Agrícola

quarta-feira, 5 de setembro de 2007, 00:00 | Versão Impressa

Cooperativa recicla lixo orgânico do litoral

Cooperados coletam e beneficiam parte das 150 toneladas de casca de coco verde produzidas por dia em Fortaleza

O Estado de S.Paulo

 - Graças ao projeto casca de coco verde, da Embrapa Agroindústria Tropical, foi instalada uma planta-piloto para coleta seletiva da matéria-prima, reciclagem da casca e fabricação de diversos produtos e unidade de artesanato. A Cooperativa de Beneficiamento da Casca de Coco Verde (Coobcoco), formada por 21 catadores de papel de Fortaleza (CE), é responsável pelo beneficiamento da casca do coco da unidade-piloto. Segundo o bolsista do projeto e gestor da cooperativa, Wander Fernandes Gurgel, o foco é o ambiente. ''''A casca de coco leva até dez anos para se decompor nos aterros.'''' A estimativa é a de que Fortaleza produza 150 toneladas de casca de coco verde/dia.

A planta foi instalada há um ano e meio e tem capacidade para processar 20 toneladas de casca de coco verde. Atualmente, produz substrato de pó de coco, fibra bruta (vasos artesanais) e mantas geotêxteis (para a contenção de encostas, dunas e áreas degradadas).

Os principais clientes são produtores de plantas ornamentais e de mudas frutíferas. Dos 20% que se aproveitam da casca do coco - o restante é o líquido -, 15% é pó (substrato) e 5% é fibra (que vira manta e vasos). A Embrapa desenvolveu também, para o processamento da casca de coco, uma máquina trituradora, uma prensa rotativa e uma classificadora, que separa o pó e a fibra.

O bagaço de cana, outro resduo da agroindústria, proporciona economia de R$ 3,5 milhões/safra para o Grupo Ypióca, do Nordeste: R$ 1 milhão em energia; R$ 1,6 milhão em adubo; R$ 600 mil em embalagens de papelão e R$ 300 mil em ração. Segundo o presidente do grupo, Everardo Telles, todos os resíduos da moagem são aproveitados. ''''O bagaço é precioso para nós'''', diz.

CALDEIRAS

Parte do bagaço alimenta as caldeiras, produzindo vapor e energia para funcionar as unidades industriais e os equipamentos de fertirrigação. Misturado a papel reciclado, o subproduto vira papelão, utilizado nas embalagens das bebidas produzidas pela empresa. Por meio de compostagem, o bagaço misturado a esterco bovino é transformado em adubo para as lavouras de cana e grãos.

O pó granulado, um dos resíduos da fermentação do caldo de cana para aguardente, com 32% de proteína, é adicionado ao bagaço de cana hidrolisado e vai para os cochos do gado de leite e de corte. O que sobra do bagaço, molhado com vinhoto e acrescido de bactérias, vira composto orgânico, misturado com o esterco de gado e vai para o canavial.