Tudo começa quando você entra em uma sala nunca antes vista e encontra, em algum canto do cômodo, seu nome escrito em uma folha A4, dobrada em formato triangular, de pé sobre uma longa mesa. Em cima do nome, a imagem simpática de uma foca, equilibrando uma bola, desenhada com as palavras: Curso Intensivo de Jornalismo O Estado de S. Paulo.
A foca dizia a verdade. De certa forma, era um prenúncio do porvir. Foram três meses bastante intensos dentro daquela sala - temos aqui 31 testemunhas para provar. O que começava naquela segunda-feira fria mudaria o pensar de muitos, que se viram convertidos, subitamente, em mamíferos do mar.
Passou tudo muito rápido. Ensinamentos valiosos na voz de gente experiente deram sentido a nossas manhãs. Muitos desses ensinamentos se repetiam, como se quisessem, à força, entrar em nossas cabeças de focas. Nossos erros também se repetiam - à revelia do Manual de Redação - e, talvez por isso, a insistência dos mestres. "Ninguém está aqui para sacanear vocês", nos confortava Chico Ornellas.
Mas tem coisas, bem se disse, pras quais "não existe manual". O aprendizado acabou vindo aos poucos - é como andar de bicicleta. Mas com tempo curto, é como caminhar sobre brasa, também. Numa metáfora menos redonda, é como andar de bicicleta sobre a brasa, talvez. Muito nos foi oferecido, muito nos foi cobrado e seremos todos sempre muito gratos por isso.