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Alline Dauroiz
"Ingressar no 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Grupo Estado representou, além de uma grande conquista, a oportunidade de estar do lado mais interessante da notícia: o de quem pode contá-la. A experiência de dois anos e meio na assessoria de imprensa de uma grande empresa foi muito enriquecedora, mas a vontade de escrever reportagens e histórias do cotidiano, de maneira precisa e criativa, falou mais alto. Precisava abrir uma porta para novas descobertas.

Os quase 100 dias valeram por uma universidade. Aulas de gramática, qualidade do texto jornalístico, política, economia, filosofia, ética, administração de carreiras e até etiqueta aprofundaram temas abordados superficialmente pela faculdade.

A chance de conversar sobre o início da carreira e aventuras na profissão com Ricardo Kotscho, Juca Kfouri, Boris Casoy, Lourival Santanna, José Maria Mayrink, entre outros profissionais renomados, incentivou a persistir no caminho da boa reportagem. A paixão pelo jornalismo mostrou que, mesmo com anos de experiência, é possível manter a garra e a vontade de aprender de um iniciante.

Na prática, produzi matérias a respeito de diversos assuntos. Redescobrir o centro de São Paulo ou o Parque do Ibirapuera, por exemplo, tornou-se um desafio para o meu acostumado olhar paulistano. Aliás, uma das grandes lições aprendidas foi que um bom repórter deve buscar novidades onde os outros já estão cansados de ver.

Cada avaliação trazia a vontade de superar. E como é visível a evolução! As criteriosas correções de textos deram o retorno dos esforços. Nessa etapa, as dicas e orientações dos editores foram fundamentais. Os jornalistas Francisco Ornellas, Márcia Guerreiro, Luiz Carlos Ramos, Eduardo Martins e Paco Sánchez acompanharam nossa breve trajetória e ensinaram mais do que técnicas de reportagem. Eles mostraram que o bom jornalista precisa aprofundar notícia, equilibrar razão e emoção, humanizar os fatos, conhecer sua comunidade, ter disciplina, coragem e sorte.

Ser repórter não é fácil. Mas ter um texto bem escrito publicado em um dos mais importantes jornais do País compensa qualquer sacrifício. Da escolha da pauta à busca pelo inédito; da disputa pelo furo à loucura do fechamento. Conviver nas redações mostrou toda a complexidade envolvida em publicar um jornal no dia seguinte.

Nesses três meses, descobri que para uma boa apuração tem de se gastar muita sola de sapato; assim como a sensibilidade (o saber olhar, ouvir e pensar) é fundamental ao bom repórter. Aprendi que antes de tudo, é necessário humildade; a escrever sempre pensando no leitor; e nunca achar que chegou ao topo. Este é o momento exato de aprender algo novo."

Ana Carolina Moreno
"Escrevo este texto em um dos computadores da redação do Estadão. O vento seco do ar-condicionado carrega pelo ambiente os toques dos telefones, as batidas nos teclados e os passos de repórteres e editores, cada vez mais rápidos enquanto se aproxima o deadline. Ao lado, dois repórteres de Cidades discutem o fechamento de uma matéria sobre corrupção. Pelos corredores passam repórteres especiais e editores executivos. Passam também outros nomes menos conhecidos, mas com o mesmo olhar compenetrado de quem tem poucas horas para deixar a página pronta para as gráficas.

Poder sentar aqui, assistir a tudo isso de perto e, mais vezes do que o esperado, ainda ter a chance de ajudar a produzir o jornal é apenas uma das valiosas experiências que levo comigo após os três inesquecíveis meses como a Foca 2 do 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado. Listar todas seria impossível, e iria contra muitos dos ensinamentos recebidos durantes as aulas. Também não consigo enumerá-las: os dois repórteres de Cidades debatem agora calorosamente sobre a matéria de amanhã.

Deixo, então, à imaginação de quem não estava lá, e à memória de quem viu tudo de perto, alguns momentos e instantes marcantes. A ansiedade antecedente à chegada de palestrantes que já admirava, como Juca Kfouri ou Lourival Santanna. A agradável surpresa de descobrir personalidades incríveis em pessoas até então quase desconhecidas para mim, como Alberto Luchetti e Maílson da Nóbrega.

Ser foca, porém, não é ser tiete. Dá trabalho, e muito. Horas de aulas de português, ética, filosofia, economia, política e até etiqueta. Nas redações, descobríamos que os focas eram guiados com regras mais rígidas, em comparação com os jornalistas do Grupo. Não começar frases com aspas. Contar o número de "que" e "é" no texto. Atenção ao Manual até nos mínimos detalhes, como os centavos após as cifras. Bem disse o professor Luiz Carlos Ramos: "Aqui é tratamento de choque mesmo." Ainda que alguns jornalistas mais experientes estranhassem tantas amarras, o texto sempre terminava melhor quando as regras eram aplicadas. Aprender a fazê-lo sem precisar ver seu texto sangrando em rabiscos vermelhos no telão é a motivação que me faz dedicar cada vez mais atenção à revisão. Na redação, afinal, o tratamento de choque é muito pior.

Durante as semanas, fomos acumulando conhecimento, e as pautas nos levavam sempre a novos desafios. Alguns mais intimidantes, como o que um dos repórteres que há pouco debatiam a pauta deve estar enfrentando agora, ao telefone, conversando em off com uma das fontes. Em todas as matérias, no entanto, precisão, qualidade e fluidez eram elementos essenciais, e ninguém chegou perto de merecer que a forca ou o chicote fossem incomodados em seu canto. Talvez o coordenador Chico Ornellas não seja tão bravo quanto no vídeo oficial do curso ou na entrevista de seleção. Digo isso para evitar o desencanto: ele realmente não é tão bravo assim. O tempo deve tê-lo amansado, como também pode ser o caso de Márcia Guerreiro, Luiz Carlos Ramos, Eduardo Martins e Paco Sánchez. Na realidade, só tivemos a lucrar com o equilíbrio entre o estímulo ao raciocínio e a crítica quase sempre construtiva.

Agora que o repórter colocou o telefone no gancho e desligou o gravador, o ambiente parece menos tenso, como nos dias de visitas aos patrocinadores. Assessores de imprensa e executivos preparados para nos receber, com palestras, entrevistas coletivas, visitas guiadas e, no início, meio e fim, lanches e brindes. Mimos de lado, poucos são os jornalistas que puderam conhecer de perto, e sem compromisso, o Pólo Tecnológico da TIM, em Santo André, o Pólo Petroquímico do Sul, em Triunfo (RS), que hospeda a Copesul e a Braskem, e a fumicultura de Santa Cruz do Sul, também em terras gaúchas, onde fica a fábrica da Philip Morris.

Hoje, 15 semanas e 4 cadernos depois, tento digerir, processar e absorver tudo o que vi, ouvi, li, debati e anotei. A tarefa vem se mostrando trabalhosa e, ao mesmo tempo, proveitosa. Sim, Paco, sou poeta. Mas, não fosse por você, a situação seria muito pior. Meses após as suas aulas, sua voz ecoa na sala de vez em quando: "pseudojornalistas".

As dicas em portunhol continuam vivas entre nós, assim como inúmeras outras, dispensadas com muito boa vontade pelos exemplos de sucesso na profissão que nos visitaram. "Tomar sorvete antes de escrever" é, pessoalmente, uma das minhas favoritas. A essencial, porém, foi repetida por todos os jornalistas que viemos a conhecer, cada um à sua maneia: nesse ramo, não há receita para o sucesso. Não há modelo de lide perfeito em todas as ocasiões. Não há tamanho ideal para uma frase. Tudo depende do discernimento de cada um.

Os parágrafos poderiam se multiplicar e, ainda assim, precisaria de três meses de texto para relatar os três meses de curso. Mas o meu deadline já chegou, então eu fico por aqui. Diferentemente dos dois repórteres ao meu lado. Depois de uma discussão sobre a fonte em off, eles já entrevistaram outras pessoas, conversaram com o editor e discutem mais um pouco. A matéria de amanhã, pelo visto, vai ser das boas."

Andressa Zanandrea
"Desde os primeiros períodos na universidade, participar do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado era um sonho. Mais que isso, uma meta. Em 2005, quando já trabalhava como repórter de Cidades no jornal A Gazeta, em Vitória, Espírito Santo, me inscrevi para a prova. Muitas pessoas falavam que era besteira fazer o curso, porque já estava em uma redação. Outras tantas me incentivavam para que viesse buscar esse aprimoramento. Não passei na primeira prova, mas não desisti e, um ano depois, escrevo este depoimento.

A experiência em um veículo de influência e circulação nacional como o Estado de S. Paulo foi enriquecedora. Ver de perto como uma grande redação funciona e ter contato com os jornalistas que fazem parte dessa engrenagem consistiu um grande aprendizado. As palestras de profissionais como Lourival Sant'Anna, Juca Kfouri, Vidal Cavalcante e Eduardo Nunomura me transmitiram muita garra e vontade de querer sempre mais, além de lições a serem levadas pela vida inteira.

