopótamos, claro.
"Anos atrás fiz uma reforma para abrir espaços e, pode parecer incrível, mas as coisas que vou comprando sempre se encaixam", diz, apontando o biombo de banho feito de mármore, "comprado num brechó no bairro do Ipiranga", e um lavatório de madeira que ladeia a arca de cerejeira herdada de seu bisavô. As paredes pintadas de flamingo (tom claro de salmão) aquecem os ambientes em que Fábio recebe amigos uma vez por semana para jantar ou jogar tranca. "Minha superparceira é a Bete Szafir", revela.
O talento para trabalhar com etiqueta e comportamento, Fábio descobriu quando desistiu do curso de Administração numa universidade americana e foi trabalhar no antiquário de uma amiga, em Nova York. Era o início dos anos 1990 e ele entrou de cabeça no universo da produção de festas. A carreira deslanchou ao organizar o casamento da prima, Patrícia de Sabrit, com o cantor Fábio Jr.. "Mostrei a suíte nupcial com exclusividade num programa de televisão e desde então passei a dar dicas de decoração, etiqueta e comportamento na TV", diz. Hoje, Fábio tem um quadro no programa Todo Seu, comandado por Ronnie Von, na TV Gazeta, e viaja o País dando palestras sobre os assuntos que domina. "Nunca tive a agenda tão cheia", revela. "Ainda bem."
Eles estão espalhados pelo jardim, no hall de entrada, nas salas e, às dezenas, na estante que toma uma parede do living. Os exemplares aparecem em diversos materiais (madeira, vidro, cristal, jade, prata, concreto, plástico etc.), tamanhos e formas, como a do cachepô no jardim que pertencia à boate Hipopotamus, ícone da noite paulistana nos anos 1970. Esses animais também dão vida a quadros, como o de Gustavo Rosa, luminárias, xícaras, miniaturas, fotos e até relógio. No total, são cerca de 2.200 peças, muitas delas ganhas de presente, e apenas Wanderley, um misto de valet de chambre e faz-tudo, tem autorização para limpar a coleção.
"Quando tinha 3 anos, fui ao zoológico com minha mãe e adorei o hipopótamo. Ela disse que o tinha comprado para mim, mas que ele teria de continuar morando lá", lembra. "Um dia, durante uma briga, meu irmão mais velho disse que o animal não era meu coisa nenhuma. Equivaleu a dizer que Papai Noel não existe. Aí comecei a coleção e minha peregrinação por zoológicos do mundo todo só para ver esse espécime maravilhoso... Aliás, minha loucura é Fantasia, filme de Walt Disney, com aquela fêmea de hipopótamo bailarina."
Apesar da fixação pelos mamíferos, Fábio reserva espaço para si próprio na casa, a exemplo das fotos que registram períodos importantes da sua vida e da série de nove retratos assinados pelo artista plástico Gustavo von Ha, inspirados nos de Andy Warhol . "Eu me adoro", assume esse carioca que veio ainda bebê para São Paulo, filho de uma pernambucana bem-nascida e "cujo pai era daqueles chamados de coronel", conta. O padrasto, alemão de educação rígida, exigia que o jantar fosse servido à francesa. "Me considero paulistaníssimo e moro neste endereço desde que me conheço. Por isso, em vez de me desfazer das coisas de família, fui acrescentando", revela. Assim, Fábio vive entre móveis de época, peças clássicas - como cadeiras Thonet (a partir de R$ 410 no site www.mercadolivre.com.br) e mesas Dona Maria -, tapetes persas, objetos de prata e cristais, além de quadros (alguns de pintores conhecidos, como Romero Brito e Fang), antiguidades, objetos modernos - e os hipopótamos, claro.
"Anos atrás fiz uma reforma para abrir espaços e, pode parecer incrível, mas as coisas que vou comprando sempre se encaixam", diz, apontando o biombo de banho feito de mármore, "comprado num brechó no bairro do Ipiranga", e um lavatório de madeira que ladeia a arca de cerejeira herdada de seu bisavô. As paredes pintadas de flamingo (tom claro de salmão) aquecem os ambientes em que Fábio recebe amigos uma vez por semana para jantar ou jogar tranca. "Minha superparceira é a Bete Szafir", revela.
O talento para trabalhar com etiqueta e comportamento, Fábio descobriu quando desistiu do curso de Administração numa universidade americana e foi trabalhar no antiquário de uma amiga, em Nova York. Era o início dos anos 1990 e ele entrou de cabeça no universo da produção de festas. A carreira deslanchou ao organizar o casamento da prima, Patrícia de Sabrit, com o cantor Fábio Jr.. "Mostrei a suíte nupcial com exclusividade num programa de televisão e desde então passei a dar dicas de decoração, etiqueta e comportamento na TV", diz. Hoje, Fábio tem um quadro no programa Todo Seu, comandado por Ronnie Von, na TV Gazeta, e viaja o País dando palestras sobre os assuntos que domina. "Nunca tive a agenda tão cheia", revela. "Ainda bem."