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Nada de essências nos produtos Corallo

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Cíntia Bertolino

Na boca, a lasca perfumada é uma viagem quase alucinógena. Não precisa muito. Basta um fragmento desse autêntico grand cru escuro 100% cacau de Claudio Corallo, produzido na plantação de Terreiro Velho, em São Tomé e Príncipe, para se ter a impressão de que ali está o chocolate primordial, o elo recém-descoberto de uma origem intocada, utopicamente bela e livre dos excessos de gordura e açúcar.

A materialização do chocolate ideal vem na forma de barras e bombons produzidos pelo italiano Claudio Corallo em São Tomé e Príncipe, na costa africana. Essas duas ilhotas abrigam sua plantação de cacau e a fábrica de chocolate, onde trabalham Cláudio e seus filhos Niccolò e Amedeo.

Os chocolates que produzem estão ficando cada vez mais conhecidos e renomados. No ano passado, estrelaram reportagem publicada no Paladar na edição de Páscoa. A revista Saveur apontou-os como dos melhores do mundo.

O segredo da excelência desses chocolates está na preservação da qualidade das sementes e no cultivo zeloso dos cacaueiros com técnicas biodinâmicas. Esses cacaueiros, que produzem o único cacau certificado pela Demeter, têm, na verdade, origem verde-amarela. Começaram a ser cultivados em solo africano a partir de mudas de amelonado forastero levadas do Brasil, em 1819.

Para aproveitar a extraordinária matéria-prima, os chocolates da marca têm, no mínimo, 70% de cacau. E seja qual for a porcentagem escolhida, todas as barras preservam a textura que custa a derreter e uma consistência de fazer tilintar o céu da boca.

O sabor ancestral, o gosto telúrico, vêm do próprio cacau, que não é triturado até virar um pó insosso, como fazem produtores menos cuidadosos de chocolate. O cacau usado pela marca é moído até que se possa extrair partículas minúsculas e delicadas, que permanecem na boca.

Esse chocolate superior, de personalidade forte, infelizmente ainda está restrito a poucas chocolaterias na Europa e bons restaurantes como o italiano Combal.Zero, do chef vanguardista Davide Scabin, classificado com uma estrela Michelin.

Há oito meses foi inaugurada a primeira loja Claudio Corallo. Administrada por Bettina, mulher do produtor e sua filha Ricciarda, ela fica em Lisboa. É pequena e discreta. Quase não há peças decorativas, apenas os pacotes laminados de chocolate sobre o pequeno balcão de vidro. O ambiente monástico, com seu piso de pedra rústica, funciona como um perfeito contraponto à exuberância do produto à venda, intensamente prazeroso. Ali também se toma um café excelente, outro grão cultivado com o cuidado da família, feito com três variedades de Arábica.

A chocolateria fica numa ladeira, próxima ao boêmio Bairro Alto, em Príncipe Real. Uma visita e muitos chocolates depois, é só sair pela rua e tomar o elétrico. Feliz da vida.

Claudio Corallo
Rua Cecílio de Sousa, 85
1200-100, Príncipe Real
Lisboa - Portugal
(35) 1 213 862 158

 

O que provar? Rigorosamente tudo

Não se acanhe, peça um pedaço de cada um dos chocolates da vitrine.

100% - Ao contrário de outros 100%, este não agride a boca com amargor. É chocolate no estado mais puro. Forte e suave, ao mesmo tempo.

Naturalmente adocicado.

80% - O gosto de cacau continua latente, mas os 20% de açúcar cristal o deixam mais doce e levemente crocante.

Delicioso e surpreendente.

75% - O açúcar é moído com o cacau. É o mais doce.

73% com gengibre - O gengibre cristalizado vem da Tailândia. Com sabor marcante, combina maravilhosamente com o chocolate.

73% com laranja - A clássica combinação parece ainda melhor graças à qualidade do chocolate e a delicadeza da laranja cristalizada italiana.

70% com nibs - A semente de cacau torrada e triturada, nibs, lembra amêndoa e dá o crocante. Muito saboroso.

Esferas de gengibre - Potente. Os círculos de gengibre são cobertos com chocolate 100%.

Loucuras de café - Um acontecimento. O chocolate dissolve e o grão torrado revela o mais puro café.

Bombom com passas e destilado de polpa de cacau - Considerando a qualidade do chocolate, é quase sacrilégio usá-lo para cobrir as passas embebidas no destilado com 74% de teor alcoólico. O gosto do álcool mascara o do chocolate.

Sorvete de chocolate - Uma mistura felicíssima de açúcar, água e cacau vira um sorvete cremoso, doce na medida, com sabor inesquecível de chocolate.

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chocolate; Claudio Corallo; Portugal

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