Viagem

terça-feira, 16 de outubro de 2007, 00:00 | Versão Impressa

A beleza escondida de Glasgow

Cidade não desperta paixão à primeira vista, mas é o lugar certo para quem gosta de arte

Adriana Moreira - O Estado de S.Paulo

PURA SORTE – People’s Palace em um raro intervalo com sol: museu sobre os moradores de East End

Adriana Moreira/AE

PURA SORTE – People’s Palace em um raro intervalo com sol: museu sobre os moradores de East End

SÃO PAULO - Cinzenta, chuvosa e gelada - mesmo no verão -, Glasgow não é de despertar paixão à primeira vista. Mas com um pouco de boa vontade e um olhar mais aguçado, o turista encontra as belezas escondidas da maior cidade da Escócia. Glasgow foi capital cultural da Europa em 1999 e se destaca especialmente pelas artes.

 

Veja também:

link Descubra uma das belas jóias da Europa

link Um festival de shows, música e dança

link No castelo, um resumo da história

link Um arquiteto. E muitas marcas na paisagem

link Muita história na terra dos 'highlanders' 

 


A maioria dos visitantes chega na Central Station, que conecta Glasgow ao aeroporto e a quase todo o Reino Unido. Pronto: você já está no coração da cidade. Barulhenta e movimentada, parece um pouco com o centro de São Paulo, com menos trânsito e mais segurança.

Dali mesmo você já pode começar a fazer seu city tour. Siga pela Argyle Street até a Queen Street e vire à esquerda. Você já vai estar na frente da Galeria de Arte Moderna (Goma), um dos muitos museus da cidade. Boa notícia: nenhum cobra entrada.

Com poucos passos você atinge a George Square, a praça principal, onde turistas e moradores disputam os bancos quando o sol aparece. É dali também que saem, a cada 15 minutos, os ônibus que levam aos principais pontos turísticos da cidade.

O passeio vale a pena. As atrações ficam bem distantes umas das outras e são acessíveis apenas de ônibus - o sistema de transportes não é dos mais simples. O ingresso do tour custa 9 libras (R$ 33) e vale por 24 horas. Mas preste atenção: o serviço só funciona das 9h30 às 17 horas. É possível descer e subir em qualquer ponto.

Catedral


Comece descendo na Catedral de Glasgow, a mais antiga da Escócia. A terra é considerada sagrada desde o século 6º, quando uma cruz foi plantada no local por São Ninian - ou São Mungo. A primeira catedral, de pedra, foi construída em 1136, mas a maior parte do prédio data do século 13 - ela foi a única igreja do país que sobreviveu à Reforma Escocesa, porque aderiu ao protestantismo.

Há cinco partes principais. Uma delas é a nave, com 32 metros de altura, que reflete o estilo medieval, repleto de vitrais coloridos. Na igreja baixa fica o túmulo do santo, morto em 603.

Na frente da catedral, o Museu de São Mungo da Vida e Arte Religiosa traz objetos que refletem a importância da religião para povos do mundo todo. Há exposições sobre budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo, judaísmo e siquismo. São três andares com obras como a estátua do deus hindu Shiva Nataraja (deus da dança), do fim do século 18.

Também vale descer, ao menos para fazer belas fotos, no Glasgow Green, o jardim da cidade. Ali fica o People''''s Palace, um museu de relativo interesse sobre os moradores do East End, a área operária. Nos fundos do prédio, um belíssimo jardim de inverno.

A mesma parada serve, nos fins de semana, para conhecer o The Barras, uma espécie de mercado de pulgas. No caminho, você passará pela Glickman''''s, a loja de doces mais antiga de Glasgow, fundada em 1903 e especializada em caramelos e doce de leite.

Imperdível mesmo é o Museu e Galeria de Arte Kelvingrove, o mais visitado da Escócia. Reserve algumas horas para ele - mesmo assim, será impossível ver todo o acervo como se deve em um único dia.

O que mais encanta no museu não são suas obras de valor inestimável - como o quadro Cristo de São João da Cruz, de Salvador Dalí, e outras de Rembrandt e Botticelli -, mas a forma como os objetos foram organizados para interagir com os visitantes, tanto crianças quanto adultos.

Se tiver tempo livre, tome um ônibus (dos tradicionais) até o Pollok Country Park e vá conhecer a The Burrel Collection, doada à cidade em 1944 pelo comerciante William Burrel. Móveis antigos, tapeçarias, vitrais e portais de mármore do século 14 fazem parte da coleção.

Portas fechadas


Corra para visitar o maior número de lugares possíveis entre 10 e 17 horas. Assim que o relógio bate a quinta badalada, a cidade se transforma. Mesmo com o dia claro do horário de verão - só anoitece por volta das 20 horas -, todas as atrações turísticas fecham com uma pontualidade de fazer inveja até aos ingleses.

Algumas poucas lojas permanecem abertas até as 18 horas. Depois desse horário, Glasgow fica simplesmente deserta. Só o que funciona, a todo vapor, são os pubs, especialmente aos sábados. Nos mais tradicionais, é difícil encontrar uma mulher, principalmente desacompanhada.


Tags:  Escócia, Glasgow, Escócia, Reino Unido     O que são TAGS?