As aulas de política, texto jornalístico, ética, economia, filosofia e etiqueta ampliaram meus conhecimentos. As recomendações de Paco Sánchez, Francisco Ornellas, Márcia Guerreiro e Luiz Carlos Ramos também foram preciosas e, além da técnica, despertaram a sensibilidade que todo jornalista deve ter. Conviver com outros 29 colegas de várias partes do País durante três meses, em que praticamente não existiu outro assunto senão o jornalismo, foi um desafio que me permitiu aprender ainda mais a partir das diferentes personalidades, culturas, costumes e sotaques.

Após esse período de atividades realmente intensivas, posso dizer, sem hesitar, que estou mais bem preparada que quando cheguei ao primeiro mezanino da sede do Grupo Estado. Além de ter sido um ótimo aperfeiçoamento, tenho ainda mais certeza de que quero ser jornalista. Sem nunca perder a humildade e a curiosidade que todo foca deve ter."

Bruna Fioreti
"Foi em meio ao fechamento do jornal em que eu trabalhava, em São João da Boa Vista, numa sexta-feira, que recebi a notícia de que fora aprovada para a entrevista do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Grupo Estado. Eu não tinha a dimensão de como aquele dia mudaria minha vida. Rescindir contrato, ficar sem dinheiro por três meses, deixar o interior. E o que parecia problema foi a melhor solução. Morar em São Paulo só não era sonho maior que trabalhar no jornal que aprendi a gostar desde a adolescência: o Estado de S. Paulo.

Eu já vinha semanalmente a São Paulo para o curso de especialização, mas morar na capital foi diferente. Experiência sem volta. No curso, se aprende mais sobre como ser jornalista profissional. Aulas, reportagens, passagem pela redação e viagem trouxeram conhecimentos e amigos. Foi a reprodução de forma intensiva do dia-a-dia do jornalista. Só vivendo para saber.

Como foca da 17ª turma, posso afirmar: o curso funciona. Com a jornalista Márcia Guerreiro, reaprendi o que é reportagem. O texto, a apuração, a responsabilidade, o valor do seu nome assinado na página. Com o jornalista Luiz Carlos Ramos, entendi a importância de me dedicar e, principalmente, de ter cuidado com cada detalhe do texto. O espanhol Paco Sanchez mostrou como reproduzir no texto a sensibilidade que todo jornalista deve ter. Do coordenador Francisco Ornellas e de tantas outras pessoas que conversam conosco nesses meses, levo frases que vejo como trunfos. "Deus está nos detalhes", diria o Chico. Com razão.

É isso que o curso mais me ensinou: a ver que, no jornalismo, cada detalhe faz a diferença. Quem tem a oportunidade hoje de treinar a profissão de maneira intensiva por três meses? Ser foca do Estadão é ter a chance de cometer erros, conhecer-se melhor, ampliar o repertório cultural, para, mais tarde, não errar tanto nem frustrar-se.

Treino, escola e redação, o curso intensivo dá, em três meses, o amadurecimento profissional que muitos demoram anos para adquirir. Nele, se aprende que ser foca é bom para sempre, porque o foca não se acomoda, busca o novo, quer extrair o melhor da profissão. Por isso, termino o curso com fôlego para trabalhar e convicta de ter escolhido a carreira certa. Não desmereço a faculdade nem a experiência de trabalho que tive, mas só agora me sinto plenamente jornalista.

Se for verdade que o bom jornalista tem esforço e sorte, o curso me deixa com a melhor das perspectivas. Aprendi a me esforçar como nunca, e sorte eu tenho: a maior prova é ter passado por aqui."

Bruno Dias
"Atravessar quase diariamente a Ponte do Limão e chegar ao prédio do Grupo Estado. Trabalhar das 9 às 21 horas ou até mais, e estar animado para o dia seguinte. Participar do 17º Curso Intensivo de Jornalismo do Estadão representou a busca por conhecimento e superação dos limites.

Morar em São Paulo e conhecer uma grande redação eram objetivos após a graduação. O curso concretizou os dois. Não tive dúvidas em trocar o emprego num jornal sindical no Rio de Janeiro pelo batente na cidade que não pára. Eu e meus colegas fomos recebidos como profissionais e instigados a aproveitar todas as experiências. Com elas, entendi que o jornalismo vai além das perguntas quem?, quando?, onde?, como? e por que?.

Segundo os mais antigos, a prática nas redações faz esquecer a necessidade de formação contínua. O curso mostra que esses aspectos devem caminhar juntos. As aulas abordaram temas atuais em política, filosofia, economia e ética, sempre com foco na relação dos conhecimentos com o dia-a-dia da profissão.

Para chegar lá, precisa-se muito exercício. Nas aulas e textos, os editores mostraram os aspectos necessários para a execução de matérias com qualidade. Rigor na apuração e clareza na reportagem, fundamentais para entender o mercado do alumínio. Rapidez na edição e concisão na análise do segundo turno presidencial. As pautas livres alimentaram a criatividade e inteligência em busca de boas histórias no centro, Parque do Ibirapuera e em Marsilac. A viagem à Santa Cruz do Sul juntou todos os aspectos para entender a indústria do tabaco e descobrir os girassóis no meio das lavouras de fumo.

O momento mais esperado - a prática nas redações - chegou na terceira semana. Nas editorias pelas quais passei, os jornalistas do Grupo abriram espaço para trabalhar em quase todas as etapas da produção dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Vi o furo na concorrência ser publicado e acompanhei a preparação das equipes para coberturas especiais. Nos dias atribulados, escrevi sobre a crise na aviação. Nos mais calmos, apurei a volta do feriado.

O contato com colegas mais experientes não se restringiu às redações. Nos bate-papos com jornalistas renomados pude perceber que a profissão não é fácil nem para eles. Dormem várias noites com o texto na cabeça para chegar ao lide certo e continuaram depois das negativas.

Não consigo mensurar os resultados, mas já os vejo neste texto. Foi uma vivência rica e uma nova perspectiva de carreira no jornalismo. Não poderia esquecer dos amigos descobertos nesses três meses. A convivência com os demais 29 focas foi enriquecedora, e nossos momentos vão propiciar belas lembranças.

A estrada está aberta para ser trilhada. No próximo ano, outros focas ocuparão as bancadas da sala. Sigo no jornalismo certo dos passos a dar, para cada dia crescer nessa profissão que paga pouco, mas recompensa em vivência. E seguirei atento às margens, observando a beleza, a miséria e os mistérios do caminho. Saber olhar, saber escutar, saber pensar."

Camila Neumam
"Quando decidi concorrer a uma das 30 vagas para o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado de O Estado de S. Paulo, apostei todas as fichas na chance de trabalhar em um grande jornal. Quando soube da aprovação, já trabalhava como repórter, mas não tive dúvida da oportunidade. Após três meses de curso, semelhantes a quatro anos em uma excelente universidade, aprendi na prática que o bom jornalismo se faz pela ética e qualidade do conteúdo. Não é à toa que a casa é centenária.

Tive a oportunidade de conhecer grandes jornalistas do Estado, de outros veículos, inclusive internacionais, que nos contaram como fazem um jornalismo sensível, transformador da realidade, sem deixar a notícia de lado. Uma semana com o doutor em Comunicação da Universidade de Navarra, Paco Sánchez, foi o suficiente para ensinar aos 30 focas a importância de "mirar, escuchar, leer, pensar y escribir". Palavras que carregarei por toda a vida.

Lourival Santanna, Mayrink, Pisa, Nunomura, Lombardi, Godoy, Ornellas, entre outros repórteres, dotados de tais qualidades, fizeram questão de nos dar toques essenciais de audácia e coragem. Mais uma lição: mostrar os fatos, não apenas contá-los (show, don´t tell). O contato com os fotógrafos Vidal Cavalcanti e Epitácio Pessoa, reforçou a idéia da boa reportagem atrelada à genialidade da foto. Os trabalhos, junto aos repórteres na redação, me proporcionaram aulas de texto, concisão e profissionalismo, sem colher de chá. Alguns, em especial, permanecerão como referência.

Nas aulas de filosofia, ética, economia e história, refletimos sobre a necessidade de pensar e de ampliar conhecimentos, tanto quanto escrever, em respeito ao leitor. E além do conteúdo maciço, a convivência com os colegas de diferentes estados, sotaques e culturas foi enriquecedora. A cada conversa, referências de músicas, livros e filmes.

Na hora de fazer as matérias propostas ao longo do curso, mais surpresas. Entrevistas com autoridades, pessoas comuns, até políticos mensaleiros. As andanças pelo centro de São Paulo e Parque Ibirapuera, na companhia do professor Luiz Carlos Ramos, foram aulas de jornalismo sentido na pele. "Lugar de jornalista é na rua". As visitas ao pólo petroquímico e a indústria do fumo, no interior do Rio Grande do Sul, uma visão parcial da economia do País.

A produção do caderno especial foi a última grande lição. Márcia Guerreiro, editorialista do Estado, mostrou o porquê abordou o tema "qualidade no jornalismo" logo na primeira semana do curso. Foi dos trabalhos jornalísticos mais completos que fiz.

