Quando vim para São Paulo, ganhei um novo apelido. Durante três meses fui a Foca 05. Identificação que recebi na primeira aula do curso quando me juntei aos outros 30 focas. Durante a apresentação, uma surpresa. Dos 30 selecionados, 18 eram como eu, de fora de São Paulo. A maior parte vinda do Sul. Nas primeiras conversas, o mesmo problema: onde morar em São Paulo? Aos poucos, fomos nos organizando para montar a república dos focas.
Nós "imigrantes" fomos conhecendo a cidade aos poucos. O Centro pelas andanças em busca de personagens para a matéria do Luiz Carlos Ramos. Os políticos e os problemas da cidade durante os sete dias de sabatinas com os candidatos a prefeito de São Paulo. Quando escutávamos as propostas, os desafios e as mentiras ditas pelos políticos.
O encontro com os candidatos foi o começo de uma séria de entrevistas. Recebemos, em nossa sala de treinamento, o senador Romeu Tuma e o ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Fomos à sede do BNDES entrevistar o ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Miguel Jorge, no mesmo dia em que a crise estourava no Brasil.
Quando o ministro usava termos como liquidez, circuit breaker e compulsórios de bancos, nós tínhamos na ponta da língua o que cada termo significava. As aulas com o professor Marcos Fernandes nos deram a noção do "economês". Um preparatório para entender o complicado mundo dos mercados financeiros.
Pelo "pacunhol" de nosso professor de texto aprendemos a difícil tarefa de revisar. Entre os ensinamentos, "leia o texto em voz alta", "todo texto tem que ter um desfecho". Para encerrar, fica aí uma fala do mestre, "jornalista tem que se preocupar em fazer comunidade".