Quando decidi largar meu antigo trabalho e aceitar o desafio do curso de focas do Estadão não tinha muita clareza do que iria encontrar. Queria aprender mais sobre jornais, só que ia ficar três meses sem ganhar nada, com dedicação absoluta (7 dias por semana, 24 horas por dias... bem, funciona mais ou menos assim mesmo). Mas o curso foi uma ótima surpresa. As dificuldades não se comparam aos benefícios.
Mesmo quem já tem experiência em outros veículos sempre tem muito a descobrir (eu, com certeza, tinha e ainda tenho). Além disso, cada redação é um universo diferente. Dentro do Estadão, cada editoria tem seu jeito próprio de trabalhar. Foi muito bom ter contato com profissionais e assuntos tão diversos. Abri meus horizontes.
Também ampliei meu olhar sobre a própria cidade, onde nasci e morei a vida toda. Descobri que dá para encontrar pautas diferentes nas coisas mais banais, naquilo que a gente vê todo dia. O curso proporcionou ótimos momentos para treinar a observação, a apuração e o texto - principalmente o texto, que foi longamente trabalhado e discutido. Uma das melhores aulas foi com o Paco Sanchez, que destrinchou nossos estilos de escrita (e até mania e vícios) como ninguém. Aprendi muito com tudo isso e, claro, com os erros pelo caminho.
Tivemos a oportunidade de conversar com professores, especialistas, políticos e com ótimos jornalistas. Mais do que ouvir histórias de gente com uma vida inteira dedicada à reportagem, pudemos discutir o que é importante para nos tornarmos bons repórteres.
Esse é só o começo da vida profissional, mas, acredite, é uma bela entrada. Ainda mais quando penso nos novos amigos, nas histórias já vividas, nas enrascadas que a gente se meteu nas apurações, nas conversas regadas a café, no relógio marcando 23h58 (um minuto pra entregar o texto!). Tanto aprendizado em tão pouco tempo. Agora é seguir em frente - feliz.