Por fim, tenho certeza de estar mais preparada e confiante para encarar novos rumos no jornalismo impresso, carreira que sempre fui apaixonada e hoje me fascina ainda mais."

Carolina Oddone
"Praça da Sé, centro de São Paulo. Missão: buscar uma pauta. A primeira atividade sugerida pelo jornalista Luiz Carlos Ramos deu o tom de como seriam aqueles três meses de Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estadão. Eu, paulistana de tudo, ia finalmente ter tempo para descobrir locais e personagens da minha cidade. Poderia enxergar o lugar onde nasci já com olhos de jornalista formada. E, melhor ainda. Submeteria minhas matérias para a avaliação de um editor experiente. Sem a condescendência de professor de faculdade, nem a pressa do chefe de redação.

Pois bem. Agora, 100 dias depois daquela primeira manhã na sala dos focas, posso afirmar que a decisão de protelar o ingresso no mercado foi acertada. O curso do Estadão não só me ajudou a escrever melhor, mas também ampliou meus conhecimentos humanísticos. Ao longo destes dias todos, tivemos contato com especialistas em Direito, filosofia, economia, política, ética. Para o texto, dicas do Luiz Carlos Ramos, Francisco Ornellas, Márcia Guerreiro e Paco Sánchez foram preciosas. Sugestões que nos fazem refletir. Como é que eu não pensei nisso antes? O período de rodízio nas editorias do Grupo Estado foi outro ponto alto do curso. Impossível relatar a alegria de ver minha primeira nota publicada espremida entre tantas outras do caderno Metrópole. Aproveitei o máximo que pude o convívio com os repórteres da casa. Ouvimos muitas histórias ao longo destes três meses. Verdadeiras lições de profissionais com mais anos de carreira do que eu de vida. Luiz Carlos Merten, José Maria Mayrink e Ricardo Kotscho nos ensinaram, no entanto, que é a alma jovem que os faz excelentes jornalistas.

No dia 8 de dezembro, deixo de ser a Foca 7. Acaba, por hora, o convívio com os 29 colegas de profissão. Não faltaram sotaques e opiniões. Na sala gelada do primeiro mezanino, aprendemos juntos. Dividimos a emoção de apurar e compor um caderno especial. Lemos, relemos. Escrevemos, reescrevemos. Continuaremos todos em busca da matéria perfeita. O próximo encontro já está marcado: a Redação."

Carolina Freitas
"Revejo os registros deste sonho realizado. No bloquinho de notas, garranchos ávidos para o desempregado nordestino Francisco Cavalcante à espera de trabalho na escadaria do Teatro Municipal, para a idosa Maria de Lurdes Cotrin arrastada 100 degraus acima até a urna nas eleições presidenciais, para o fumicultor do interior do Rio Grande do Sul Fábio Morsch com seu pescoço vermelho do sol quente da lavoura. No caderno de capa laranja, letras redondas para os repórteres-ídolos Roberto Godoy, Paco Sánchez, Ricardo Kotscho e Lourival Santanna, mestres na tarefa de moldar minhas aspirações e métodos de jornalista.

Três meses se passaram. O Curso de Jornalismo do Estadão despede-se de mim com o aceno triste de quem não quer deixar ir embora um filho querido. Cada um que abriu sua vida para minha caneta curiosa por novas histórias é um pouco pai e um pouco fruto de minha formação de repórter. Quem se dedicou a rabiscar minhas matérias e corrigi-las com firmeza em frente aos colegas ensinou, para eu nunca mais esquecer, a importância do texto criativo, ousado e, acima de tudo, correto.

Com os 29 colegas jornalistas, jovens como eu, dividi sala de aula e redação do jornal durante até 19 horas em um dia. Conversas densas sobre a estrada trilhada até ali com o pé cravado no chão e a cabeça confortada por nuvens de sonho. Revisões exaustivas das matérias hoje impressas em papel jornal, em nosso caderno especial sobre trânsito. Trabalho colaborativo, sem assinaturas no alto da página, mas com todo o gosto de saber da miscelânea de sotaques, estilos e convicções desenhados em cada linha das reportagens.

Orientadores, editores, entrevistados e colegas. As pessoas foram a grande descoberta destes 100 dias intensivos, durante os quais cumpri uma rotina diária mínima de 12 horas de jornalismo, por paixão e vício. Confiaram na minha capacidade. Acreditaram no brilho dos meus olhos ao pisar pela primeira vez na redação dos focas do Estadão ainda para o teste de seleção. E se me perguntarem hoje o quanto gosto da profissão, o coração vai pulsar ligeiro e a garganta vai enosar num quase choro. A paixão me trouxe até aqui, e com ela sigo daqui para frente."

Danilo Gregório
"Logo no primeiro dia, o recado do coordenador do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado, Francisco Ornellas, foi claro: a sala dos focas, no primeiro mezanino do edifício do Grupo Estado, não era um ambiente acadêmico, mas profissional; estávamos diante de editores, não de professores. Obviamente, qualquer ranço de imaturidade ou de comportamento escolar deveria ser deixado para trás. No entanto, sou levado a dizer que os últimos três meses que passei no prédio do Estadão foram, sim, uma grande escola. E recebi ensinamentos dos melhores mestres.

Pode parecer injusto para a minha faculdade, mas admito que aprendi mais da profissão neste período do que nos quatro anos de rotina universitária. Se na academia treinei a reflexão, no curso pratiquei o raciocínio lógico acelerado, somado à obrigação de produzir matérias mais bem acabadas e apuradas. Cuidados que jamais tive com um texto se tornaram indispensáveis. A qualidade na reportagem, que antes pensava pertencer somente aos mais experientes e talentosos, virou meta atingível.

Entre os pontos altos, cito as horas em que estivemos sob a orientação dos jornalistas José Francisco Sánchez, Luiz Carlos Ramos, Chico Ornellas e Márcia Guerreiro. Cada um com seu estilo, imprimiram em mim, e com certeza nos outros também, a paixão pelo bom jornalismo, dividido em momentos de poesia e de suor. Como retribuir tantas lições? A diversidade de dicas também me fez perceber que, de fato, não existe fórmula para um texto bem escrito. Mas é certo que nenhuma matéria sobrevive sem o emprego boas doses de dedicação, persistência e criatividade.

Havia grandes expectativas, claro, quanto ao trabalho nas redações do Grupo Estado. As passagens pelas editorias foram melhores do que imaginava. Fica até difícil escolher uma preferida. Acho que o corre-corre da procura pela informação mais importante e a adrenalina do fechamento, num veículo da grande imprensa, são experiências que todo foca deveria buscar. E, se tiver sorte, ao lado de profissionais competentes como os que conheci e de ótimos colegas como os do curso."

Elisângela Magarotto
"Desde 2002, no início da faculdade, sabia que o Estadão tinha um dos cursos mais importantes do País para jornalistas. Às cinco horas de uma tarde de agosto, chegou na minha caixa de entrada o e-mail com o assunto "Curso Intensivo de Jornalismo". Era a chance para começar a ser profissional. Alguns dias depois, fiz a famosa e temida entrevista, com Francisco Ornellas e Carlos Alberto Di Franco, e conquistei meu primeiro objetivo. Então três meses de aulas, redação, viagem e amigos passaram voando.

Aprender a olhar para os detalhes mais sutis e escutar com atenção o que alguém quer dizer foram as primeiras lições sobre sensibilidade e jornalismo. O professor Paco Sánchez foi preciso sobre quão humana é a atividade jornalística, que tem pessoas como matéria-prima. "Precisamos ter carinho", ele dizia nas aulas, entre uma história e outra. Sem esquecer o compromisso social e seriedade, inerentes ao jornalismo.

Com o veterano editor-professor Luiz Carlos Ramos, entendi que organização e criatividade, em equilíbrio, são peças de um bom trabalho. A cada texto produzido, uma palavra de incentivo, outras tantas mostrando as falhas e tudo o que podia ser feito melhor. Lições valiosas sobre clareza e objetividade jornalística possível foram dadas por Márcia Guerreiro. Uma boa reportagem tem por trás muita pesquisa e trabalho, mas poucos pronomes relativos.

Tivemos também, durante as manhãs, aulas de filosofia, ética, economia, sociologia e marketing pessoal. As tardes são preenchidas em diferentes editorias das redações do Grupo Estado. Oportunidade única de aprender "com a mão na massa" sobre jornalismo para crianças, cultural, esportivo ou econômico, com aqueles que fazem um dos maiores jornais do Brasil.

As lições ensinadas no Curso vão além do exercício da profissão, é uma experiência para a vida. Apesar de sermos chamados de alunos, a postura cobrada é profissional o tempo todo. Nessa noite de dezembro, não tenho dúvidas que escolhi o caminho certo para começar e sinto uma vontade imensa de ir em frente para continuar colocando tudo em prática."

Gustavo Colares
"Era uma vontade antiga, de quem costumava ler a edição do Estado apenas pela internet: ser aluno do Curso de Jornalismo Aplicado do jornal mais antigo do País; um foca. Concluí a faculdade numa quarta-feira; dois dias depois já estava em São Paulo para fazer a prova no domingo. Mais três semanas, passada a entrevista e o nervosismo natural da espera pelo resultado final, e eu já me transformava no Foca 11. Tudo muito rápido, assim como os três meses de Curso e de convivência diária que deixam saudades. Rápido, mas não menos intensivo.

