Anna Angotti e
Demian Takahashi (jornalistas) - Japa que sou, peguei esse voto pra mim. E como o crítico Anton Ego do filme Ratatouille ao julgar a comida do chef-ratinho Remy, perdi o sono. Não que o restaurante fosse empesteado de roedores, como a suja e malcuidada fachada poderia sugerir. Longe disso. O que me perturbou foi sua simplicidade e humildade extremas. O tonkatsu, um dos melhores da cidade, tinha casquinha supercrocante, selando uma suculenta e saborosa carne. Um de seus acompanhamentos - descobri sozinho, depois de muito pensar - era uma pequena jóia: pudim de ovo com algas kombu formando lindos desenhos, ao dashi e wasabi. Por que eles não promovem, com uma placa, com uma fachada mais limpinha ao menos, que lá se faz comida japonesa autêntica e de qualidade? Por que não explicam, valorizam as supercriativas e delicadíssimas porções que compõem os teishokus? Talvez porque tudo tem que combinar com aquele outro cotidiano: com as mesas vizinhas só falando japonês, com a avó assistindo à NHK, com as crianças se revezado entre o dever de casa e a limpeza das mesas. O Kidoairaku é um daqueles casos em que a comida te leva para além do prato, para outra realidade. Que mais esperar do que consideramos o melhor oriental?
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Braulio Pasmanik (Empresário e gourmet) - O teishoku, equivalente ao nosso "almoço comercial", é bem servido e gostoso. A milanesa de porco é macia e sequinha. Os acompanhamentos tradicionais nesse tipo de serviço incluem picles, salada, vegetais, arroz e missoshiro. Um molho do tipo inglês e adocicado fica na mesa e é sugerido para acompanhar a milanesa. Não é melhor nem pior do que aquilo que outros restaurantes japoneses oferecem em nossa cidade.
Jacques Trefois (Consultor de vinhos e gourmet) - Simpática e simples casa japonesa, cujo nome não é nada fácil de pronunciar. Um bom sinal: a freqüência é 95% de orientais. Razoavelmente boa a milanesa de porco e seus numerosos acompanhamentos. Para meu gosto, a carne poderia ser um pouco mais passada. Voltarei nessa casa (que ainda não conhecia) para experimentar outros pratos.
Luiz Horta (Editor-assistente do Paladar) - Perfeita milanesa de porco, legumes no ponto, uma espécie de peixe, um ovo num mosaico de algas, coisas anônimas para mim e cheias de sentido no paladar. A aventura, perdida na tradução, mas recuperada no sabor. Tóquio viável.
Miguel Fazanella (Médico-empresário) - A casa assusta um pouco a primeira vez: "Será que é aqui mesmo?", pensei. A senhora na porta, mãe do mestre-cuca, sempre atenta, me confirmou. Já a nora, aos poucos, foi quebrando o gelo comigo, já que estava sozinho no balcão. Muito bom teishoku. O porco empanado poderia estar um pouco mais sequinho, mas mesmo assim estava saboroso. Os acompanhamentos idem. O arroz um pouco "too sticky". Simpática e singela sobremesa que lembra os bons tempos do Suntory. Shochus, destilados...experimentei vários na casa. Muito bom o de arroz para quem gosta de bebida mais seca e forte que o saquê. Vale conhecer.
Neide Rigo (Nutricionista e autora do blog Come-se) - Meu segundo preferido, o tonkatsu teishoku, do Kidoairaku, praticamente empatou com o lamen - uma refeição caseira, prazerosa, carne familiar e gostosa. Acho que só decido pelo primeiro pela leveza e aroma do caldo. Mas voltaria agora para comer os dois.
Patrícia Ferraz (Editora do Paladar) - Milanesa de qualidade, crocante e sequinha, escoltada por interessante e (quase) indecifrável guarnição.
Roberto Smeraldi (Diretor da ONG Amigos da Terra) - Textura e sucos da carne surpreendem por sobreviver a uma fritura profunda com imprevisível maciez. E a crosta que protege e sela este bife de porco - cujo corte não se consegue mesmo identificar - é forte e sequinha. Aliás, um boteco notável.
Rosa Moraes (Diretora do centro de gastronomia da Anhembi-Morumbi) - Impossível não falar do exotismo do lugar. A receita é bem executada e bem gostosa. Limpei o prato.
Silvio Giannini (Editor do guia Time Out Brasil) - Este prato clássico da gastronomia japonesa, uma espécie de PF (prato feito comercial) é, em si, uma aula de iniciação avançada da culinária japonesa para além do mundo dos sushis. Infelizmente, no entanto, a carne de porco, frita e empanada como milanesa, estava excessivamente gordurosa e não estava à altura dos excelentes pratos que a escoltavam - além do melhor missoshiro que já provei, uma ótima conserva de legumes (o tsukemono) e o pepininho agridoce em conserva (sunomono) deixaram saudade.
Luiz Américo Camargo (Editor de suplementos de O Estado de S. Paulo) - Assim como aconteceu no Aska, sentei no balcão, onde só havia japoneses e descendentes - as mesas estavam ocupadas. A delicada atendente pegou o pedido e até que demorou para trazê-lo. Mas o filezão de porco - um pouco duro, fibroso, apesar de o empanado estar muito bem feito - é interessante, e seus acompanhamentos, bons coadjuvantes - gostei muito do missô e de um peixe (pescada?) empanado. Preciso voltar para provar outros itens.