Viagem

terça-feira, 23 de outubro de 2007, 00:00 | Versão Impressa

High school, hoje e 40 anos atrás

Opções de destinos, possibilidade de 'conhecer' a família antes, dificuldade de vistos: são muitas as diferenças

Camila Anauate - O Estado de S.Paulo

 - Era um dia branco e gelado do rigoroso inverno de 1967. Maria Inez Grasso, então com 17 anos, chegava a uma cidadezinha de 3 mil habitantes no interior dos Estados Unidos. Sozinha, para ficar pelos próximos quatro meses na casa de pessoas que ela só conhecia de conversas pelo radioamador. Quarenta anos depois, quando chegou a vez de Adriana Pastore cursar high school no exterior, ela já havia falado inúmeras vezes pelo Skype com sua nova família.

Se por um lado a tecnologia facilitou o intercâmbio entre as culturas, por outro deixou as pessoas mais ansiosas. ''''O desconhecido era bom'''', comenta Maria Inez. Além da comunicação, tudo mudou dos anos 60 para cá. O mundo virou uma escola - a oferta de cursos e destinos multiplicou. Mas também passou a dificultar o acesso dos estudantes: documentos, visto...

Maria Inez andou de avião e viu neve pela primeira vez naquele inverno de 1967. Chegou despreparada para o frio e precisou comprar casacos, botas e meias de lã. A família que a acolheu ajudou em tudo. Naquela época, 20 anos depois da Segunda Guerra, os americanos estavam muito engajados em trabalhos voluntários. ''''O intercâmbio era novidade e as pessoas recebiam os estudantes mais pelo espírito da troca.''''

Maria Inez não precisou procurar muitos cursos - o programa de high school só existia nos Estados Unidos. ''''Algumas meninas iam para a Suíça.''''

Ela foi parar no interior do Estado de Nova York, morou numa chácara e mandava notícias para o Brasil por cartas. Na escola onde estudou, só havia três estrangeiros - os outros eram do Peru e da Argentina.

Naquele momento, só se falava na Guerra do Vietnã. Um dos ''''irmãos'''' de Maria Inez estava lá e, quando ela tinha folga, acompanhava os ''''pais'''' ao supermercado. ''''Eles compravam mantimentos e mandavam pelo Exército.''''

Já Adriana, de 18 anos, costumava assistir a jogos de futebol americano nos momentos livres. Ela poderia ter feito o curso na Europa, na Oceania ou na América do Sul. Mas escolheu o high school em Wisconsin, nos Estados Unidos, porque conhecia o destino e sua irmã já havia morado lá.

Um brasileiro era seu melhor amigo na escola. ''''Não foi difícil me adaptar.'''' A família americana era legal, mas não a tratava como ''''filha''''. Ela falava com o Brasil aos domingos, por telefone e pelo Skype, mas quando batia a saudade mandava e-mails. ''''Foi maravilhoso.''''

A experiência também mudou a vida de Maria Inez, hoje com 58 anos. Desde que voltou dos Estados Unidos, trabalha nesse mercado - ela é dona de uma agência de intercâmbio.