Inesquecível o primeiro dia, apesar do pequeno atraso. Coisa de quem ainda mantinha esperança no trânsito de São Paulo e de fortalezense acostumado a uma cidade relativamente mais tranqüila. Encontrar 29 rostos estranhos e tentar descobrir quais deles ficariam na minha memória afetiva foi o primeiro desafio. Depois vieram outros.

Textos com data e hora para entregar viraram rotina. Encontrar personagens na rua com histórias inéditas idem. Ser foca é ser desafiador. Os erros, eles sempre aparecem, servem para sedimentar passos mais largos adiante. Ser foca é admitir que há sempre algo a melhorar. O Curso Estado é onde se aprende tudo isso. Ele é, definitivamente, para quem sabe as regras de jogo e não tem medo de acertar no alvo.

Impossível esquecer da sala acolhedora do primeiro mezanino da sede do Grupo Estado, onde as aulas de filosofia, política, ética e economia acontecem. Difícil também não lembrar das confidências trocadas nos almoços, dos bate-papos sobre os costumes e sotaques de cada um, dos palestrantes que contaram as histórias mais absurdas e deram os conselhos mais estimulantes, das canetadas dos editores nos nossos textos, sempre pensando no melhor, e até das festinhas; ninguém é de ferro."

Humberto Maia Jr.
"Acredito que a carreira profissional deva ser dividida em etapas; estágios a serem seguidos que levem sempre ao progresso. Fiel a essa estratégia, fui trabalhar num jornal do interior ao sair da universidade. Bom local para começo de carreira: pouca estrutura e muito trabalho. Oficialmente um repórter, fui motorista, fotógrafo, pauteiro e editor. Ao mesmo tempo. Um ano e meio depois, porém, não havia mais nada a ser aprendido. Novos horizontes precisavam ser vislumbrados. Mas estaria eu pronto para novos desafios? Não. Assim, a etapa seguinte foi dar um jeito de entrar na 17ª Turma do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do jornal Estado de S. Paulo.

De manhã, aulas e palestras. Com o diretor do curso, Francisco Ornellas, aprendi a evitar o uso excessivo do "que" e do "é"; Paco Sánchez veio da Espanha para alertar sobre a necessidade de sermos criativos dentro das regras jornalísticas; para fugir do óbvio e do senso comum, a editorialista do Estadão Márcia Guerreiro, exultou os focas a pensar a pauta antes de executá-la; o autor do manual do Estado, Eduardo Martins, foi o primeiro (pelo menos para mim) a ensinar que verbos como lembrar, aportar e alertar não admitem o uso do "que"; e o professor Luiz Carlos Ramos? Pensou as pautas para colocar em prática os ensinamentos passados e dividiu um pouco da sua experiência de 40 anos na profissão.

À tarde, hora de testar se realmente estava preparado para conhecer os novos horizontes: a Redação. Lá, era cumprir a pauta e ver a matéria publicada no dia seguinte ou ser traído pela própria incompetência e por milhares de informações que buscavam espaço num dos mais importantes jornais do Brasil. Não serei eu a dizer se me saí bem ou não... mas posso afirmar que a experiência serviu para espantar alguns fantasmas que teimavam em me assombrar.

Hoje me sinto mais preparado para encarar os novos horizontes. Sei da necessidade de se evitar o "que" e pensar bem a pauta para fugir do óbvio. Mas tenho plena consciência de que ainda há muito a ser aprendido. Onde será a próxima etapa de meu aprendizado? Não sei. A verdade quem me falou foi o José Maria Mayrink quando o conheci na redação: "todos seremos sempre focas"."

Itamar Cardin
"Era dia da entrevista e da dinâmica de grupo. Dez alunos se encaravam apreensivos à espera de que o coordenador do curso, Chico Ornellas, terminasse de fazer uma breve apresentação. "Este é o chicote, aquela é a forca", disse, apontando para os dois objetos. "Acostumem-se. Aqui, eles serão utilizados constantemente." A brincadeira, dita entre um sorriso, aumentou a tensão da turma. E a mim, fez surgir uma questão, latente: seria este o caminho?

Quatro de setembro. As aulas começam e alguns conceitos jornalísticos considerados fundamentais na faculdade se tornam obsoletos para os professores e palestrantes. A objetividade, a imparcialidade e a pirâmide invertida, por exemplo: três grandes falácias. Por outro lado - e para quebrar ainda mais minhas certezas -, um instrumento do jornalismo vai se tornando sagrado. O lead.

Eram mudanças rápidas e repentinas. Com pouca experiência prática e ainda tentando descobrir minha identidade jornalística, sentia o bombardeio de informações me confundir. A sensação aumentou ainda mais depois de duas semanas de curso, quando houve o início do contato com a Redação. O ritmo veloz, a pressão, a falta de experiência. Qual o melhor caminho? Era difícil intuir.

Conforme o curso transcorria, no entanto, as informações passavam lentamente a se conectarem. A descoberta da lógica na construção de uma pauta e da necessidade da sutileza no processo de escrita misturava-se às histórias e relatos de grandes nomes da área. Era um mosaico jornalístico formando-se na cabeça. E, a partir de frases pequenas, consolidava-se um panorama. "Deve saber mirar", dizia um; "O jornalismo deve afligir os confortáveis e confortar os aflitos", dizia outro. A construir as bases da profissão, ia transparecendo a afeição pelo detalhe, a paixão pela escrita, o sentimento de justiça. E, principalmente: o apego ao lado humano da realidade.

Agora, o curso chega ao fim. De lembranças, talvez levarei um conhecimento maior sobre a profissão e sobre minha identidade de jornalista - além de carregar algumas boas novas amizades. De certezas, no entanto, fico com uma: jamais será possível saber qual é o caminho. Até porque, se houvesse mesmo um, eu deveria descobrir os dois lados desta história de caminho antes de segui-lo. O anverso e o reverso. Que, como queria Borges, não são nada."

Karin Hueck
"Todos os anos era a mesma coisa. Desde que comecei a cursar jornalismo, minha mãe trazia o Estado de S.Paulo, com a foto dos 30 focas selecionados, e fazia, de novo, aquela pergunta: "Quando você vai tentar o curso?" Tive de esperar o último ano de faculdade para me inscrever e, quando vi meu nome entre os aprovados, fui recebida com um "eu já sabia" em casa. Para mim, não foi tão esperado, fiquei muito, muito feliz com a convocação.

Aos 21 anos, tive meu primeiro contato com jornal diário. Talvez eu possa até dizer que foi a minha primeira experiência com jornalismo de verdade. Nunca antes eu havia entendido a profissão dessa maneira, como fruto de tanto esforço e dedicação. Nem os quatro anos de faculdade, nem os estágios anteriores puderam me ensinar isso. Percebi que tudo aquilo que eu sabia é muito pouco.

Foi muito válida a avaliação dos meus textos escritos para o curso. É ótimo ter minhas matérias analisadas por competentes editores e ver - nem sempre da maneira mais delicada - que ainda há muito a aprender. Como é difícil escrever um bom lide!

Considero também as palestras de redação, economia e política alguns dos pontos altos do 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estado de S.Paulo. Quero ter a mesma paixão pelo jornalismo, como aquela demonstrada pelos profissionais, nas conversas e entrevistas que tiveram conosco. Essa troca de experiências, aliás, é válida, e serve para estabelecer contatos com pessoas que potencialmente podem ajudar um iniciante na profissão. Assim, a passagem pela redação foi, para mim, marcante. Gostei de ter colaborado para editorias que inicialmente não me interessavam muito. Eu não imaginava que poderia escrever para esportes, por exemplo.

Da mesma maneira, creio ter aprendido com os meus colegas de curso. A turma é muito boa e tenho certeza de que renderá excelentes profissionais. O fato de cada foca ter experiências de vida muito particulares só enriquece a convivência. Os sotaques característicos e as expressões próprias muitas vezes causaram divertidas discussões. Afinal, o certo é dizer "biscoito" ou "bolacha"? Polêmicas à parte, diante de tamanho aprendizado, é impossível imaginar que só se passaram três meses desde o início do curso. Recomendo-o a todos..."

Karina Toledo
"Os três últimos meses voaram. Mas as experiências nesse período foram tantas e tão ricas, que me proporcionaram um grande crescimento profissional. Aprendi mais sobre estrutura de texto com as correções certeiras de Márcia Guerreiro que ao longo dos quatro anos de faculdade. Percebi, com a sutileza de Luiz Carlos Ramos, que uma boa apuração e um texto preciso não bastam para fazer um bom repórter. É preciso criatividade, ousadia, entrega. Já o Chico... nunca vi alguém com tanta habilidade para decifrar pessoas e perceber até que ponto é possível pressioná-las para extrair o melhor.

