Imigração Japonesa
domingo, 2 de setembro de 2007, 02:24 | Online
Uma jornada centenária
Isolamento do Japão por séculos atrasou o início da imigração para países ocidentais
Felipe Lavignatti
Por mais de dois séculos, o Japão resistiu à pressão, tentando manter sua autonomia a qualquer custo. Porém, no século 18, a economia japonesa dava sinal de desgastes, tornando evidente a necessidade de relações comerciais com outros países. Em 1853, os EUA obrigam o país a abrir alguns de seus portos, o que culminaria na abertura total em 1864. O cenário era pouco animador para uma nação que viveu praticamente sem contato com exterior por mais de dois séculos.
Com uma economia sufocada e uma crescente população rural, o pequeno território japonês começava a ficar menor. A solução foi enviar essa mão-de-obra excedente para outros países. A primeira experiência se deu no Havaí, em 1869. Na busca por novas terras que pudessem receber os japoneses, em 1894, o deputado Tadashi Nemoto visita quatro Estados brasileiros: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. Após esta viagem, é publicado um relatório recomendando a emigração ao Brasil.
Este relato das imensas terras brasileiras – e das lucrativas lavouras cafeeiras – incentivou o empresário e ex-político Ryu Mizuno a vir ao Brasil. Encantado com as promessas do relatório, Mizuno visita o País duas vezes antes de trazer os primeiros japoneses. Até então, o processo de imigração não tinha saído do papel. Em 1892, o Brasil havia autorizado a vinda de japoneses e chineses, mas a única tentativa, em 1897, teve de ser adiada por causa da queda do preço do café em todo mundo. A crise chegaria ao fim somente em 1906. Em 1908, Mizuno finalmente realiza seu sonho e parte da cidade de Kobe levando 781 pessoas a bordo do navio Kasato-Maru com destino às lavouras cafeeiras paulistas.
O primeiro contato com o mundo ocidental não foi fácil. As feições e os costumes japoneses viraram alvos dos curiosos brasileiros, que até então não conheciam os orientais. Além do estranhamento, os japoneses tiveram de enfrentar duras condições de trabalho nas lavouras, que até pouco tempo eram acostumadas a utilizar trabalho escravo. Não levou muito tempo para que os imigrantes que não se adaptaram abandonassem as fazendas e se organizassem em suas próprias e improvisadas colônias.
Apesar da experiência não ter sido bem sucedida, nos anos seguintes a quantidade de imigrantes aumentaria e não se restringiria mais ao Estado de São Paulo. Somente em 1933, entrariam no Brasil mais de 24 mil japoneses. A imigração começaria a diminuir em 1935, quando o País estabelece cota de entrada de 2.849 imigrantes por ano. Durante a 2º Guerra, o processo é interrompido, retomado somente na década de 50. Com o desenvolvimento da indústria japonesa nos anos 60, teria fim o ciclo da imigração, e os trabalhadores que agora chegavam ao Brasil passaram a ser técnicos, não mais a mão de obra para trabalhos braçais.
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