O segredo está na constância e na ilusão

José Francisco Sanchéz
professor da Universidade de La Coruña e diretor executivo do Grupo Voz(Espanha)


Querida turma,

Francisco Ornellas, coordenador do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado, pediu-me que escrevesse a apresentação do Banco Estado de Talentos deste ano. Hoje, em Pamplona, abri o computador e, antes de começar a escrever para cumprir a missão, pensei a quem teria de escrever. Este texto tem dois destinatários muito diferentes: seus empregadores e vocês mesmo, que guardarão este exemplar como um livro de graduação, onde estão todos os seus companheiros. Lhes disse, um dia, que é muito importante ter a audiência em mente. Decididamente que é.

Também pensei no que deveria dizer. Uma só coisa, porque concordamos em que dizer várias atrapalha o leitor. Graças a Deus, teria muito de onde escolher. Poderia, por exemplo, explicar que o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado é uma garantia de qualidade. Mas, para que dizer se vocês já sabem disso e seus possíveis empregadores têm comprovado sua eficiência há nove anos?

Poderia ainda apresentá-los um a um. Mas, melhor do que eu próprio os conheço, são as páginas que se seguem, onde quem os querem empregar poderão encontrar os dados mais importantes, ainda que não os mais significativos.

Poderia contar minha experiência nestes últimos três anos como professor do Curso, desde que a Universidade de Navarra o reconheceu como Extensão Universitária. Vejo-me agora mesmo em dificuldades, pois como poderia dizer o que penso sem causar mágoas? O que pensariam meus alunos de Pamplona se dissesse que entre vocês - e as turmas anteriores - estavam muitos dos alunos mais brilhantes que jamais tive?

Pensariam que sou um populista e demagogo. E que me veio uma vez mais a incorrigível veia sentimental. Por tudo isto não o direi. Mas, permito-me o seguinte desabafo.

Não sei onde foram encontrá-los apara reuni-los no Curso, nem como o fizeram, embora saiba que vocês foram selecionados entre quase mil pessoas. Mas algo é indiscutível: eu nunca havia visto uma concentração tão grande de gente ansiosa por aprender, de melhorar. Nem, com tantas condições para faze-lo. Talvez por isso, aprendem tão bem e tão rápido o calor de uma experiência com o Jornalismo maiúsculo de um dos melhores jornais do mundo - O Estado de S. Paulo.

No edifício onde eu vivia há algum tempo havia uma mulher na portaria. Chamava-se Petra e éramos muito amigos. Todos os dias, quando eu chegava da Universidade, ela me perguntava o que havia feito. E eu não sabia como explicar-lhe em poucas palavras. E quase sempre dizia-lhe a mesma frase:

- Você já sabe, Petra. Ensinei aos jovens.

E ela respondia sempre com uma mesma frase:

- E eles aprenderam?

Claro, nada se ensina se alguém não aprende. Vem daí minha satisfação como professor. Esta poderia parecer a parte menos importante para os demais leitores desta apresentação, que me vem à mente ao redigi-la. Só a eles. De minha parte, incumbido de encontrar jornalistas para minha empresa, só isto me preocuparia. Que tenham e conservem uma virtude maravilhosa: trabalhem com vontade de aprender e melhorar. Sempre. E nisto vocês, assim como aqueles que os precederam, são imbatíveis.

Pois isto era o que lhes queria dizer. E agradecer-lhes porque ensinar gente assim é sempre uma satisfação. Por isso, quando deixo São Paulo - já o dizia à turma anterior - fico sempre triste. Como os instrutores de vôo: quando descem do avião e deixam o novo piloto sozinho, têm de calar, desaparecer e deixá-los voar só. Têm também de rezar para que nada de ruim lhes aconteça, para que decolem sem problemas. E torcer para vê-los entrar, um a um, no céu. Mas eles, os instrutores, sentem medo e grudam a orelha no rádio. Como eu, permanentemente sintonizado na carreira de vocês.

Um abraço.
José Francisco Sánchez