Na redação, encontrei ídolos que, até então, eram apenas nomes no papel. Vibrei a cada texto publicado, ainda que fosse apenas uma breve arduamente disputada com Luiz Carlos Merten, no Caderno 2. Entendi melhor a tal "profissão repórter" graças ao contato com grandes nomes do jornalismo brasileiro, como Ricardo Kotscho, Boris Casoy, Juca Kfouri, Eduardo Salgado e Lourival Santanna, entre tanto outros que passaram pela sala do focas. As aulas de texto jornalístico com Paco Sánchez e as palestras sobre ética, economia, política e filosofia completaram a formação.

A convivência com os outros focas, além de prazerosa, também foi instrutiva. Conheci pessoas muito competentes e interessantes, apesar da pouca idade. Fiz amigos, desenvolvi a habilidade de trabalhar em equipe e me diverti muito.

Hoje, sem dúvida, tenho uma noção muito mais realista do que é trabalhar em um jornal diário. Conheci a "grande mídia" por dentro e sinto-me mais preparada para enfrentar o mercado de trabalho. O curso, sozinho, não forma grandes jornalistas, mas oferece asas para aqueles que têm a garra e o talento necessários alçarem vôo."

Leandro Silveira
"Sempre acreditei que o bom profissional de comunicação precisava estar em constante atualização, sempre estudando. Na universidade, sempre tive mais interesse pelas matérias teóricas em detrimento de disciplinas mais práticas. Nem por isso, no entanto, pensei em entrar para a Academia. Quando me formei, em julho de 2005, tive ainda mais certeza de que estava certo. Os quatro anos haviam sido proveitosos, mas sentia que ainda faltava ampliar os meus conhecimentos.

Ao me inscrever para a prova do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estadão acreditava que teria a oportunidade de passar três meses em contato com uma das maiores redações do País somado a oportunidade de qualificar o meu texto a partir das correções de experientes profissionais.

No meio do caminho entre a aprovação na entrevista e o início do curso, no entanto, havia algumas pedras a retirar do caminho. Todas elas ligadas a minha querida Belo Horizonte. Tinha que abandonar compromissos profissionais, meus estudos, a família (mãe e irmãos) e o Galo. Superadas, parti para São Paulo.

Foi só durante estes três últimos meses que pude perceber o quanto foi bom ter sido selecionado para fazer parte da 17ª turma deste curso. Vindo de fora, para uma cidade em que ainda não tinha amigos, acabei por ficar quase que diariamente com todas minhas atenções voltadas para as atividades no Estadão.

Aprendi muito com todas as pessoas que passaram pela sala dos Focas ou pelas editorias que circulei. Com o Chico Ornellas relembrei que 'Deus está no detalhes' (ou seria o diabo?) ao cometer um erro gravíssimo, de pura desatenção, no último parágrafo de uma matéria.

Com Luiz Carlos Ramos redescobri a paixão por procurar uma pauta interessante diante de situações comuns. Com Márcia Guerreiro aprendi que a precisão é fundamental em qualquer texto jornalístico. Na semana mais interessante do Curso, quando Paco Sanchez nos visitou e nos deu várias lições de vida e jornalismo, vi como é fundamental que um texto tenha sensibilidade.

Com Eduardo Martins aprendi regras gramaticais que passaram despercebidas nos tempos de colégio. Jamais esquecerei o quanto é importante estudar a nossa língua diariamente. As aulas de ética, filosofia, economia e política foram importantes para que eu rememorasse conceitos adquiridos na universidade e entrasse em contato com a opinião de especialistas nestas áreas.

As palestras ou conversas informais com jornalistas renomados de diferentes estilos ajudaram a enriquecer ainda mais o curso. Pude conhecer mais de perto profissionais renomados que já admirava como Juca Kfouri, Lourival Santanna e José Maria Mayrink, e anotei todas as dicas passadas por Eduardo Nunomura.

A viagem ao Rio Grande do Sul permitiu que conhecêssemos o pólo petroquímico do Sul, além de nos fazer compreender o funcionamento da indústria do fumo. A ida a Triunfo e a Santa Cruz do Sul também permitiu o estreitamento dos laços de amizade com os outros 29 focas.

As novas amizades feitas no Curso são um capítulo a parte destes três meses. Foram muitas brincadeiras em meio a cafezinhos ou no bandejão. Carregarei o carinho por vários focas por muito tempo e a amizade de outros tantos que me ajudaram a diminuir a distância de casa e que transformaram São Paulo em meu novo lar.

Nesse período aprendi a gostar desta cidade e posso dizer que até me apaixonei por Sampa. Além disso, o Curso permitiu que eu voltasse a ficar mais perto de meu pai. O convívio diário só fez com que aumentasse a minha admiração pela pessoa que permitiu que eu chegasse até aqui."

Letícia Santos
"No dia 4 de setembro de 2006 cheguei ao curso morrendo de curiosidade para saber como seriam os próximos três meses, quem estaria lá comigo e quem seriam os professores. Todo o tempo que dediquei à imaginação não foi suficiente para chegar perto da realidade. O 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de S. Paulo superou minhas expectativas e "ratificou" meu desejo de ser jornalista.

Tive oportunidades únicas de conhecer e trabalhar com pessoas admiráveis. Logo no início, Paco Sánchez, da Espanha. Para mim, a semana de aula com ele foi uma das melhores: em apenas cinco dias, Paco foi capaz de sintetizar teoria e prática jornalísticas, além de dar dicas ótimas. E teve mais: conversei, entrevistei e pude perguntar tudo o que quis ao Lourival Santanna, Juca Kfouri, Boris Casoy, Eduardo Nunomura, Ricardo Kotscho, Renato Lombardi, Alberto Luchetti e muitos outros. Até mesmo um ex-ministro, Maílson da Nóbrega, fez uma visita aos "focas".

É importante ressaltar que o curso não foi, de forma alguma, um repeteco da faculdade. Aqui, além das aulas de português, política, economia e ética, vivi o dia-a-dia de um jornal, a reportagem propriamente dita. Estive em várias editorias da redação do Estado e foi maravilhoso ver minhas matérias publicadas.

Foram três meses de descobertas. Embora eu já gostasse de jornalismo impresso, me apaixonei mais. O jornalismo diário mostrou-se fascinante. Também nunca imaginei que eu fosse gostar tanto de economia. Só mesmo com a passagem pela redação é que fiquei sabendo que economia vai muito além dos números, e que gosto do assunto.

Também me apaixonei pelo caderno especial que produzimos com a editorialista Márcia Guerreiro. Márcia conduziu tudo muito bem: chamando a atenção se necessário, instruindo, mostrando como fazer melhor, e elogiando. Acompanhar e participar do andamento de um suplemento desde seu embrião até ficar pronto foi muito legal. Que orgulho do nosso caderno, e como foi bom fazê-lo, faria tudo de novo. Mais do que produzir um suplemento, foi um trabalho de preparação para a vida profissional. Depois desses meses, a sensação é de missão cumprida.

Além da Márcia Guerreiro, outro privilégio foi trabalhar com Luiz Carlos Ramos, que passou as pautas mais variadas e teve paciência e delicadeza na correção dos textos. Até mesmo o editor-executivo Roberto Gazzi deu uma missão aos "focas": descobrir como será o Estado daqui a cinco anos. A pesquisa foi fundamental para conhecer melhor minha profissão.

Nos últimos três meses me ensinaram muito mais do que jornalismo: também tivemos "aulas" de bom senso, disciplina e dedicação. Sem falar nos amigos que fiz. Uma experiência que vou levar para a vida toda."

Lucas Nobile
"Quando fui aprovado e convocado para participar da 17ª turma do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do jornal O Estado de S. Paulo estava de "férias" da profissão. Trabalhava em uma produtora de vídeo, desenvolvendo roteiros de cinema. A oportunidade de fazer o curso foi indubitavelmente engrandecedora para minha formação pois, até então, havia estagiado em revista e em TV. Ambas as experiências se deram em veículos de pequena expressão. Estava me formando na Faculdade Cásper Líbero e tinha cursado um ano de filosofia na USP. Achava, pelo meu currículo acadêmico, que já estava um passo à frente dos demais colegas iniciantes na profissão.

Ao chegar à sala dos focas, no dia 4 de setembro, me deparei com 29 jovens jornalistas com os mesmos, ou até mais, diferenciais que os meus. Percebi, então, a oportunidade única de fazer a "residência jornalística" do Grupo Estado e que tinha a chance de aprimorar meus conhecimentos e de me atualizar.

Já havia conversado com pessoas que fizeram o curso antes de mim e escutado diversos elogios aos profissionais que o ministravam, às atividades e às possibilidades de aprendizado. Bom foi poder confirmar as expectativas criadas com o que tinha ouvido. O convívio com jornalistas renomados foi enriquecedor para questionar e confrontar dogmas ensinados na faculdade em relação à apuração e, principalmente, à confecção e edição de textos jornalísticos.

As oportunidades de trabalhar na redação e de ter contato com profissionais experientes e com o verdadeiro frenesi da rotina de um jornal diário mudaram meus conceitos sobre a especialização em determinado assunto ou editoria. Antes do curso, minha bagagem e meus gostos me inclinavam aos cadernos de Cultura e de Esportes. Por sorte, iniciei minha passagem pela redação por essas duas seções. Pude fazer breves, notinhas e ver meus textos publicados no jornal no dia seguinte. Porém, foi em economia (editoria pela qual não tinha encanto, nem familiaridade) que tive melhor desempenho. Ali, busquei espaço para fazer matérias, uma delas com chamada de capa. Estava provado que não poderia me prender apenas aos temas pelos quais tinha predileção e ficar "engessado". Era hora de começar a me tornar um polivalente na profissão e de conhecer um pouco de tudo para ser mais completo.

Não posso deixar de destacar a viagem para Triunfo e Santa Cruz do Sul (RS) e as pautas livres no Parque do Ibirapuera e no centro de São Paulo, passadas pelo experiente Luiz Carlos Ramos. Elas fizeram com que eu, paulistano de 22 anos, aguçasse meu olhar e iniciasse o exercício de recuperar a sensibilidade de enxergar pequenas coisas de minha cidade que passavam despercebidas por mim.

Durante três meses de curso, além do aprendizado jornalístico, pude crescer com outras coisas: as aulas de filosofia, ética, política e economia - enriquecedoras para minha formação humanística - e o convívio com colegas dispostos a aprender e tão cheios de vida. Definitivamente o curso deixou marcas indeléveis em mim, que me estimularam a seguir em frente na carreira e a viver com mais intensidade."

Marcela Buscato
"São três jovens na frente de um computador, uma reportagem, muitas idéias. "Você não percebe que estamos tratando de diversos assuntos no mesmo parágrafo, sem explicar como se relacionam exatamente", pergunta um deles. Agora, sim, percebo. Esse episódio, ocorrido durante o fechamento do caderno especial feito pelos alunos do 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado, é apenas um exemplo de como aprendemos o tempo todo durante os três meses passados no primeiro mezanino do Grupo Estado.

"Você acha que a palavra 'intensivo' está no nome do curso à toa?". Como bem lembrado por Marisa, assistente da coordenação, em resposta à reclamação de algum cansado foca - apelido dado a jovens jornalistas -, não havia tempo a perder. Aulas de ética, filosofia, português, economia, política. Encontros com profissionais do Grupo Estado e de outros veículos de comunicação, de várias áreas e mídia diferentes. Em pauta, não apenas maneiras de os novos jornalistas se desenvolverem, mas também o futuro da profissão e seu papel na sociedade. Durante a faculdade, esses temas são discutidos, mas não com o foco profissional que ganham no curso: como colocar tudo isso em prática em nossas matérias do dia-a-dia.

Confesso que apesar dos três meses de discussão, não tenho uma resposta pronta. Ainda bem. Pelo menos, foi isso o que o curso me ensinou. O jornalista não deve ter seus próprios dogmas nem defender alheios, deve estar sempre disposto a ouvir, a aprender e deve ter humildade para reconhecer seus erros.

O resultado desses ensinamentos é uma vontade enorme de pesquisar e escrever, sempre com olhos e ouvidos curiosos, sob a perspectiva não da notícia crua, mas das pessoas que a fazem ocorrer e sofrem com as conseqüências. É assim que poderemos fazer a diferença para a empresa em que trabalhamos e, sobretudo, para a sociedade.

O curso também é uma grande fonte de motivação para os jovens profissionais porque é possível acompanhar nosso desenvolvimento como jornalistas a cada semana. As dicas e correções feitas pelos professores podem ser aplicadas já na próxima tarefa a desempenhar e até mesmo nos próprios veículos do Grupo Estado. A passagem por várias editorias nos dá a chance de acompanhar de perto como é feito o jornal e, assim, perceber que tipo de profissional os veículos de comunicação precisam. Ágeis e precisos, mas também muito criativos. Esse último aspecto, muito incitado em nós por todos os palestrantes e professores que passaram pela sala dos focas.

É tudo isso que levo do curso: uma vontade enorme de aplicar todo o conhecimento adquirido, a certeza de que o trabalho está apenas começando, além da experiência de ter convivido com 30 cabeças cheias de idéias, expressadas por sotaques de todos os cantos do Brasil. E o melhor para o jornalismo é que no ano que vem tem mais."

Márcio Fukuda
"A forca e o chicote pendurados na parede da sala dos focas não foram usados nos três meses de Curso. Ao menos, não literalmente. Mas as broncas deixarão marcas necessárias. Como diz uma das jornalistas que nos acompanhou, melhor ouvir críticas ali, frente a frente, a receber pelas costas na redação, quando será tarde demais.

Foi nesse clima profissional que retomei o ritmo e a prática, anestesiados depois de anos de sala de aula, desde aquelas primeiras reportagens, feitas sob a empolgação de calouro em Santa Catarina. Voltei a sentir o nervosismo saudável de fazer Jornalismo em uma cidade ainda pouco familiar. Com a diferença de, agora, estar em contato com as pessoas de quem os nomes antes apenas via estampados no jornal.

O Curso também foi a chance de conhecer profissionais do Estado e de outros veículos e professores de diferentes correntes de pensamento e instituições, como a Fundação Getúlio Vargas e a Universidade de Navarra. Além disso, as passagens pelas redações da empresa e as conversas com os diretores também ajudaram a ampliar a noção de mercado de trabalho e do produto feito por nós.

Tudo isso na companhia de outros 29 focas. Se não diminuíram a falta dos amigos da faculdade, ao menos compartilhamos críticas e aprendizado. Tivemos discussões e desentendimentos, mas, ao final, trabalhamos como uma editoria para colocar um caderno especial sobre trânsito nas bancas. No caminho, ainda me diverti e aprendi com as diferenças, que não se resumem ao sotaque. Deles, ficam as lembranças do convívio, principalmente durante a viagem ao Sul, e a certeza de nos encontrar nessa e em outras redações."

Maria Emilia Calábria
"No início de setembro, eu fiz uma brincadeira com meus pais e falei: "Para mim o ano está só começando". Hoje, três meses depois, percebo o quanto essa frase teve razão de ser dita. A possibilidade de participar do 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado alterou significativamente meus planos e, surpresa, eles agora são muito positivos.

Quando eu era criança brincava de jornalista. Na adolescência, produzi fanzines e blogs. Não foi novidade para ninguém a minha escolha pela profissão. Mas para mim - que iniciei meus estágios em 2001 - existia uma grande dúvida: onde trabalhar? Só agora, no Estadão, eu entendi como funciona um jornal de verdade.

O curso me situou em diversos aspectos. Levei meus primeiros e doloridos puxões de orelhas, conheci jornalistas admiráveis (e invejáveis), fiquei mais inteirada sobre questões de economia, política e filosofia e tive contato com personalidades, até mesmo um candidato a presidente da República. Com a experiência, consegui identificar meu perfil de trabalho e áreas de interesse e finalmente me sinto segura para defender meus pontos de vista, mesmo que precise arcar com as conseqüências.

Quando entrei pela primeira vez na redação, ainda no dia da entrevista, percebi a seriedade e responsabilidade de se envolver com um veículo de tamanha importância. Já no meu primeiro dia de foca, um pouco tensa, subo para o sexto andar e caio na editoria de um doce de pessoa chamada Teresa Marques, então comecei a desvendar o mistério dos Classificados. E daí seguiram-se as outras, cada uma com seu perfil e figuras marcantes. Sinto pena por não ter sido sorteada com a Rádio Eldorado, pois as visitas por lá foram muito proveitosas.

As aventuras também foram várias. Perdi o rumo em Sapopemba atrás de latinhas de alumínio, acompanhei as eleições dentro da redação, passei horas na Marginal Tietê e no centro de São Paulo monitorando o trânsito e, de quebra, ainda conheci Triunfo e Santa Cruz do Sul, cidades de personagens interessantíssimos e comidinhas deliciosas.

Agora, o meu ano está terminando. Penso no futuro e me vejo morando em uma cidade estranha, com a qual tenho uma relação de amor e ódio (ou seria fascínio?), 29 novos amigos que certamente acompanharei a trajetória, e com as portas abertas numa das empresas de comunicação mais respeitadas do País. As expectativas são grandes e, por isso, assumo os riscos dessa escolha. Não dá para retroceder nesse momento. Não foi isso o que aprendi no Estadão."

Marianna Aragão
"No último semestre da faculdade, esperei ansiosa pelo cartaz que anunciava a seleção para o 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estadão. Afinal, depois de cinco anos observando alguns rostos conhecidos na tradicional fotografia e sabendo da qualidade do programa e da satisfação dos ex-focas, chegara a minha vez de tentar.

Uma semana foi o tempo que tive para deixar casa, família, amigos em Florianópolis e partir para o treinamento que faria conhecer melhor a mim mesma e a profissão que escolhi. Os breves, porém intensos, três meses no Estadão foram uma oportunidade de aprimorar meu texto jornalístico. Chance também de observar, e por vezes até participar, da rotina da redação de um dos maiores jornais do País.

A busca constante por boas histórias e personagens foi uma das lições do curso, percebida não só durante a produção dos textos como também nos bate-papos com jornalistas experientes e talentosos. Luiz Carlos Ramos, Francisco Ornellas e Márcia Guerreiro nos transmitiram sábias dicas, que passam desde o direcionamento da pauta, a dedicação à apuração até os cuidados na escrita. Profissionais como Daniel Piza, Lourival Santanna e Ricardo Kotscho nos fizeram debater e pensar melhor nas escolhas feitas no dia-a-dia da profissão.

Nas reportagens de rua, fui descobrindo a verdadeira São Paulo, que se revelava maior que a Avenida Paulista, os cinemas, os restaurantes e a própria sede do Estado. Assim, percorri as ruas do centro à procura de uma boa pauta; fui até São Bernardo do Campo no domingo de eleições; conheci melhor a vida do paulistano no parque do Ibirapuera. A insegurança típica de quem é de fora, que me acompanhou no começo - como chegar? É perigoso? Tem metrô? - foi, aos poucos, desaparecendo e me deixando mais à vontade com a cidade e com as tarefas passadas.

A experiência na Redação me fez entender o papel do jornalista na produção de uma notícia. Acompanhar as discussões de pauta, aprender os jargões e ver a agitação dos repórteres na proximidade do fechamento se mostrou novidade para mim, que nunca havia trabalhado com jornalismo impresso - e acredito que por isso tanto me fascinou.

No sala do 1º mezanino do Estadão, entre café, conversas e piadas, convivi com 29 focas, vindos de todos os cantos do Brasil. Descobri que as semelhanças, que pareciam muitas no começo do curso, não eram tantas assim e que isso é ainda mais enriquecedor, dada a profissão que escolhemos. Por isso, também, esse período deixará boas lembranças e algumas amizades pra vida toda.

Seja na "salinha dos focas", na Redação ou nas ruas de São Paulo, o treinamento me proporcionou um grande aprendizado. Aprendi que gostar de conhecer pessoas, que viver a diversidade e se questionar diariamente deve ser característica de todo repórter. Que ter sensibilidade, persistência e agilidade são essenciais para o jornalista que quiser ter seu lugar no mercado da grande imprensa hoje. Depois dos três meses de curso, acredito que estou pronta pra enfrentar esses desafios."

Martín Fernandez
"Casa, carro, emprego num bom jornal e o conforto de viver numa das cidades de melhor qualidade de vida do Brasil, Joinville (SC). Não houve um segundo de hesitação no momento de largar tudo isso e me lançar para São Paulo fazer o Curso Intensivo de Jornalismo do Estadão. Três meses, seis editorias, 29 novos amigos e várias dívidas depois, novamente não há hesitação: valeu muito, muito a pena.

Como define o Chico, que afinal é o pai de tudo isso, o Curso é como se fosse uma residência em jornalismo. E por isso mesmo fiz desse prédio a minha casa nos últimos três meses. Por mais que eu tivesse trabalhado em jornalismo diário, a experiência toda foi um choque de realidade.

Mais do que me ensinar milhões de conceitos e dicas e toques úteis para o exercício da profissão, o Curso me deu uma lição definitiva de humildade: é mais difícil do que se pensa, requer mais transpiração do que inspiração, exige dedicação do começo ao fim.

Eles não gostam que a gente os chame de "professores", mas é o que são na essência. Paco Sánchez me ensinou a pensar com mais clareza, Márcia Guerreiro a apurar direito, Luiz Carlos Ramos a escrever melhor e Francisco Ornellas, o Chico, a juntar tudo isso e a manter sempre o foco na carreira.

Os encontros com executivos de outras áreas do grupo me fizeram ter uma idéia do tamanho e da complexidade da empresa. Os contatos com profissionais consagrados deixaram exemplos a serem seguidos. E as aulas de filosofia, ética, direito, economia e ciência política me deram as noções necessárias para entender o mundo que vamos cobrir."

Natalia Cesana
"A disputa foi grande. Eram mais de 3 mil inscritos concorrendo a apenas 30 vagas. Algumas semanas depois da prova escrita, aconteceu a primeira seleção: só 60 restaram. Desses, só os que conseguissem passar pela entrevista seriam os focas do 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado.

O programa começou no dia 4 de setembro e, a primeira recomendação dentre muitas que escutamos foi: "nada de comportamento acadêmico. Isso daqui é uma redação, ambiente profissional". De fato, não foram aulas de faculdade, do tipo que só o professor fala e todos ouvem. Recebemos jornalistas veteranos, repórteres especiais, chefes de redação que, cheios de histórias e experiências para dividir com os novatos, foram bombardeados por perguntas práticas. Como não desejar estudar e se esforçar para conquistar uma carreira como essas? Tivemos também suporte nas áreas de política, economia, ética e filosofia, ramos que me instigaram a ler e a pesquisar ainda mais.

Depois de alguns dias, finalmente pudemos subir para a Redação e, aí sim, sentir como é montar um jornal diário. Meu afã era participar da loucura toda e ser útil de alguma forma, nem que fosse com uma sugestão de pauta ou uma breve.

Mas antes de conseguirmos um lugar na redação, nosso texto precisaria estar impecável. Praticamos muito durante esses três meses. Toda semana tínhamos uma matéria para fazer e íamos para a rua desenvolver a pauta sugerida, ou descobrir uma notícia em meio à imensidão de São Paulo - ou a do pólo petroquímico de Triunfo (RS). Depois, nossos textos eram rigorosamente comentados e a toda hora recebíamos dicas importantes para evitarmos os mesmos erros tão comuns na imprensa em geral.

O saldo é quase um consenso: não podemos parar de investir em nossa formação. E para quem acabou de sair da faculdade, o Curso realmente é uma ótima residência para entrarmos um pouco mais preparados no mercado de trabalho."

Paulo Darcie
"Comecei o 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Grupo Estado num período em que uma interrogação gigante morava na minha cabeça. Estava no último semestre da faculdade, sem estágio, sem muitas perspectivas e meio desolado. Sempre preferi o jornalismo impresso, mas naquele momento cheguei a pensar em outros empregos e caminhos que claramente não tinham nada a ver comigo. Fiz a prova despretensiosamente, desmotivado. Passei, e a motivação voltou.

Encontrei no Curso uma situação muito diferente de tudo o que conhecia: antes achava que a palavra "acadêmico" trouxesse consigo certa carga de seriedade, ou fosse relativa apenas à produção científica e intelectual. Chico Ornellas, Luiz Carlos Ramos, Márcia Guerreiro e todos os outros convidados me ajudaram a enxergar que a postura acadêmica poderia não ser apenas essa parte nobre, mas também revelar imaturidade e irresponsabilidade para assumir compromissos. Natural. Uma fase que devemos superar.

As aulas de filosofia, ciência política, ética, economia e de texto jornalístico, em sua forma, não foram tão aulas assim. Com a fluidez de um bate-papo despretensioso, a mensagem dos convidados parecia disposta a ser enxergada por outro lado, por cima, por baixo e até ser rebatida, ao contrário do que algumas exposições intermináveis do mundo universitário.

Para alguém que mal havia saído da tal vida acadêmica, entrar em uma das maiores redações do País, recebendo a simples recomendação "vai lá e trabalha" representa um empurrão, com tudo de bom ou de ruim que um empurrão pode trazer: o tropeço e um dente quebrado, ou a dor passageira em um dedo, seguida de passos à frente. Parece que já dei alguns passos."

Paulo Sampaio
"Há anos folheei um livro que logo virou referência para mim. Na época, eu tentava entender o que os filósofos diziam, e o jornalismo como "profissão" se resumia a alguns exemplares do pasquim que eu publicara com colegas de escola. Esses jornalecos estavam perdidos em algum fundo de gaveta emperrada, mas o livro tinha lugar na estante principal da sala, junto a dicionários e não muito longe de um Bandeira, um Platão... Consultava-o pouco, mas gostava de tê-lo por perto: ele me fazia pensar na atenção amorosa que devemos ao idioma. Ainda faz.

Em setembro de 2006, conheci o autor desse livro, Eduardo Martins. Dele ouvi histórias sobre repórteres; com ele conversei sobre momentos graves da imprensa brasileira. Não bastasse o privilégio, tive o prazer de assistir a suas aulas. E se não aprendi tudo o que devia, ao menos uma lição guardei: fazer jus ao Manual de Redação e Estilo do Estado, trazendo-o sempre à mão.

Por combinarem ensino e cuidado com o exercício da profissão, o Manual e seu autor representam para mim o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado. Mas, se é assim, por que falo apenas de Eduardo? Por que, se tantos outros compareceram com o que têm de melhor para um aluno. Para ser justo, eu talvez devesse lembrar - por escrito - todos eles, professores e jornalistas que compartilharam com a turma suas vivências, em conversas, cobranças, estímulo. Mas o medo de entediar o leitor com história longa e mal contada é grande.

Que a equipe de Chicos, Luiz Carlos (como faço esse plural, Eduardo?), Márcias e Pacos - ordenados por ordem alfabética como verbetes de um... manual - não me tome por ingrato. Não esqueço ninguém; estão todos guardados aqui. Entre as linhas de meu exemplar de nossa pequena bíblia."

Renata Miranda
"Escrever sobre tudo o que aconteceu durante o Curso não é fácil. Nos últimos três meses a minha vida virou de cabeça para baixo e, com certeza, nunca mais será a mesma. Ainda bem.

Desde que decidi ser jornalista, sempre quis trabalhar em jornal. No entanto, no meio de 2006 já estava no meu último ano de faculdade e as chances de conseguir um estágio em um veículo de grande circulação eram mínimas.

Quando as inscrições para o 17º. Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado foram abertas, vi aí uma oportunidade. No início, o número de inscritos - 3.164 - me assustou, mas não foi motivo para desanimar. No dia 6 de agosto fui fazer a prova e, semanas depois fui chamada para a entrevista com o coordenador do Curso, Francisco Ornellas. No dia seguinte, tive a resposta positiva. Larguei um emprego que amava e no dia 4 de setembro lá estava eu, na sala dos "focas", junto com mais 29 pessoas, vindas dos mais variados Estados brasileiros.

Em três meses de curso aprendi muito sobre tudo. política, economia, filosofia e, claro, texto. Texto, texto, texto! Conselhos valiosos sobre a simplicidade ao escrever, o cuidado com a escolha das palavras e a atenção ao ritmo das frases foram apenas alguns dos ensinamentos. Também aprendemos a importância de "saber mirar" e tomamos consciência de que "Deus está nos detalhes".

Durante três meses, 30 pessoas diferentes aprenderam a conviver em harmonia, sempre com espírito de grupo e camaradagem. Passamos madrugadas em claro, discutimos, conversamos e nos ajudamos. Saio do Curso melhor do que entrei e com a certeza de que valeu a pena."

Renato Machado
"Escutei diversas vezes na faculdade que jornalismo é um trabalho de equipe, mas até então, para mim era basicamente pegar uma pauta, apurar e redigir o meu texto - uma atividade individual. A percepção começou a mudar no início do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado do Estado de S. Paulo, mas, com a produção do caderno especial, tive certeza de que preciso dos colegas de trabalho para chegar a um bom resultado. Tivemos de discutir pautas, textos e divisão de tarefas. Aprendi que, às vezes, é preciso ceder, pois todos têm um jeito de trabalhar que acham melhor. No final, a crítica ou elogio é para todos.

Além do caderno, aprendi mais sobre o cotidiano da profissão nos estágios nas editorias do Grupo Estado. Foi uma espécie de transição entre a faculdade e o mercado de trabalho. Tínhamos responsabilidades, mas também alguém por perto para apontar o certo e o errado. Nesse período, vi que devemos trabalhar bem os textos, mas manter uma certa distância que nos possibilita modificá-los. Uma matéria de 60 linhas pode ser reduzida a 40 sem perder informação. As pautas que nos passam nem sempre são as melhores e, muitas vezes, nosso trabalho pode não ser aproveitado no jornal. Em outras, pode receber destaque na capa. Em todos os casos, é preciso fazer o melhor.

As atividades da manhã, à primeira vista, poderiam ser comparadas com aulas. Especialistas de diferentes áreas ensinavam política, economia, filosofia, ética e Português. No entanto, os encontros não eram como na faculdade e sim um aprendizado mais voltado para a realidade da profissão. Entrevistas com ex-ministros e diretores de repartições públicas nos prepararam para o que enfrentaremos em pouco tempo. Não existem mais as declarações inocentes encontradas nos exercícios de faculdade. As pessoas dizem e escondem o que quererem. Cabe a nós apurarmos bem, confrontarmos os dados para não sermos seus "assessores", como nos disse Márcia Guerreiro, uma das orientadoras do curso.

As aulas de redação foram importantes para mostrar detalhes, até então imperceptíveis. Nunca imaginei que seguir as normas do Manual de Redação é tão importante e pode fazer a diferença no fechamento de uma edição do jornal. Aprendi que dados devem ser checados, mesmo quando ditos por uma fonte aparentemente confiável. Uma parte do Curso que a princípio causava certa apreensão era ver os textos projetados em uma tela e receber críticas perante toda a turma. Hoje, me sinto mais preparado para ter meu trabalho lido por milhares de leitores."

Talita Marçal
"Foi para fazer a prova do 17º Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado que vim para São Paulo pela primeira vez. Só me dei conta da responsabilidade que estava prestes a assumir e, principalmente, de como minha vida poderia mudar quando o coordenador do programa, Francisco Ornellas, perguntou aos candidatos no dia da entrevista se queríamos desistir. Ainda dava tempo, insistia ele repetidas vezes. "O ritmo é puxado", avisava.

Não tinha, naquele momento, toda a certeza da qual estava sendo cobrada. Tive vontade - muita vontade - de ir embora. Mas aquele era meu sonho, a minha oportunidade. Finalmente estar na redação de um jornal diário. Saber como a notícia é feita em um dos maiores meios de comunicação do País. Fiquei. Em uma semana, me despedi de familiares e amigos, deixei o estágio, tranquei a faculdade de História.

Estavam por começar três meses durante os quais só viveria em função do jornalismo, não importa se fosse final de semana ou feriado prolongado de sol. Nunca escrevi tanto. E de formas variadas: matérias, perfis, reportagens. Quase toda semana havia um texto, ou mais, para produzir. E aprendi a trabalhar com o deadline. Algumas apurações duravam dias; outras vezes, o prazo para redigir era de apenas duas horas.

Diversos professores avaliaram o que escrevi. Luiz Carlos Ramos, Francisco Ornellas, Márcia Guerreiro, Eduardo Martins e até mesmo o espanhol Paco Sánchez. Com as dicas e estilos de cada um aprendi que não há fórmula para se fazer jornalismo. Todos diziam, no entanto, que nem só de precisão e objetividade se constrói um bom texto. É preciso buscar outro modo de contar a história. Lead pode - e deve - ser algo criativo.

Para escrever diferente, nova lição: desenvolver o olhar de repórter. Um dos exercícios mais legais foi sair às ruas do centro com a missão de descobrir uma pauta. Pude aproveitar para conhecer um pouco mais da cidade e perceber seus detalhes. Então entendi como tudo pode virar uma boa história, inclusive, se o tema for latas de alumínio.

Por meio do curso, entrei em contato com jornalistas antes conhecidos apenas pelas páginas de jornais. Além das palestras dadas por Lourival Santanna, Daniel Piza, Ricardo Kotscho, Luiz Carlos Mertem, pude conviver com alguns deles na redação. Adorava subir à tarde para as editorias, pois me sentia parte do jornal. Não há como descrever a sensação de ver publicadas no dia seguinte as notas que você escreveu ou as informações que conseguiu para algum repórter.

Experiência jornalística não faltou. Desde coletivas, sabatina e até cobertura de viagem na ida ao Rio Grande do Sul. Difícil escolher do que sentir mais saudade. Apesar de o lado profissional ter sido importante, não há como esquecer as amizades, nem as empolgadas discussões como a do "biscoito ou bolacha". De todo o aprendizado, ficou uma certeza: o jornalismo."

Thiago Cid
"Ser foca no Estado é padecer no paraíso. Foram dias cansativos, muita cobrança e responsabilidade. Mas a satisfação, pessoal e profissional, torna qualquer queixa insignificante. E agora que acabou, resta uma saudade forte de todos os dias passados no jornal.

Nada mais natural que seja intenso o treinamento na publicação mais tradicional do País. O padrão de qualidade é absoluto, e o foca que estiver interessado em aprender terá aqui o melhor início de carreira.

As faculdades nos soltam crus para o mercado. No Estado, tivemos a oportunidade de pegar o ritmo de trabalho de uma redação, aprender técnicas de texto que sequer sabíamos que existiam e compreender, de fato, a importância de uma instituição como esta. Jornalismo é uma ferramenta social séria, e no curso do Estado nos damos conta do peso deste instrumento. Mais do que a parte prática do jornalismo, aqui no curso percebemos todas as dimensões e conseqüências do seu exercício.

O contato com a redação é a porta aberta para o verdadeiro jornalismo. Somente tendo contato com o volume de trabalho exigido em uma redação se pode adquirir experiência, sobretudo se esta for a do Estado. O foca aprende a todo momento. Desde as sutilezas na construção dos textos às técnicas para extrair a informação exata em uma entrevista.

Não há lugar para preguiça, ela não combina com a rotina do Curso. Há sempre uma pauta a cumprir, as novidades não param na redação. A convivência com repórteres e editores, muitos deles ícones e enciclopédias do jornalismo, é um grande exercício. Aprendizado que nenhum livro transmite. E nada como a prática e vivência para ensinarem a forma e o conteúdo de uma matéria bem apurada e redigida.

O aspecto didático do Curso é um dos diferenciais. Além da passagem pela redação, são oferecidas aulas de texto, economia, política, ética, todas com professores que certamente abrirão horizontes para os alunos e apresentarão discussões importantes à carreira. Palestras com jornalistas consagrados motivam os alunos a buscar novos olhares. Hay que mirar, escuchar. Pisar no asfalto, colorir o texto.

Três meses de lições, tropeços e acertos. Três meses para ensinar um foca a nadar com mais desenvoltura."